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Capítulo 5: O que é real não precisa de filtro

A quarta-feira chegou e eu tava uma pilha de nervos real. Parecia q tinha umas dez borboletas lutando boxe no meu estômago kkkkk. Eu não sou de me arrumar muito vc sabe né meu estilo é mais básico e funcional pq né correria total... trabalho e tal. Mas hoje era diferente. Eu queria me sentir bonita não só pra provocar o Pedro (tá 10% era por isso sim) mas pq eu queria q o Lucas me visse de verdade.
— Mãe! Socorro! — gritei do quarto olhando pro meu guarda-roupa q parecia não ter nada q prestasse.
A Luiza entrou no quarto com um sorriso gigante. Ela ama essas coisas de "dia de princesa" kkkk.
— Ai Lia finalmente você deixou eu encostar nesse seu cabelo! — ela disse já pegando a escova e o babyliss q ela guarda pra ocasiões especiais. — O Henrique me disse q o Lucas escolheu a dedo essa exposição parece q é de um fotógrafo q ele admira muito.
— É ele gosta dessas coisas cultas mãe. E eu não quero parecer uma completa ignorante do lado dele — resmunguei enquanto ela começava a fazer umas ondas suaves no meu cabelo.
Minha mãe fez uma maquiagem leve em mim nada de "reboco" sabe só realçou meus olhos e passou um gloss q não era grudendo igual o da Vanessa (eca q nojo daquela garota). Ela me ajudou a escolher um vestido de malha canelada preto q ia até o joelho com uma fenda discreta e eu botei meu coturno pra não perder minha essencia né.
— Você tá linda filha. Uma mulher forte e delicada ao mesmo tempo — ela disse me dando um beijo na testa. — Aproveita o passeio.
Quando o interfone tocou meu coração quase saiu pela boca. Desci e o Lucas tava lá encostado no carro do pai dele (um Jeep q ele pegou emprestado). Ele tava com uma camisa de botão preta entreaberta calça de sarja e aquele olhar de quem sabe q é gato... aff q ódio kkkk.
— Caramba Lia... — ele disse perdendo as palavras por um segundo. — Voce ta... uau.
— Menos Lucas. São só os poderes da minha mãe — brinquei mas fiquei vermelha igual um tomate na hora.
O caminho até a exposição foi meio silencioso. Eu tava com a cabeça longe pensando na cena do Pedro com a Vanessa e em como eu tava me sentindo culpada por estar ali só por vingança sabe? O Lucas q não é bobo nem nada percebeu q eu tava "em outro planeta".
— Lia ce ta aqui mas não ta né? — ele perguntou parando o carro num sinal vermelho. — Ce ta estranha desde q eu te busquei. Se quiser desistir e ir comer um podrão em vez de ver foto de gente morta a gente vai.
Eu olhei pra ele e a sinceridade dele me quebrou real. Eu não queria começar nada com ele na base da mentira.
— Lucas eu preciso ser sincera. Eu quase desisti de vir — comecei sentindo minha mão tremer um pouco. — Tem um cara aqui do bairro o Pedro. A gente teve uma história... e ele fez uma coisa ridícula na frente da lanchonete ontem. Eu fiquei com tanta raiva q minha primeira ideia foi usar você pra dar o troco nele.
Eu despejei tudo amiga. Falei do beijo na vitrine da Vanessa da minha raiva... tudo. O Lucas ouviu tudo sem me interromper mantendo as mãos firmes no volante. Quando eu terminei achei q ele ia mandar eu descer do carro e me chamar de imatura.
Mas ele deu uma risada baixa uma risada gostosa de ouvir.
— Lia olha pra mim — ele disse já com o carro estacionado perto da galeria. — Eu tenho 20 anos já passei por muita treta de ex e de gente querendo fazer ciúme. Eu não tô bravo. O Pedro chegou primeiro na sua vida é normal você sentir esse baque. Mas eu cheguei agora e meu interesse em você é real não é pra ser troféu de briga de bairro.
— Você não tá chateado? — perguntei incrédula.
— Nem um pouco. Na real se ele precisou beijar outra na sua frente pra te atingir é pq ele sabe q perdeu feio pra você. Agora se voce quiser q a gente poste uma foto pra ele ver o q ele perdeu de verdade... eu topo. Mas só se voce prometer q depois q apertar o "postar" voce vai esquecer q ele existe por hoje.
Eu senti um peso saindo das minhas costas!!!! O Lucas era mto mais maduro do q eu imaginava.
— Prometo — eu disse sorrindo de verdade pela primeira vez no dia.
A exposição era incrível fotos analógicas de cenas cotidianas que pareciam pinturas. O Lucas ia me explicando as técnicas falando de luz e sombra e eu ficava só admirando o jeito q ele falava sobre o q amava. Num corredor mais vazio com uma luz neon azul de fundo ele parou e me olhou.
— Posso? — ele perguntou pegando a câmera dele.
— Pode.
Ele tirou uma foto minha distraída e depois a gente tirou uma selfie juntos. Ele tava com o braço em volta dos meus ombros e eu tava com a cabeça encostada no peito dele. Dava pra sentir o coração dele batendo e tava bem rapido viu??? kkkkk.
— Posta essa — ele disse me mandando a foto pelo AirDrop.
Eu abri meu Insta. Meu dedo hesitou por um segundo mas eu lembrei do deboche da Vanessa. Escrevi uma legenda simples: "Noite de arte e boas conexões ✨". Marquei o @ dele e postei.
Não deu dois minutos e meu celular começou a explodir de notificação. Tati mandou mil emojis de fogo e eu vi o @ do Pedro nos visualizados em tempo real. Ele viu na hora!!!! Mas quer saber? Quando o Lucas segurou minha mão pra gente ir ver a última sala da galeria eu nem tive vontade de olhar o q o Pedro tava achando.
— O q voce ta pensando agora? — o Lucas sussurrou no meu ouvido o hálito dele batendo no meu pescoço.
— Que o destino é muito estranho... mas que ele tem um bom gosto pra fotógrafos — respondi me virando pra ele.
A gente tava ali cercado por arte e eu senti que a sombra do Pedro tava finalmente diminuindo. O problema é q sombras sempre voltam quando a luz muda de lugar mas naquele momento eu só queria ficar ali naquele neon azul com o garoto de 20 anos q me entendia melhor q qualquer um.

Bình Luận Sách (58)

  • avatar
    Gabrieli Lopes

    O livro é uma mistura de sentimentos e desejos com um toque de dúvidas e medo

    10d

      0
  • avatar
    De oliveiramurilo

    amém 🙌🏽🙏🏽

    16d

      0
  • avatar
    SantosAlisson

    gostri

    19d

      0
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