1º CapítuloHO'pretuLù MpandèA Portuguesada “O Mar é um Quintal“....Ano do Descobrimento, 1500Foi pelo mar que eles vieram, cruzaram o Atlântico e chegaram nas Américas, foi pelos mares que eles trouxeram o mercantilização, os negócios, os comércios e juntos os horrores da escravidão… O mar misterioso mar.O mar é um quintal habitado por Deuses que nos alimentam e sustentam,De inspirações, de imaginações, em alguns momentos, de indignações,A lei da natureza predatória nos permite invadir esse quintal com varas e redesE dele extrair insumos para suprir a fome, o sustento de outros seres e de muitos humanos,O mar já foi, é e sempre será a estrada dos navegantesDos desbravadores, dos destemidos (se tinham medo, tinham que fingir que eram bravos) dos corsários imbatíveis.Nos temporais, nas maresias, nas correntezas e nas calmarias não diferente de hoje,Subiam e desciam alturas incalculáveis com suas frágeis embarcações,Para a natureza não existe forte!As gigantes caravelas viravam brinquedos quando o desafio era selado num básico duelo com as águas salgadas,Sair da terra firme com uma carta marítima, uma bússola, suprimentos, um pouco de ilusão, e um punhado de esperança sem data de retorno,Para um lugar desconhecido e depois de meses abraçados à precariedade, à fadiga e muitos nevoeiros,O medo e a coragem não tinham muita diferença,E não tinha outro adjetivo senão mencionar “Guerreiros & Bravos”,Enfim alguém gritou, terra à vista!Sensação que só quem viveu pode descrever, num misto de alívio com ansiedade pois a “brincadeira” não tinha nem começado.Era muito verde, abundante vegetação e muita disposição para desbravar e abrir caminho na foice e no facão, bandeirantes em ação,Um povoado estranho os recepcionaram de forma sutil,A história conta que foi hostil, pois a estranheza dos visitantes também foi recíproca,Os daqui, com uma vida mais primitiva, era pouca ou nenhuma roupa, armas artesanais, pinturas naturais e um dialeto que depois de algum tempo foi chamado de “O Tupi Guarani“, gastronomia a base de assados, cozidos e ervas, a medicina ficava por conta do Pagé com a sua secular *"Pagelança", até o espírito de equipe e organização tinha com saudáveis e fortes Guerreiros para defender a tribo.Enquanto que os desbravadores lusitanos chegaram com a ideia de posse, moralizar o pedaço, colocar roupas em todos e alfabetizá-los com a língua importada da Europa, nossa atual Língua Portuguesa.Com essa dominação maciça a situação ficou tensa, tentaram escravizar os índios batizando-os como escravos da terra, mas não deu muito certo, houve muito atrito, tumulto com baixas, dominação e apropriação do lugarCom uma grande matança resultado do desacordo…O mar é um quintal aberto, por ele passaram grandes navegantes, a história é longa e não termina assim, cada Pereira, cada Macieira, cada Silva, cada Souza, cada negro, cada índio, cada mistura miscigenada, tem assunto para produzir muitos e muitos livros.Na próxima continuarei contando um pouco como foi o início do processo escravocrata, a história do africano HO'pretuLù Mpandè do século XlX, da colaboração coercitiva do continente africano, dos próprios negros que escravizaram e vendiam negros para os Portugueses e outros europeus, dos navios negreiros abarrotados de negros há meses viajando no porão a pão e água, dos corpos falidos jogados ao mar (os que não resistiram e morriam), dos mercados de compra e venda de negros.E o diário vivido por HO'pretuLù Mpandè, na infeliz e insalubre viagem marítima que durou dias dentro de um porão inóspito num amontoado de pessoas de todas as idades e sexo (negros e bichos naquela época não tinham diferença alguma) que seriam os verdadeiros protagonistas da mais horrenda história chamada escravidão!Vai todo mundo pra Casa do Caralh© 👀 🤭 foi o que falaram dentro do Navio da Portuguesada.Caralh©, uma palavra dúbia com sentidos completamente diferentes e opostos onde no Brasil nos arremete a um palavrão com referência ao órgão sexual masculino. Porém, não é nada disso, vamos à origem do nome Caralh©! Que viaja pelos mares em cima das grandes caravelas há séculos…Vai todo mundo pra casa do Caralh©! 