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5º Capítulo Navio Negreiro

5º Capítulo
Navio Negreiro
Navio negreiro, também conhecido peculiarmente como "navio tumbeiro", pelo fato de que nas travessias pelo atlântico muitos negros não resistiam e tinham a morte como a última saida. Os navios tumbeiro eram navios de carga que era utilizado para fins de transporte de cargas vivas na verdade pessoas escravizadas, especialmente os escravizados africanos, até o duradouro século XIX onde findou a mercatilização de escravos pela Inglaterra, no Brasil e vários países da América Latina continuaram de forma clandestina. Porém a extinção da escravidão foi só no ano de 1888 com a abolição da escravatura porém até a chegada deste ano muitas águas rolaram, muito sofrimento se espalhou, cascatas de lágrimas do povo africano molhou o solo brasileiro por quase três séculos e continua até hoje, ficaram muitas coisas em aberto com a suposta abolição.
Voltando ao assunto, fomos aprisionados no interior da África subsaariana exatamente no sul do Saara, por outros africanos de outras etnias que lucravam com o tráfico Negreiro, as pessoas eram capturadas de forma brutal, eram espancadas, as mulheres estupradas e os que sobreviviam eram trazidos em marcha forçada por longos quilômetros até o litoral do continente, de fato uma longa e estafante caminhada como já disse, muitos eram idosos, deficientes e crianças não aguentaram e morreram de exaustão, os sobreviventes eram comercializados ali mesmo no local sob um sol a pino e impiedoso com os reféns.
Foi muito triste e doloroso tudo que passamos e tudo que assistimos sem poder fazer nada para defendê-los, fomos despojados de nossas vestes e eventuais pequenos objetos e pertences simples que carregavámos conosco e assim ficamos sem roupas, sem esperanças, com fome e de certa forma com medo iríamos sair da África para nunca mais voltar e serimos vendidos aos comerciantes brancos da Europa, aos poucos, pela mata a dentro fomos chegando aos poucos ao desconhecido e assim tão logo embarcaríamos nos navios negreiros mar a dentro numa viagem horrível.
No interior desses navios, todos os escravizados eram colocados direto aos insalubres porões que mais lembrava o inferno, fétido, escuro, sem ar onde todos faziam as suas necessidades fisiológicas e dormiam sobre elas. Era coisa que desconhecia não tinha alegria, só tinha o mal cheiro, a escuridão e o terror, nos porões dos grandes navios da crueldade, todos sem exceção por lá permaneciam unidos e acorrentados em grupos. Cada navio, levava em média quatrocentos escravos amontoados, às vezes até um pouco mais, (esse um pouco mais, era muito mais que mais).
Naquele tempo os mercadores só visavam o lucro, a vida de um negro e de um porco naquela época não tinha o menor diferença (talvez até hoje em pleno século XXI em alguns países do mundo), exceto quando tinha que estar na feira para ser comercializado.
O mau-cheiro!
Era terrível, talvez de tanto você ficar ali naquela atmosfera, chega um momento em que o seu olfato acostuma com com o cheiro (igual a quem trabalha em peixaria, avícola, com cavalos, porcos) foi um dos momentos mais insalubres e cruéis que eu vivi, ali aquele odor impregnava e imperava de tal forma que de tantos dias até semanas sentindo aquele fedor o mal cheiro não incomodava mais e não fazia nenhuma diferença.
Infelizmente não tínhamos opções de nada, afinal éramos "coisas, mercadorias, até o nome de peça nos foi dado" pelos colonizadores.
Sem contar que naquele espaço escasso era pequeno demais para movimentação dos passageiros que além de a maioria ter o porte avantajado ainda estavam acorrentados. Era uma crueldade medonha.
Embora os navios deste tipo e porte fossem geralmente grandes, se otimizava o espaço para que coubesse o maior número possível de negros escravizados. Na verdade eram espaços quebrados de cantoneiras que não tinha como acomodar um ser humano de forma normal "nem vou ousar em falar confortável", com lágrimas nos olhos eu HO'pretuLù Mpandè confesso que mesmo depois da minha morte tudo isso vai estar aqui comigo como uma dor eterna.
Cada trecho que navegavamos, ficava nítido que o mundo era cercado por tantas almas sebosas, e muito diabólicas, de gente ruim com tanta maldade que é até difícil mensurar, particularmente eu conheci muita gente branca de bom coração, com empatia, principalmente algumas sinhás que choravam escondidas quando muitas vezes éramos açoitados sem ter feito nada errado pelo simples prazer em ver a dor da humilhação.
Essas pessoas pareciam que tinha uma forte ligação espiritual de outras vidas aos poucos fui aprendendo a ler e a escrever sem o conhecimento do Sinhô que foi o divisor de águas em minha vida.
Quando peguei firmeza em ler e escrever a minha autoconfiança melhorou e no decorrer dos tempos a escrita foi um Elo da corrente que se abriu para mim. A cultura é a raíz da liberdade, é basicamente a luz na escuridão!
(mas voltemos ao diário dos dias no porão dos navio)...
Continua...

หนังสือแสดงความคิดเห็น (2012)

  • avatar
    De jesusAgilson

    muito bom

    23/04

      0
  • avatar
    Pvdd Lisboa

    amei

    10/04

      0
  • avatar
    AlmeidaDaniel

    maravilhosooo

    19/02

      0
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