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CAPÍTULO 03

Ei! Afaste-se dela! - bradou o menino.
O estranho estava parado ao lado de Eirene.
- Eu quero ajudá-la, garoto!
Eirene remexeu-se um pouco. Soltando um grunhido incompreensível. Klaus estava aflito. Por que diabos a voz daquele sujeito lhe soava tão familiar? E não apenas para ele. Para a jovem também. Por tal motivo, os grandes olhos amendoados dela, carregados de pavor, encaravam o homem cuja face estava parcialmente oculta pelo capuz negro.
- Você viu o que fizeram com ela? - indagou Klaus, indignado.
O estranho tirou a capa negra que usava e colocou-o sobre o corpo nu de Eirene.
- Não vi pois não estava presente. O que fizeram?
- Uma covardia imensa! - então, o garotinho começou a narrar com todos os detalhes tudo o que havia acontecido naquela tarde. O sujeito, assumindo um semblante um tanto estranho, apenas calou-se. Com cuidado, pegou Eirene em seus braços. Ela ainda estava um pouco inconsciente. Anestesiada pelo dor. Mas podia ver, ouvir e sentir tudo o que estava acontecendo ao seu redor.
- O que acha disto tudo? - inquiriu o menino. Fazendo o homem mergulhar em um novo silêncio profundo. Enquanto era guiado por Klaus pelas ruas estreitas e úmidas de Celborbun.
- Disto o quê?
- Da guerra. Da invasão. Dos homens maus que chegaram aqui na cidade!
- Homens maus? - indagou. Era triste ver o quão pesadas e carregadas de ódio aquelas palavras estavam. Um sentimento tão ruim partindo de uma criança.
- Os soldados de Ágoston!
- Os ''homens maus'' estão apenas cumprindo ordens. - respondeu, seco. O menino fez uma careta. - E, além do mais, nem todos os soldados são ruins.
- Sei! - riu-se Klaus. Eles apenas matam todos que tentam fugir de Celborbun e tomam nossas casas por causa dos impostos! Espera! Você conhece algum soldado?
- Conheço alguns.
- Eu quero ser um soldado também! Ou melhor...queria.- admitiu o garoto, com um semblante demasiado triste. - Mas um soldado bom, não um soldado malvado!
- E por que não deseja mais ser um soldado?
- Apenas os filhos dos nobres podem ser soldados...eu sou muito pobre! Não tenho sangue nobre e tampouco dinheiro para pagar pelos treinamentos...
- Quanto ao sangue nobre, não é obrigatório. - falou o homem. - Tudo o que dizem são apenas ladainhas. Você só precisa ser bom em combate, corajoso, disciplinado, e claro, jurar lealdade ao governante de tuas terras.
Um brilho nasceu nos grandes olhos infantis. Um sorriso carregado de esperança surgiu na face rechonchuda. Mas, o quão rápido nasceu, ele também desapareceu, assim que o garoto lembrou-se de que pouquíssimas pessoas possuíam acesso à tais informações. Informações tão confidenciais.
- Espere um pouco...como sabe de tudo isto?
Não teve resposta. Assim que chegaram em uma rua enlameada, e repleta de lixo por todos os lados, Klaus rapidamente berrou um ''chegamos'' enquanto apontava para um casebre de madeira enfiado no meio de dois outros casebres igualmente deploráveis. Aquele lugar. Aquele lugar havia se tornado o refúgio de muitas pessoas que tiveram suas casas tomadas. Um verdadeiro amontoado de cabanas onde ratos vagavam livremente e a miséria extrema imperava. Assim que adentraram o recinto, o menino foi verificar se sua irmãzinha Liana ainda estava respirando. Graças ao curandeiro da cidade, que havia fornecido o tratamento necessário, ela teve uma segunda chance. No entanto era visível o quão debilitada ainda estava.
