Trang Chủ/O DIÁRIO DE HO'PRETULÙ MPANDÈ /O GUERREIRO ZULU/
6º Capítulo
O 1º Dia da Viagem Maldita
6º Capítulo O 1º Dia da Viagem Maldita Dias e Dias a bordo do terror! Antes de começar a escrever esse diário a bordo do navio tumbeiro para a Terra do nunca mais, sempre deixo claro que nenhuma reparação histórica jamais apagará a indescritível dor que carregamos na alma e olha que temos irmãos por todos os lugares do mundo, naquela época foi uma média de 9 milhões de escravos que seguiram para a América Latina no Uruguai, Colômbia, Brasil, EUA, na Europa, França, Itália, Portugal fora os países que depois de muitos anos eliminaram todos os negros de seus países através da "Eugênia" um um dos métodos de "embranquecer um país", execrado todos os negros como uma espécie de genocídio, um claro e histórico exemplo é a Argentina, os países da Ásia como o Japão, a China, Indonésia, Coreias do Norte, do Sul! Assim fomos coercitivamente arrastados como animais, à base de porradas, acorrentados e vigiados com os se fossemos pedras preciosas (porém tínhamos certo valor comercial). A história dos navios negreiros é uma das mais comoventes, covardes e estapafúrdias que a humanidade já conheceu. Homens, mulheres e crianças eram tratados com a maior ignorância pela demência do mundo simplesmente pela cor da pigmentação, ser negro parece ser um crime até hoje. Todos os sequestrados negros vivam amontoados em compartimentos que não serviam nem para acomodar os animais, não tinha ventilação, era escuro e sem nenhum cuidado com a higiene. Todos conviviam no mesmo local onde a fome, a sede, as doenças, a sujeira, os agonizantes e os mortos eram uma só unidade tudo no mesmo lugar. Estava na terceira ou quarta leva nas pequenas embarcações (os botes) que nos levaram aos grandes navios, só ouvíamos gritos, açoites, peles rasgadas à chicotadas e os olhos tristes da nossa gente um sofrimento precoce que se estenderia pela história do mundo e nunca mais voltaria ao normal, é como se fosse um corpo amputado com o coração avariado. Todas a formas de tratamento do nosso povo se dissiparam como a fumaça que se espalha pelo céus. Os fortes guerreiros, Reis, Rainhas, príncipes, não tinham mais nenhuma validade hierárquica fora da circunferência das aldeias e tribos da África, agora todos eram escravos, todos eram iguais, ninguém era mais que ninguém além de um relés escravo porém, o respeito entre nós eram mantidos fielmente. Sem a menor preocupação com a condição dos negros, os responsáveis pelos navios tumbeiro os amontoavam e deixavam cruelmente todos acorrentados nos porões. Muitos vieram de diferentes lugares e regiões do continente africano e fora de qualquer pretexto foi promovido o encontro de várias etnias africanas que por séculos eram também ferrenhos inimigos tribais. Casualmente naquele sofrimento coletivo um mínimo de paz entre todos tinha que ter e tinha que ser! No interior daquele gigante navio todos não viam a hora de se acomodarem e ficar a mercê do tempo e da sorte pois, a única certeza que todos tinham era que a morte era a única forma de reencontrar a paz e voltar para a nossa ancestralidade. Seus corpos marcados pelos ferimentos, pela dor das grossas e pesadas correntes limitavam os seus movimentos, as fezes e a urina eram feitas no mesmo local produzindo um terrível e inesquecível odor. Muitos morreram pela baixa imunidade, por diversos tipos doenças até mesmo por infecções causados pelas sujeiras dos próprios irmãos. E para ajudar os movimentos das caravelas nas revoltas marítimas faziam com que muitos passassem muito mal e vomitassem no mesmo local muito triste. Como era desgastante quando as embarcações se via em meio às tempestades subindo e descendo 20, 30 metros de altura numa violência total, quão estressante era, só quem viveu aquele momento sabe o significado da verdadeira dor onde muitos até hoje se perguntam o porquê foi nascer com a pigmentação preta! O porquê um preto não tem paz se todos tem muita luz. Os alimentos que recebia o nome de ração, simplesmente eram jogados nos compartimentos igual o que os tratadores de bichos ferozes fazem, uma ou duas vezes por dia, os próprios negros promoviam a divisão da alimentação, os mais velhos, as crianças e os enfermos tinham a precedência, comiam primeiro e uma maior quantidade, depois as mulheres e por último o que sobrasse era para os homens sadios. De qualquer forma a alimentação distribuída era insuficiente e obviamente pelo déficit proteico e nutricional, problemas como anemia, sífilis, infecções depreciou a saúde de muitos negros levando-os às mais severas enfermidades e posteriormente à morte. E nestes primeiros dias dessa viagem maldita pude sentir que entre a vida e a morte só iria depender de mim. Na condição de mais novo tinha que me manter firme, tinha que ser exemplo para os guerreiros, trabalhar e exercitar o corpo e a mente com a nossa nobre arte de defesa a Capoeira que embora seja uma arte letal, aos olhos dos nossos algozes senhores, tínhamos que fazer com que ela parecesse uma dança inofensiva... Capoeira Mata Um Não faço a menor idéia Da apreensão, o medo Que viviam os nossos irmãos, Revoltos e tristes Com apetite de combate Sede de água, fome de alimento E gana de vingança. Sangue nos olhos, Capoeira na alma. Corpo forte, ginga perfeita Nenhum sinhô Se atrevia a vacilar, Pois Quando a meia-lua de compasso Completava o giro, O "S" dobrado dava o resultado O rabo de arraia Fazia o arremate na dança perfeita, Era mais um corpo estendido no chão E sebo nas canelas.. E vamos nós para o segundo dia da viagem maldita! (Continua)... *****
Cảm ơn
Ủng hộ tác giả để mang đến cho bạn những câu truyện hay
muito bom
23/04
0amei
10/04
0maravilhosooo
19/02
0Xem tất cả