logo text
Thêm vào thư viện
logo
logo-text

Tải xuống cuốn sách này trong ứng dụng

Capítulo 4

Alguns minutos após o amanhecer, Astrid descia as
enormes escadarias de mármore do palácio. O vestido
cobalto farfalhava em suas costas, este sendo mais folgado
do que o normal para que a princesa conseguisse manter
os seus exercícios mais confortáveis e relaxados. As botas
de couro soavam sobre o piso lustroso enquanto ela se
movimentava, fazendo com que as facas embutidas em seu
cinto se tornassem pesadas e balançassem em sua cintura.
Os Combatentes postos ali tão cedo não se
incomodaram quando a princesa desceu em direção à
cozinha para que pudesse se servir rapidamente de alguns
pães de alho, frutas secas e suco, após receber diversas
reverências dos cozinheiros, estes preocupados da princesa
se alimentar juntamente com eles e não na sala de jantar
com o seu pai, que provavelmente permanecia trancafiado
em seu escritório naquela hora da manhã. Astrid aceitou as
suas formalidades e deixou que um dos Beltranos a
servisse com um longo sorriso no rosto. A sua pele era
pálida e velha, como se o homem não saísse daquele local
há muito tempo, logo, evitando a luz do sol.
Os seguranças também não a impediram de
ultrapassar os portões revestidos de ferro, tão limpos e tão
bem cuidados, que Astrid se perguntou quantas vezes era
preciso limpá-los por semana.
As suas pernas ainda permaneciam doloridas por
causa da tarde anterior, cujo treinamento com Dimas fora
duradouro e esgotante, fazendo com que Astrid dormisse a
noite inteira sem interrupções. Apenas os sonhos de seres
poderosos e com magias extremamente intensas habitaram
em sua mente naquela noite. O receio daquela possível
realidade ainda percorria por sua cabeça quando ela
acordou no dia seguinte com o canto dos pássaros e com
os ruídos que os escravos produziam.
Astrid encarou sobre o ombro mais uma vez antes de
prosseguir o seu caminho. O palácio era revestido com
pedras ferro, as quais possuíam texturas semelhantes à
madeira, todas tão diferentes e fascinantes. As cores
escuras e claras formavam dégradés sobre toda a fachada
da construção, causando uma impressão de rusticidade,
antiguidade e deslumbramento aos olhos de quem
encarassem. As torres, que se encontravam ao lado da
imensa construção, eram altas e esguias quando vistas de
longe, mas Astrid sabia como elas eram gigantes e largas
para que um considerável número de guardas se
mantivesse naquelas alturas, com o propósito de impedir a
entrada de seres indesejáveis, ou seja, aqueles que
habitavam os Reinos que não compunham o Reino
Florestal, nem o Reino Solar.
Árvores com folhas absurdamente verdes e
saudáveis se encontravam ao redor do paço, estas sobre
gramas, as quais estavam circundadas por flores coloridas
e vibrantes. A paisagem era linda e atraente. Contudo,
Astrid tinha a consciência de que tudo aquilo era pura
sedução física, já que naquele Reino a aparência tinha o
objetivo de sobressair às vidas sofríveis que o povo
enfrentava diariamente.
Astrid se encontrava ao lado das grades dos
estábulos no momento em que os seus pensamentos se
dispersaram. O mesmo cavalariço do dia anterior se
encontrava ali, erguendo as mãos para que a sua magia
entrasse em contato direto com a terra já meio escavada.
Uma pá se encontrava ao seu lado, para caso a fraca magia
se esgotasse, ele pudesse continuar escavando com os seus
braços finos e compridos.
A princesa adentrou o local, chamando a sua atenção
e a atenção de alguns trabalhadores que permaneciam no
estábulo. Todos arregalaram os olhos como se estivessem
encarando algo monstruoso. Diversas reverências foram
feitas com a sua chegada e Astrid lhes mostrou um sorriso
de conforto, logo acenando com a mão direita para todos.
No entanto, ela notara o olhar perdido e sofrível do
cavalariço que cuidava de Dama.
Os olhos esbugalhados estavam repletos de tristeza e
desolação.
Astrid já caminhava em sua direção rapidamente,
ignorando as pequenas picadas dos arbustos, que ainda
não haviam sido aparados, em seus tornozelos.
— Dama está bem? — Astrid questionou, sentindo
um nó em seu intestino. As palavras soaram mais baixas
do que ela esperava.
— Sim, Alteza, a égua está completamente bem —
A voz do Beltrano saiu em um sussurro. A garganta
oscilando, provavelmente com o nervosismo de uma
princesa se dirigir a ele de uma maneira tão informal.
O peito de Astrid subiu com o alívio, assim como os
seus ombros, antes tensionados, relaxaram
instantaneamente. Ela encarou novamente a pequena cova
que o cavalariço construíra, era realmente uma cova muito
pequena para que Dama coubesse ali. O trabalhador,
