O castelo de Winter tava naquela pegada de filme de mistério saca. Uma névoa braba que não deixava ver nem um palmo na frente do nariz. Aurora sempre curtiu esse clima, achava mó paz, como se o mundo desse uma segurada no fôlego só pra ela relaxar. Mas naquele dia a fita tava diferente. Ela tava numa agitação que nem sabia explicar, um frio na barriga que parecia choque elétrico, saca? Meio que doía, mas era bom pra caramba. Ela colou lá no pátio, onde o vento tava fazendo a neve rodopiar igualzinho a pétala de flor voando, só que gelado de doer. Ela deu aquela apertada no manto pra não congelar e ficou olhando pro nada, mas a mente dela? Vixe, tava longe. Tava nele. No Jacob, o tal mago. — Pô, o jeito que esse cara me olha me quebra toda... — ela pensou alto, soltando aquele suspiro de quem tá apaixonada até o talo. Lá no alto da muralha, o Jacob tava na mesma vibe. O moleque tava encostado nas pedra, olhando pro brancão lá fora, mas o pensamento tava na Aurora. O vento tava um gelo só no rosto dele, mas por dentro o cara tava pegando fogo. Era um calor que não tinha feitiço que explicasse, nem livro de magia que desse conta. — Que doideira isso, mano. Meu coração parece que vai sair pela boca só de pensar nela... — ele resmungou sozinho, dando um soco de leve na pedra. Já fazia umas semanas que os dois tavam nessa enrolação. Era aquela troca de olhares que durava mais do que devia, umas palavra que saía meio gaguejada e uns sorrisos que eles tentavam segurar, mas não dava. O Jacob tava morrendo de medo dessa fita, mas a Aurora queria mais era que o bicho pegasse logo. E os dois fingindo que não tava rolando nada, né? Aquela velha história. Aurora resolveu dar um rolê nos estábulos. Lá o cheiro de feno e madeira dava uma acalmada nela, trazia umas lembranças boas da mãe dela e tal. Era o lugar dela pra ficar de boa. Os cavalos tavam lá, tudo reclamando do frio, dando uns relinchos baixinhos. — Princesa Aurora? — soltou uma voz lá atrás. Vixe, o coração da mina deu um salto que quase parou na garganta. Ela conhecia aquele timbre de longe. Virou devagar e deu de cara com o Jacob. O maluco tava meio ofegante, parecia que tinha vindo correndo lá da outra ponta do castelo. — Jacob! Caramba, que susto, garoto! — ela disse, tentando não dar muita pala, mas o sorriso já tava entregando tudo. — Foi mal chegar assim, na moral — ele disse, dando aquela coçada na nuca, mó sem jeito. — Teu irmão falou que tu tinha descido e eu... sei lá, só queria ver se você tava suave. Aurora deu aquela virada de lado pra ele não ver que ela tava ficando vermelha. — Tô sim, relaxa — ela falou, com a voz toda mansa. — Só acordei com a cabeça a mil por hora. Pensando em mil fita ao mesmo tempo, sabe como é, né? Jacob chegou mais perto. Só um passinho de nada, mas parece que o clima ali em volta esquentou uns dez graus na hora. — Se quiser... pode mandar o papo — ele soltou. — Eu sei que eu sou meio pancada da cabeça às vezes, não sou o cara mais equilibrado desse castelo, mas eu sei ouvir bem, se precisar desabafar. Aurora soltou uma risadinha. O cara tinha essa mania de se botar pra baixo só pra ela se sentir por cima. Mó fofo, mas ela queria que ele se valorizasse mais. Ela virou de frente pra ele, olhando bem no fundo dos olhos dele. A luz da neve tava batendo ali e o bagulho parecia prata pura, coisa de louco mesmo. — Eu tenho pensado muito em você, Jacob. De verdade. O moleque travou. Ficou igual uma estátua. A respiração dele até deu uma segurada. Dava pra sentir o medo dele vibrando no ar, igual corda de violão. — Pensado... em mim? — ele repetiu, achando que era pegadinha ou que tinha ouvido errado. — É, ué. Em você — ela mandou