- Minha irmã foi picada por uma serpente enquanto tentávamos fugir da cidade. - revelou o menino, observando Eirene ser deitada cuidadosamente no velho colchão. Ela estava de olhos fechados. Provavelmente havia adormecido ou desmaiado durante o trajeto. Ninguém sabia dizer ao certo. O homem voltou-se para ele. - mas um soldado de Ágoston tirou o veneno de seu sangue! Um...soldado!
O estranho cruzou os braços à altura do peito.
- E você ainda diz que todos os soldados são pessoas ruins.
- É...talvez nem todos! - Klaus sorriu.
O rapaz despediu-se de modo seco. Mas, antes que pudesse sair pela porta, o garotinho perguntou:
- Como te chamas?
- Keidan. - foi a resposta.
- Muito prazer, Keidan! - estendeu a mão. O estranho pareceu um pouco hesitante. Então retribuiu. - Eu sou o Klaus! Ahh, eu não tenho nenhum amigo nesta cidade! Sinto-me um pouco sozinho às vezes, sabe? Queres ser o meu amigo?
O outro não respondeu de imediato. Parecia formular a resposta em segredo. O quão necessitado de amigos o menino estava? Para fazer tal pergunta à alguém claramente muito mais velho que ele?
- Sinto muito, garotinho. Mas, eu não sou o tipo de pessoa para se ter amizade.
Klaus nada entendera. E sem resposta ele ficou, pois o estranho chamado Keidan abandonou a cabana rapidamente, deixando-o sozinho com as irmãs e com o coração um pouquinho - só um pouquinho-, partido.
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Eirene despertou assim que os primeiros fracos raios de sol adentraram as frestas do casebre. Ao lado dela, no outro colchão disposto no chão, estava Klaus. Ajudando sua irmãzinha Liana a beber um copo de água. Ao ver a pequena de longas tranças negras reagindo bem depois de quase uma semana debilitada, um sorriso nasceu nos lábios pálidos de Eirene. A mais velha por um momento se esqueceu das dores que sentia em todo o corpo. Por conta das agressões sofrida pelos soldados. Por um momento toda a dor física e psicológica despareceu ao ver sua irmã bem.
- Eirene! - exclamou Klaus de repente, ao vê-la totalmente desperta. - eu vi ele outra vez! Aqui em Celborbun!
- Ele quem?
- O homem que tem cara de mau! Mas que não é!
Eirene bufou, passando lentamente a mão pelos cabelos negros desgrenhados. Não queria pensar naquilo.
- Keidan é um soldado e ninguém me fará mudar de opinião! - bradou o garotinho. Ela revirou os olhos. Não queria falar sobre aquele assunto. Sobre os soldados. Nem lembrar o quão ridicularizada e exposta foi na frente de todos.
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- Trabalhem, seus imprestáveis! - berrou o ruivo Tonlul, batendo o chicote de couro contra o chão. Os três soldados que o acompanhavam, entre eles o loiro que havia agredido Eirene, faziam a costumeira ronda pelo enorme campo de garimpo. Centenas de homens, mulheres, jovens e crianças em busca de ouro. O mais deprimente, é que nunca, ninguém nunca descobriu o quão rica eram aquelas terras.
Até a expansão do império de Ágoston sobre os Quatro Reinos.
Quando o Príncipe Reihed foi escolhido para herdar o trono da Evoria, a esperança nasceu no coração daquela gente que há infindáveis eras sofria com as negligências do antigo monarca: Ovilir. Reihed, seu filho, era justo, bondoso, e um estrategista de guerra nato. Homens. Mulheres. Jovens. Todos o amavam.
O problema, é que, quando ele nasceu, veio ao mundo também seu irmão gêmeo, Ágoston. Que era justamente o oposto.
Bom. Apesar dos apesares, os dois irmãos se davam bem e sempre procuravam ajudar um ao outro.
Um dia antes da coroação, Reihed, o herdeiro, foi encontrado morto na sala do trono. Com um punhal enterrado no coração. O mistério então perdurou entre a gente da Evoria e pelos Quatro Reinos; quem teria matado o futuro Rei? Sem respostas, então, a conclusão fora de que Reihed havia tirado a própria vida. Era a única explicação.