certamente, notou o olhar questionador de Astrid sobre as
terras espalhadas, pois logo comentou:
— Um potro acabou de falecer, Alteza. — O seu
tom era tão deplorável, que Astrid sentiu pena brotar em
seu peito. — Uma das éguas estava fraca demais e já
imaginávamos que o parto não seria algo tão... Belo de se
presenciar.
— As curandeiras não conseguiram fazer nada por
ele? — Astrid ainda encarava aquele pequeno buraco,
onde mais tarde haveria um potro que não possuiu a
chance de viver.
O cavalariço negou com a cabeça, a boina cobrindo
os seus cabelos cinza e ralos, antes de dizer:
— Vossa Majestade, Rei Howard, não nos dera
permissão, Alteza. Vossa Majestade não queria que
convocássemos as curandeiras para que cuidassem dos
animais, mas de qualquer forma, ele não teria resistido
mesmo. — Os seus ombros delgados estavam mais curvos
do que antes, fazendo com que o trabalhador diminuísse
alguns centímetros.
É claro que o seu pai havia os proibido de quaisquer
ajudas, ou contatos com auxiliares para que estes
cuidassem dos animais feridos e enfermos. Astrid não
queria escutar nada sobre o Rei e sobre as suas injustiças,
não naquele momento, porém, observando aquele homem
tão frágil e tão sem forças...
Aquilo era um imenso egoísmo.
— Sinto muito. — Era tudo o que ela poderia
oferecer.
Astrid era uma princesa, a herdeira do Rei. No
entanto, aquele termo era totalmente desnecessário, já que
ela não poderia fazer nada para mudar aquelas situações.
Situações tão desagradáveis. A princesa sabia que, caso
tentasse discutir com o seu pai sobre esses
acontecimentos, não adiantaria de muita coisa. No entanto,
apesar desse pensamento, ela gostaria de tentar.
O trabalhador lhe concedeu, novamente, uma
reverência longa e demorada, enquanto os seus dedos
finos tocavam na boina escura para evitar que esta saltasse
da sua cabeça.
— Muito obrigado, Alteza — ele agradeceu tão
calmo e tão sereno, que Astrid sentiu o seu peito apertar
ainda mais.
Ela acenou com a cabeça educadamente antes de
continuar o seu caminho para o interior do estábulo, onde,
sabia ela, Dama a estaria esperando. A princesa imaginava
como seria se Dama estivesse no lugar daquele potro, tão
imóvel e sem vida alguma, como Astrid lidaria com
aquilo. Ela se perguntava se a sua expressão seria idêntica
à expressão do cavalariço, ou se seria pior, se ela estaria
mais abatida do que ele, se é que era possível.
Dama bufou suavemente e andou lentamente de um
lado para o outro ao ver Astrid se aproximando. Um dos
trabalhadores abriu a porteira e puxou Dama com cuidado
para não a machucar, logo, a tirando detrás das grades e
pondo a sela em seu dorso. As crinas prateadas de Dama
se agitavam com o vento e as suas pernas robustas
batucavam sobre o piso de brita, já impaciente para sair
daquele local.
Ela queria se movimentar.
Astrid a acariciou antes de montar na sela e puxar
levemente as rédeas, logo agradecendo ao trabalhador que
a ajudara. Ele lhe ofereceu um cumprimento e acenou com
a mão para que as grades, de madeiras pálidas, se
fechassem.
O dia estava completa e incrivelmente agradável. O
sol permanecia mais forte do que estivera no dia anterior,
os raios cintilando sobre as poucas fontes de água que se
encontravam no local, aves cantavam no topo das árvores
enquanto as cercavam. O povo continuava com os seus
trabalhos, alguns conversavam com as vozes baixas, já
outros falavam alto, tentando sobressair os barulhos que
alguns de seus equipamentos, ou materiais produziam.
Todos possuíam as mesmas expressões de cansaço e de
dor.
Felizmente nenhum escravo passou em seu caminho
enquanto Astrid cavalgava, ela não sabia se conseguiria os
encarar e receber as suas saudações e sorrisos falsos. Não
porque eles eram pessoas ruins, muito pelo contrário, e
sim, porque eles não possuíam mais forças para
expressarem sentimentos bons, para fingirem que tudo
estava bem, quando na verdade, tudo estava desabando
sobre os seus pés.
Ela só queria os ajudar, mas não sabia como.
Ali estava, o local do enforcamento. O corpo de
Astrid estremeceu freneticamente e Dama curvou ainda
mais o seu tronco, com o intuito de manter a princesa
equilibrada, como se ela entendesse o que aquele lugar
significava para a sua dona.
Tão inteligente e esperta.
A respiração de Astrid parecia não existir mais, o
fôlego se dissipou rapidamente dos seus pulmões ao
encarar a área. Parecia ser vasta quando observada de
longe, como se fosse apenas mais uma das casas de
madeira de um dos Beltranos, ou de uma família. No
entanto, aquele era um lugar abominável, o qual Astrid
nunca entrou. Contudo, ela não precisava adentrá-lo para