👀🤔😁Ops! Não é nada disso que vocês estão pensando, Caralh© é cultura rsrs 🤭.... Vamos saber um pouco sobre o que é esse Caralh© (Palavra vinda lá da terrinha Portugal 🇵🇹) kkk 🤣 😁 👌🏽Segundo a Academia Portuguesa de Letras, "Caralh©" é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas (navios antigos,usados nos descobrimentos) e de onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra ou de algum navio pirata.O Caralh©, dada a sua situação numa área de muita instabilidade (no alto dos mastros), é onde se manifesta com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco.Também era considerado um lugar de "castigo" para aqueles marinheiros que cometiam alguma infração a bordo.O castigado era enviado para cumprir horas, e até dias inteiros, no Caralho e quando descia, ficava tão enjoado que se mantinha tranqüilo por um bom par de dias.Daí vem a célebre expressão: "Mandar para O Caralh©".Caralh© é a palavra que define toda a gama de sentimentos humanos e todos os estados de ânimo.Quantas vezes, ao apreciar uma coisa que é boa ou que te agrade, não exclamaste: isto... "É do Caralh©"!Se te aborreceres com alguém, vais mandá-lo para o Caralh©, certamente!Se algo não te interessa, não vais querer "Nem Por Um Caralh©".Mas, se esse algo te interessa muito, então vais dizer..."É do Caralh©".Também são muito comuns as expressões:Essa chuteira, "É boa pra Caralh©".Esse cachorro "É do Caralh©".Você mora "longe pra Caralh©".Se um comerciante se sente deprimido pela má situação de seu negócio, logo ele fala a situação está feia pra Caralh¢!É por isso que estou te enviando esta saudação do Caralh©, e se não és do Caralh©, espero que este texto te agrade para Caralh¢.A partir deste momento poderemos dizer Caralh¢, ou mandar alguém para o Caralh¢, com um pouco mais de cultura e autoridade acadêmica.Helder PrimoBy : OPoetz@LuízKon'Z***O caralh©, também conhecido como gávea, era uma plataforma suspensa no alto do mastro de embarcações à vela. Tratava-se do ponto mais alto da nau e servia para avistar o horizonte.Era um lugar instável, exposto ao sol e de ocupação solitária. Chacolejava ao sabor ou intensidade das ondas que abarroavam a embarcação. Sempre que um marujo fugisse à linha era de pronto remetido à casa do caralh© e lá ficava como forma de punição.Atualmente, quando se brada “caralh©” de boca cheia, está a se referir sobre algo de elevada posição. Por outro lado, quando diz para alguém ir para a “casa do caralh©”, pode significar que o mesmo deve ir ao encontro de certa profissional do sex© que também é sua genitora. Tal expressão pode, inclusive, designar lugar ermo, hostiu e de difícil acesso.Agora que tu sabes disso, nada de imagens libidinosas ou puritanas ao ver alguém encher a boca de caralho. Também não vos é dado o direito de propalar que os Flamenguistas são chegados num mastro, por conta da Gávea***…Colorèds O IrmãoTá difícil, tá mal cara, mano, a polícia chega e mete o pau, o nego trabalha, o nego estuda, o nego se esforça e assim mesmo é tratado como inimigo, como um bicho nocivo!Às vezes parece que a Princesa Isabel assinou a abolição à lápis, além do tempo, dos séculos nada mudou. Quando vamos ter o prazer de degustar o sabor da liberdade? ou vamos viver nessa condicional que preconceito revestido de racismo oferta vinte e quatro horas por dia?Tentamos transformar o mundo em paixão, claro sempre com o coração quebrado pelos brados da covardia irreparável a que somos submetidos…Tem horas que o desgaste nos testa mas quando lembramos que passaram por aqui um Luíz Gama, um Rebouças, José do Patrocínio, da banda de lá o um Martin Luther King, um Malcom X, quem somos nós para nos dar o luxo de desistir?Tudo em nós é lindo, até o sofrimento se transforma em samba, rap, lamento onde cada lágrima é um combustível para o alma e o espírito. Que sirva pro nego véio, pro nego novo, pro preto véio, preto novo! onde tem desarranjo não tem paz, quem não olha nos teus olhos, não tem paz, quem desdenha não quer paz, brincadeira tem hora.Não somos de guerra, mas se for preciso não fugimos dela, preto é guerreiro, preto não nasceu para viver acuado, nem para viver fugindo.Mesmo assim chamar todos de irmão ou brother o nego "Colorèds", o faz. Não quer saber se é japonês, alemão, dinamarquês, africano para ele são todos irmãos ou mano.OPoet@LuízKon'Z#contos&poesias@utor
muito bom
23/04
0amei
10/04
0maravilhosooo
19/02
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