Sem um outro herdeiro para a Evoria, Ágoston foi coroado.
Iniciando-se assim, então, a era mais sombria e sangrenta de todas.
- Eu não disse para trabalhar? - gritou Tonlul. Parado na frente de um sujeito cujas pernas fraquejavam. - Cave, maldito!
- Perdão! - berrou o pobre coitado, com as costas ardendo devido à chicotada recebida pelo outro. - eu não comi nada nos últimos dias! Por tal motivo estou fraco! Me perdoe mesmo!
- Deixe que eu resolvo o teu problema! - o ruivo então abaixou-se, pegou um punhado de terra e enfiou brutalmente na boca do homem. - ainda continua com fome?
Ao longe, Eirene e Klaus abaixaram a cabeça. O sol brilhava quente e forte no céu límpido. Era verão. A pior época de todas. Pelo menos para a moça, que detestava o suor molhando suas extremidades e deixando os cabelos grudados na testa.
Klaus, batendo preguiçosamente a pá contra a terra fofa, soltou um grunhido carregado de insatisfação.
- Estou com fome! - falou, fazendo Eirene se lembrar de que seu estômago também estava vazio. Haviam comido um pão pela manhã apenas. - E cansado! Com fome e cansado!
A jovem levou o dedo indicador à altura dos lábios e soltou um ''shihhh'' assim que percebeu a aproximação de dois soldados.
- Podem fazer melhor que isto. - disse o homem de pele bronzeada e longos cabelos escuros, que desciam até a altura dos cotovelos sem onda alguma. Ao vê-lo, uma expressão contente formou-se no rosto de Klaus. Mas o brilho logo desapareceu assim que o menino percebeu as vestimentas do recém-chegado; uma armadura negra. Debaixo do braço dele, estava o elmo igualmente negro, de onde dois chifres também negros despontavam revelando a qual classe ele servia.
Vestimentas de um soldado de Ágoston.
- Você...você é um soldado mesmo! Eu não disse, Eirene? - Falou o garotinho com uma ponta de indignação nascendo no peito. - Em pensar que eu queria ser teu amigo!
O soldado de cabelos loiros e lisos, ao lado do companheiro, abriu um sorriso carregado de escárnio.
- Conheces essa gente, Keidan? - indagou. O rapaz chamado Keidan ignorou-o.
- Temos prazo e queremos o ouro antes do sol partir. - os olhos do moreno pousaram em Eirene, que o encarava sem disfarçar o desprezo.
- Não precisa dizer o óbvio. - ralhou ela. Keidan cruzou os braços. - fazemos esta maldita função todo dia.
O loiro tirou o chicote da cintura e golpeou-a no rosto. O silêncio reinou. Klaus, ficou vermelho de raiva. Eirene , em nenhum momento desviou o olhar. Mesmo com as lágrimas se acumulando ao entorno de seus olhos. Mesmo com o fio de sangue descendo pela bochecha avermelhada, onde um pequeno corte fora feito. Os olhos escuros de Keidan a encaravam sem expressão alguma.
- Lição de sobrevivência. - o loiro agarrou-a pelo pescoço e apertou. - Nunca, nem em teus sonhos mais loucos, ouse levantar a voz para um soldado de Ágoston outra vez.
E empurrou-a. Caída, envergonhada e transbordando ódio, Eirene viu o seu agressor se afastar. Apenas Keidan permaneceu ali. Os olhos femininos prenderam-se nele.
- Uma rebelde sem causa. - riu. A jovem pensou em respondê-lo. No entanto, antes que pudesse formular uma boa resposta, ele também se afastou, desaparecendo pouco depois em meio aos escravos de Celborbun.

Bình Luận Sách (2118)

  • avatar
    Robert Dos Santos Silva

    esse livro é muito bom

    03/01

      0
  • avatar
    GuimarãesDaiane

    uma bosta gostei muito

    08/03/2025

      0
  • avatar
    Soares MorenoIsabella

    muito bom

    18/02/2025

      0
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