que ele a assombrasse, para que ela possuísse diversos
pesadelos durante tarde da noite.
O local do enforcamento foi criado, especialmente
para os escravos, com o objetivo de os maltratarem das
piores formas possíveis, com açoites e com lâminas
afiadas até que sangue jorrasse de seus corpos negros e
magérrimos. Caso, o agressor possuísse o mínimo de
piedade possível, os escravos eram enforcados com
rapidez para que não sentissem dor. No entanto, na
maioria das vezes, essa ação repulsiva tinha o intuito de
lhes causar sofrimentos, sofrimentos esses, que Astrid
imaginava serem impossíveis de aguentar, visto que ela
conseguia escutar as súplicas de piedade dos escravos
contra os agressores, enquanto esta se esforçava para
dormir.
Ela respirou fundo e fechou os olhos, controlando a
sua respiração, assim como Dimas havia a ensinado.
Inspirar e expirar. Inspirar e expirar. Inspirar e
expirar.
Dama agora se movimentava lentamente e apesar
dos pensamentos de Astrid ainda estarem naquele local
horrendo, elas já haviam passado dele. No momento,
ambas se moviam entre as árvores que projetavam
sombras. O sol não conseguia ultrapassar as folhas, já que
essas estavam todas entremeadas umas nas outras, fazendo
com que aquele local permanecesse mais escuro.
Astrid lançava algumas flechas de madeira de pinho
em direção a um dos alvos coloridos, que ela pintara em
uma árvore caliandra-rosa. A sua mira evoluiu muito
desde que ela dera início a esses treinamentos. A princesa
já havia corrido durante meia hora ao redor de algumas
plantas, o suor agora escorria pelo seu corpo e as suas
pernas tremiam cada vez mais com os seus esforços. Dama
brincava com algumas folhas e arbustos, ela chutava
diversas pedras pequenas para o lado e recuava quando
uma águia soava entre a floresta.
Elas estavam próximas ao rio Clypeus, cujo
propósito era separar os quatro Reinos de Brighid por
escudos protetores lançados pelos quatro Reis. Os únicos
que podiam ultrapassar o território do Reino Florestal era
o povo do Reino Solar, exceto em um único dia do ano, o
qual toda a magia era dissipada. Mas, é claro que nenhum
dos outros dois Reinos atacavam, pois nenhum gostaria de
iniciar uma guerra interna, não enquanto houvesse tantos
riscos e tantas perdas, principalmente devido à última
guerra, apesar desta ter sido externa.
Nenhum rei era tolo e Astrid sabia disso. Se estes se
encontravam no topo da hierarquia, apenas isso significava
muita coisa. Eles eram espertos e habilidosos, além de
poderosos. Eram até demais, pensou Astrid após
relembrar do assunto comentado com Dimas no dia
anterior.
Fechar a mente. Ela tentou bloquear os seus
pensamentos na noite passada, no entanto, Astrid não fazia
a mínima ideia se aquilo servira de algo. Eles deveriam ser
fortes demais, quando comparados a uma humana, logo,
esse pequeno fechamento seria muito fácil de ser reaberto
e controlado, supunha ela.
Dama se hidratava no rio cristalino, a água era tão
transparente e reluzente, que caso os raios de sol
incidissem ali, Astrid não conseguiria enxergar mais nada,
se continuasse a encarando de perto. Contudo, ela
permanecia lançando as flechas, ou estacas, como Apolo
havia as denominado, na árvore, acertando o mesmo alvo
diversas vezes. Suas mãos agora latejavam, assim como os
seus braços, por causa da força exercida.
Astrid revirou os olhos e contraiu os pequenos dedos
da mão direita, porém, parou subitamente com o susto que
levou.
Dama relinchou tão alto que a princesa sentiu o seu
coração escapulir pela boca, os seus ouvidos formavam
um emaranhado estranho de ruídos e a sua mente girava
rapidamente. Ela correu rápido em direção à Dama, tão
depressa que quase caíra nos galhos que estavam sobre o
chão enlameado.
Os seus dedos roçavam na pele da égua a procura de
qualquer ferimento.
Dama respirava com dificuldade e o seu coração
palpitava sem nenhuma pausa.
— O que... O que houve? — Astrid perguntou tão
sem forças, que pensou que fosse desmaiar. Todo aquele
susto, aquele barulho. Ela não conseguia achar o
machucado na égua, não conseguia perceber, ou notar o
que havia de errado.
Contudo, Dama não olhou para Astrid nenhuma vez
sequer. Os seus olhos turquesa permaneciam fixos em
algum ponto além do rio, além daquelas águas gélidas e
movimentadas. E quando Astrid ergueu o olhar, ela o viu.
Um imenso lobo de pelagem cinza a encarava com
uma expressão fria e devoradora.

Bình Luận Sách (2863)

  • avatar
    FlorLaravilla

    ótimo

    3d

      0
  • avatar
    BiancaCarla

    muito bom

    11d

      0
  • avatar
    RitaMayara

    muito bom

    19/04

      0
  • Xem tất cả

Các chương liên quan

Chương mới nhất