O ano estava acabando, considerando que o ano letivo havia começado depois do meu aniversário, ha quase um ano atrás, que foi quando as coisas se acalmaram. Eu estava satisfeita. Minha vida estava indo no rumo certo e logo eu me formaria, me tornaria uma guardiã completa e viajaria pelo mundo com meu namorado perfeito. Desde que tudo aconteceu, fizemos vários planos para quando nos formássemos e o principal é que iríamos rodar o mundo inteiro juntos, sem preocupações, sem vilões sanguinários querendo nos matar e tendo que voltar de tempos em tempos para fazer meu papel de guardiã (essa era uma das minhas condições, pois eu sabia quem eu era é que tinha que proteger os vampiros). Nunca mais houve qualquer ameaça de Vladmir ou de qualquer outro parente dele, assim como, infelizmente, também não senti mais a Srt. Simony. O fato é que eu estava mesmo precisando de um pouco de sossego. Nada de ameaças, nada de perigo, nada de mortes e nada de batalhas. Bom, em parte. - Atras de você, Rosy. - ouvi de longe a voz de Daniel e quando olhei, Joe já estava quase em cima de mim, levei um segundo para pensar no que fazer e me abaixei rapidamente. Joe tropeçou em mim e caiu. - Droga. - ouvi ele resmungar do chão e comecei a rir. - Você está bem? - perguntei a ele e o ajudei a levantar. - Isso se chama trapaça. - disse Joe, terminando de ficar em pé. - Errado - Daniel apareceu de repente do meu lado - Isso se chama salvar a namorada. Continuei rindo enquanto o treinador Reynalds chegava perto de nós. Marcos Reynalds entrou na escola a mais ou menos um ano, ele se tornou mais que apenas um professor de defesa vampírica, se tornou um cúmplice das nossas fugas da escola durante a noite. Ele era bem alto, moreno e forte. Quem não o conhecia direito fugia de medo dele. Inclusive quase fiz isso quando o vi pela primeira vez. - Daniel, - disse o treinador ao parar ao lado de Joe - Você tem que parar com essa mania de salvar a Rosy, ela precisa testar os sensores de movimento dela. Sozinha. - Desculpe. - disse Daniel - É instinto. - ele olhou para mim de canto de olho e sorriu, lançando-me uma piscadela. - E você - ele olhou para mim - Estava muito distraída. - Enfim para Joe - Joe, seja mais rápido e ágil. Pausa pra descanso. - ele gritou para toda a arena. Todos os alunos que estavam presentes na arena deitaram no chão, suspirando, cansados. - Preciso de sangue. - disse Joe ao se encaminhar para a saída da arena, Daniel e eu o seguimos Depois da sala de alimentação me despedi dos meninos e segui para meu quarto. As coisas estavam em paz e era reconfortante saber que o mundo dos vampiros não iria entrar em desequilíbrio tão cedo. Pelo menos era o que eu esperava. Depois que a ameaça de Karla se fora, a escola, os alunos, meus amigos e eu estávamos completamente em paz e eu esperava que ficasse assim por um bom tempo, afinal precisávamos daqueles momentos depois de tudo o que passamos e as maldades que enfrentamos. Assim que cheguei no quarto encontrei uma carta debaixo da porta. O remetente era Andrew. Soltei um suspiro triste. Eu estava com muita saudade dele e tudo que ele fazia era mandar cartas todos os meses ao invés de me visitar, eu trocaria todas aquelas cartas só para poder olhar para ele de novo e ter a certeza de que está realmente bem. Ele estava viajando por todos os lugares, cada mês em um local diferente, realizando o sonho de conhecer o mundo. A parte ruim era que eu nunca podia responder suas cartas, pois eu nunca sabia qual seria seu próximo destino. Celular que é bom, ele se recusava a ter por achar que a tecnologia não é importante em sua zona de conforto. Aquilo me irritava, pois seria um perfeito facilitador de contato, principalmente por que eu queria muito falar com ele, manter ele por perto. No fundo eu sabia que era egoísmo, sabia que mantê-lo por perto, sabendo o que ele sente por mim seria tortura-lo, mas ainda assim, eu o queria por perto. Sentei na cama e abri o envelope. " Março. Olá, minha bela Rosalie Adoraria dizer que chegarei a tempo para seu aniversário, mas estaria mentindo e tudo que eu não quero é enganá-la, também adoraria dizer que estou namorando e que já não gosto de você como antes, mas a distância só aumenta o que eu sinto, tanto saudade quanto paixão, peço que não conte essa parte ao Daniel, creio que ele me mataria antes mesmo de eu chegar aos portões da escola e quero poder vê-la nem que seja mais uma vez nesta vida e isso não seria possível se seu namorado perfeito me matasse, não