a real, sem rodeios. — No quanto você mudou desde que colou aqui no castelo. No jeito que você tenta esconder o que sente, como se fosse um crime. E em como você mete o pé toda vez que fica com medinho. Jacob abaixou a cabeça, sentindo o golpe. A verdade dói, né? — Eu não manjo nada dessas coisas, Aurora — ele confessou, com a voz meio trêmula. — Às vezes eu acho que sou tipo uma maldição, sabe? Que tudo que eu encosto eu acabo estragando ou machucando. A Aurora não aguentou e chegou junto. Deu dois passos e ficou ali, na cara dele. O ar entre os dois tava parecendo que ia sair faísca a qualquer momento. — Você não me machuca, seu bobo — ela sussurrou, bem baixinho. Jacob levantou o olhar devagarzinho. Ali, naquele momento, parecia que o mundo tinha ficado no mudo. Não se ouvia mais nada. Aurora esticou a mão. Não pra pegar a mão dele, mas pra fazer um carinho na bochecha dele com a ponta dos dedos. Foi um toque tão leve, mas pro Jacob foi como se tivesse caído um raio. Ele fechou os olhos na hora, aproveitando o calor da mão dela. Era algo que ele nunca tinha sentido, mas que tava precisando faz tempo. — Você me dá um medo danado — ele admitiu, quase num sopro. — Porque perto de você... eu sinto coisa demais. É muita informação pro meu coração. Aurora deu um sorriso meio triste, mas cheio de carinho. — E eu sinto coisa pra caramba quando você foge de mim, Jacob. Pensa nisso. O mago abriu os olhos. Pela primeira vez na vida, o cara não recuou ficou ali firme Eu não quero fugir hoje. Cansei dessa correria ele disse determinado Aquelas palavras pesaram no ambiente, mudando tudo entre eles, Aurora respirou fundo, parecendo que tinha tirado um peso de uma tonelada das costas — Então fica. Só fica — ela pediu. Sem joguinho, sem máscara, só o sentimento puro. Jacob deu o último passo que faltava. Agora eles tavam colados, um sentindo o calor do outro, ombro com ombro. Não precisava de mais nenhuma palavra. O silêncio tomou conta, mas era aquele silêncio que diz tudo, saca? Quando os corações já se entenderam e a boca não tem mais o que explicar. Ali no estábulo, no meio daquele frio todo do inverno, a Aurora e o Jacob ficaram de boa por um tempão. Só respirando o mesmo ar, curtindo a presença um do outro e deixando o que eles sentiam crescer sem ninguém pra atrapalhar. Foi o capítulo onde, na teoria, não aconteceu nenhuma treta ou beijo cinematográfico. Mas na real? Foi onde tudo começou de verdade. Porque às vezes o amor não precisa de um beijão de novela ou de um cavaleiro chegando num cavalo branco fazendo mó barulho... O amor nasce assim: No silêncio que finalmente ninguém quer que acabe. — É, acho que agora a gente se entende, né? — o Jacob pensou, dando um sorrisinho de lado enquanto olhava pra Aurora. — Com certeza, seu mago bobo — ela pensou de volta, como se pudesse ler a mente dele, encostando a cabeça no ombro dele. O dia tava só começando e o frio lá fora não importava mais nada. O que importava era que, ali dentro, o gelo entre os dois finalmente tinha derretido de vez e não tinha volta. O destino tava traçado e o resto era só história pra contar. E o Jacob, que sempre achou que a magia tava nos livros, descobriu que a magia mais forte de todas tava ali, naquela paz de estar com quem ele gostava sem precisar dizer nem "oi". — A gente vai ficar bem, né? — ele perguntou baixinho, só pra quebrar o gelo de vez. — A gente já tá bem, Jacob. Só relaxa e aproveita o momento, que hoje ninguém tira nossa paz — ela respondeu, fechando os olhos e sentindo o cheiro dele.
Salamat
Suportahan ang may-akda na magdala sa iyo ng mga magagandang kwento
muito bom amei 😮💨
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