หน้าแรก/O DIÁRIO DE HO'PRETULÙ MPANDÈ /O GUERREIRO ZULU/
3º Capítulo
A Infância de HO'pretuLù Mpandè
3º Capítulo A Infância de HO'pretuLù Mpandè Malditos colonizadores, maldita colonização e maldita Diáspora! Meu nome é HO'pretuLù Mpandè, sou filho legítimo e descendente dos guerreiros, arqueiros e lanceiros Zulus... pertenço à 4ª dinastia do reinado: do King-Mpandè da Aldeia "Leeus Krag" (A Força dos Leões). *A origem da palavra Zulu é proveniente do quicongo Zulu, que significa "Céu", designa o povo banto da África do Sul. Fundado por Shaka Zulu, líder do povo zulu, consolidou-se no poder e formou um império que, em pouco tempo, foi a maior potência militar negra do continente africano. Dingane Dingane ka Senzangakhona Mpande Mpandè kaSenzangakhona King-Mpandè Cetshwayo Cetshwayo kaMpande Nós Zulus ou Zulos somos um povo do sul da África, guerreiros, fortes e unidos, vivemos em territórios correspondentes à África do Sul em Lesoto, Essuatíni, Zimbábue e Moçambique. Foi nesse quintal tribal no século XlX que eu nasci e cresci aprendendo a caçar e a guerrear para proteger o nosso povo, as nossas riquezas e os oprimidos! Até que em determinado momento ainda na minha tenra infância os homens rudes e maus, estranhos de pele branca chegaram, eram os colonizadores que invadiram as nossas terras e tribos matando, exacrando tirando a vida de muita gente, fazendo-nos prisioneiros produzindo grande número de baixas dado a eficiência dos armamentos bélicos, das armas de fogo e o espírito sangrento daqueles brancos que não queriam brincadeira. Teve luta e muita resistência, mesmo com armas artesanais fomos impecáveis, infelizmente fomos rendidos, todos amordaçados, acorrentados e sem saber o que aconteceria com cada um dos nossos velhos, mulheres e as crianças. *Um Guerreiro Zulu não se rende facilmente porque a morte de um guerreiro significa a honra da libertação. Na tradição, nossos espíritos guerreiros lutam conosco em proteção ao nosso povo, um guerreiro Zulu se assemelha a um kamikaze, dessa forma seu sangue significa a dignidade, a hombridade e o sacrifício em proteção ao King Mpandè, fidelidade resume tudo isso! Espalhados pelo restante do continente, o número de zulus chega a 400 mil. As mulheres cultivam a terra e as crianças são pastores. Os zulus moram em choças em formas de cúpulas, sem janelas e facilmente desmontáveis. Quando morrem são enterrados sentados, com os olhos voltados para a sua cabana. Mesmo com pouca idade, não ficou difícil de entender que seríamos escravos, já estávamos todos dominados pela incapacidade de medir forças após os nossos guerreiros terem sido abatidos e sendo assim fomos conduzidos às embarcações dos invasores, depois de andarmos acorrentados por horas e horas mata adentro. Dava para ouvir o barulho das ondas do mar e suas rebentações, quando chegamos na planície, para a nossa profunda tristeza avistamos dois navios ancorados aguardando para serem abastecidos com as cargas vivas, no caso nós os passageiros "negreiros". Para uma viagem sem volta e à mercê da vida e da sorte de todas as espécies. . Sem saber, passaríamos pelos piores horrores da história do mundo, por imensuráveis humilhações que a "história antropológica" se encarregará de contar para a humanidade, onde também a saudade da nossa origem será quase um abstrato mas nas mentes de cada guerreiro Zulu, de pessoas que estavam naquelas condições . O instinto de liberdade jamais dará o lugar para o acovardamento e muito menos para o lamento. Mas era fato que não voltaríamos mais para a nossa casa, para a nossa África. Quando chegamos aqui no Brasil, já existia uma população do continente africano nas condições de escravizados, tinha pessoas que como eu, vieram de lá crianças, muitos nasceram aqui e muitos já tinham netos e bisnetos. Com árvores genealógicas construídas aqui e ao mesmo tempo destruídas pelos amos e senhores brancos. Até hoje eu HO'pretuLù Mpandè, falo com a maior convicção do mundo: "É muito duro ser Negro, num lugar que não é nosso", longe do nosso lar, da nossa essência e o pior: Sendo tratados pior do que os animais!" Após 5 horas caminhando sob o sol à pino vários pretos idosos não aguentaram e muitos que não morrem pela fadiga, morreram pelos açoites, sem direito a qualquer palavra e esboçar o cansaço físico, era só coerção e extrema coação na base da violência. O tráfico negreiro foi uma atividade que foi realizada entre os séculos XV ao XIX. Os prisioneiros africanos eram comprados nas regiões litorâneas da África para serem escravizados no continente europeu e no continente americano. Essa imigração forçada resultou na chegada de milhões de cativos africanos ao Brasil e eu HO'pretuLù Mpandè estava entre eles. O tráfico passou a ser proibido em terras brasileiras somente em 1850, por meio da Lei Eusébio de Queirós mas até aí nenhum de nós tínhamos perspectiva de retorno à nossa nação, não sabíamos se nossas famílias realmente estava na África ou estavam escravizados pela Europa ou aqui mesmo no Brasil. Ali, ainda em solo Africano nossos algozes deram uma pequena amostra de suas ruindades e todos sentimos na pele como seria nossas vidas a partir daquele momento. Era mulheres sendo estupradas, filhos sendo arrancados dos pais, pais sendo assassinados (fuzilados a queima roupa), forca e todos os tipos de perversidade quem ousasse a não obedecer, o zumbido do chicote ao ferir as nossas peles impunha o respeito. Lembro que eram aproximadamente uns 2000 africanos só naquele dia, de diversos lugares, regiões e etnia, muitos dialetos diferentes, muita tristeza aportada num mesmo espaço. Só aguardando a vez para sobrecarregar o barquinho que nos conduziria até o grande e famoso Navio Negreiro e de lá partir para o nunca mais África. Ali sem saber seríamos vendidos com o nome de peça, mercadoria, um animal ou escravo, viramos moedas de troca num sistema de mercantilização que só restou a nós a exploração e a humilhação. Aos poucos fomos adentrando no navio negreiro, se assemelhava a um ermo galpão com pouca ventilação, nenhuma de higiene onde todos faziam as sua necessidades fisiológicas ali e ali naquele espaço inóspito e insalubre fomos sendo amontoados como se fossemos um monte de lixo. Éramos alimentados muito mal, a pão e água numa quantidade insuficiente, água suja, barrenta mas era o que tinha, que por sinal salvou a vida de muita gente para não morrer de fome e sede. Durante várias décadas e até séculos, o tráfico de escravos com a colônia portuguesa do Brasil foi importante em Angola, Benin, Essuatíni, Luanda, Benguela e Zimbábue. O inadmissível era os pretos como eu viverem da exploração dos nossos irmãos, dizimando tribos inteiras não importando se eram Reis ou Rainhas. Naquele século eu não tinha a menor noção de dia, mês, ano, estava brincando na mata com as outras crianças da tribo. Na santa paz! ***
muito bom
23/04
0amei
10/04
0maravilhosooo
19/02
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