se engane, ainda acho ele uma ótima pessoa, mas preferia você comigo. Bom, o fato é que ainda continuo conhecendo o mundo e a boa notícia é que posso chegar no seu quarto a qualquer momento. Estou fazendo de tudo para chegar aí antes do seu aniversário, mas com toda essa burocracia de visto e horários de aviões está sendo um pouco complicado, eu sei que deveria ser mais organizado e preparado, pensar mais no futuro, mas para minha defesa, digo que não tive tempo. Oh! Rosalie, você precisa conhecer Veneza, é tão incrível. Há um lago perto do apartamento em que fico onde, ao entardecer, a água fica num tom de verde e no momento em que o sol reflete, o lago fica com o brilho dos seus olhos. Só de lembrar dos seus olhos no dia da nossa despedida, fico com vontade de largar tudo aqui só para voltar aos seus braços, mas sei que nada será como eu quero, pois você já tem Daniel, só que isso não me impede de sonhar. Esta carta está ficando longa demais, enfim, só quero que saiba que estou bem, o dinheiro que meus pais deixaram para mim está dando para viver nos lugares onde vou e que estou com muitas saudades de todo mundo. Diga que mandei um abraço a Daniel e que em breve estarei com vocês novamente. Só espero que seja logo. Mais uma coisa, estou realmente considerando a ideia de ter um celular, ouvir sua voz realmente seria um conforto. Tá vendo? Sou um poço de boas notícias. Um beijo. Com amor, Andrew." Eu ri ao dobrar a carta e colocá-la na gaveta da mesinha ao lado da cama. Alguém bateu na porta e gritei um "pode entrar". Era Daniel. - Qual o motivo de tanta felicidade? - ele perguntou com uma despreocupação fingida que eu conhecia bem. - Andrew me escreveu de novo. - respondi ao me dar conta de que estava sorrindo demais. - E o que ele conta de bom? - perguntou Daniel ao chegar perto de mim, avançando lentamente para a gaveta, logo entendi o que ele ia fazer e me joguei em cima dele - Dando em cima da minha namorada de novo? - Ele disse que está bem. - dei um beijo em Daniel - Mandou um abraço pra você e disse que logo estaria de volta pra gente. - Isso é realmente reconfortante. Eu ri. Mesmo com a rivalidade dos dois, eu acreditava que poderia surgir uma boa amizade em que meu namorado não desejaria matar meu amigo. - Não seja ciumento. - eu disse - Sabe que só quero você. - Eu sei. - então ele me beijou de novo, urgente, como se estivesse perto de me perder e aquilo me assustou, pois veio uma sensação estranha de que algo pudesse estar prestes a acontecer, como se a nossa paz estivesse por um fio, mas logo joguei os pensamentos para longe e me concentrei naquele beijo que se tornou doce e calmo, paciente, leve. Ele sabia como me deixar querendo mais. Alguém bateu na porta e fui abrir. Era Milly. - Desculpem se interrompi algo. - disse ela ao notar Daniel comigo. - É que chegou isso para você, Rosy. Ela segurava uma caixa pequena e comprida, totalmente azul claro. - É de Andrew? - perguntei. - Se aquele cara mandou alguma pulseira de ouro ou algo parecido pra você, é bom ele nem aparecer mais por aqui. - disse Daniel com falso tom de fúria. Eu ri. - Não tem remetente. - respondeu Milly. - Encontraram nos portões da escola e levaram para minha tia e ela pediu que entregasse a você. Mesmo achando estranho, peguei a pequena caixa e a abri. Eu não poderia ficar mais surpresa. - Uma seringa? - perguntou Daniel - Quem te daria uma seringa? - Não sei, mas é estranho. - respondi, analisando-a atentamente, continha um líquido transparente, estava pronta para ser aplicada. - Jogue isso fora, Rosy. - disse Milly. - Deve ser uma brincadeira de mau gosto de algum desocupado. - O que será que é isso? - perguntei, mais para mim mesma do que para qualquer um deles. - Milly deve estar certa. - disse Daniel. - No mínimo é só água. A pergunta é: Quem mandaria isso? Eu estava a ponto de andar até a lixeira, mas me contive quando Joe apareceu na porta, que estava aberta, e disse que o professor queria todo mundo na arena novamente. - Depois me livro disso. - eu disse e coloquei a seringa em cima da caixa e os deixei na mesa ao lado da cama. Eu deveria ter prestado atenção em como colocaria a seringa em cima da caixa, apontada para frente, deveria ter jogado ela fora assim que a recebi, deveria nem ter aberto a caixa, mas não fiz isso. E esse foi meu grande erro.
Um livro incrível e prende muito leitura❤️
1d
0ameii a história tá mt legal
5d
0Gostei bastante do romance
6d
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