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บทที่ 3 Primeiro dia na casa de Apollo

Acordar em uma cama de hotel cinco estrelas quando você deveria estar no seu sofá de segunda mão, com uma mola cutucando as costelas, é uma experiência desorientadora. Abri os olhos e, por um segundo, achei que o teto branco imaculado e o silêncio absoluto eram apenas o resultado de um coma induzido por excesso de café gelado e prazos de entrega.
Mas aí eu me virei. E vi a porta. A porta que eu sabia que estava trancada por fora.
— Bom dia, Maia. Bem-vinda ao primeiro dia do resto da sua vida como garantia bancária humana — resmunguei para o travesseiro.
O Pantone, meu gato, devia estar agora mesmo miando para as paredes do meu apartamento, indignado porque ninguém abriu o sachê de salmão dele. Senti um aperto no peito. O Leo realmente tinha se superado. Ele não só me jogou na cova dos leões, como me trancou lá e jogou a chave no fundo do oceano.
Levantei-me e fui até o closet que eu tinha explorado brevemente na noite anterior. Para minha surpresa (e leve pavor), não eram apenas prateleiras vazias. Havia roupas ali. Muitas roupas. E todas pareciam ter sido escolhidas por alguém que entendia de paleta de cores e tecidos caros. Seda, linho, algodão egípcio. Tudo em tons neutros: bege, preto, branco e um verde-oliva que, admito, ficava muito bem com o meu tom de pele.
— Além de mafioso, ele é personal stylist? — perguntei para o espelho do banheiro. — Que tipo de psicopata sequestra alguém e já tem o guarda-roupa pronto? Isso é planejamento demais, até para um vilão.
Escolhi uma calça de alfaiataria preta e uma blusa de seda branca. Eu precisava manter a pose. Se eu ia ser a "sombra" de um monstro, eu não podia parecer alguém que tinha acabado de sair de uma maratona de séries com um balde de pipoca. Fiz uma maquiagem rápida com o kit que encontrei na bancada — tudo marca de luxo, claro — e encarei meu reflexo. Eu parecia uma designer de sucesso prestes a apresentar um projeto milionário, e não uma refém da máfia. O batom vermelho era minha pintura de guerra.
Ouvi o clique da porta. Um dos seguranças — o que tinha cara de quem mascava pregos no café da manhã — estava parado ali.
— O chefe está esperando no terraço.
— Bom dia para você também, Raio de Sol — respondi, passando por ele. — Espero que o café esteja no ponto, ou eu me recuso a ser uma sombra eficiente.
Ele não respondeu. Eles nunca respondiam. Aqueles caras eram como NPCs de um videogame com defeito: só tinham uma animação e zero linhas de diálogo.
Fui conduzida por corredores que pareciam uma galeria de arte minimalista até um terraço que dava vista para uma piscina infinita e, além dela, uma cidade que parecia minúscula lá embaixo. Apollo estava sentado em uma mesa de ferro batido, lendo o que parecia ser um relatório em um tablet. Ele usava uma camisa polo cinza-chumbo que marcava os ombros — sério, como ele conseguia ser tão largo? — e óculos escuros.
— Você demorou — ele disse, sem tirar os olhos do tablet.
— A perfeição leva tempo, Apollo. E você não me deu um manual de instruções sobre como uma "sombra" deve se vestir. Achei que o estilo 'executiva-que-pode-te-processar' era apropriado.
Puxei a cadeira e me sentei à frente dele. Na mesa, havia uma jarra de prata, frutas que pareciam ter sido esculpidas à mão e um prato de ovos mexidos perfeitos. Mas o que me interessava era a caneca.
— O café — exigi.
Ele finalmente largou o tablet e me olhou por cima dos óculos. O olhar dele era como um scanner, me analisando da ponta do cabelo até o batom. Senti um calor estranho subir pelo meu pescoço, mas mantive o queixo erguido.
— Sirva-se — ele gesticulou para a jarra. — É um blend das montanhas da Etiópia. Achei que uma "viciada em café gelado" apreciaria algo de verdade por uma vez na vida.
— Não fale mal do meu café gelado. Ele é o combustível da economia criativa brasileira.
Servi uma xícara. O cheiro era maravilhoso. Tomei um gole e, por um instante, quase perdoei o sequestro. Quase.
— Então — comecei, após a primeira dose de cafeína estabilizar meu sistema nervoso. — Qual é a agenda do dia para o Monstro e sua Designer de Estimação? Vamos cobrar dívidas? Enterrar corpos no deserto? Ou apenas olhar fixamente para paredes de mármore e parecer intimidadores?
Apollo deu aquele sorriso de lado que eu estava começando a odiar por achar... interessante.
— Hoje você vai ver como os negócios funcionam, Maia. Eu tenho uma reunião em uma das minhas empresas de logística. Você vai ficar ao meu lado. Não vai falar nada. Não vai fazer piadas. E, principalmente, não vai tentar passar mensagens cifradas para ninguém.
— E se eu vir algum erro de tipografia nos documentos da empresa? Eu posso intervir? Porque nada diz "crime organizado de baixa qualidade" como o uso de Comic Sans em um contrato.
Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. A aura de perigo que ele emanava era quase palpável, como uma camada de verniz fosco sobre uma obra de arte tensa.
— Você acha que isso tudo é uma brincadeira, não é? Acha que, porque eu não te machuquei, eu sou um desses heróis de livros que você provavelmente lê.
— Eu não leio livros de romance, "Seu" Apollo. Eu leio manuais de identidade visual e livros sobre a Bauhaus. E eu não acho que isso é uma brincadeira. Eu só escolhi o sarcasmo como mecanismo de defesa porque a outra opção seria chorar em posição fetal e eu não quero borrar o meu rímel de quinhentos reais que você gentilmente providenciou.
Houve um silêncio pesado entre nós. O som do vento lá fora e o tilintar da minha colher na xícara eram as únicas coisas audíveis. Apollo me estudava, e eu sentia que ele estava tentando encontrar uma rachadura na minha armadura de deboche.
— Seu irmão deve muito mais do que dinheiro, Maia — ele disse, a voz subitamente sombria. — Ele comprometeu a logística de uma operação que levou meses para ser montada. O dinheiro é o de menos. É a mensagem que o sumiço dele passa. Se eu deixo um rato como o Leonardo fugir com o que é meu, outros ratos vão achar que podem fazer o mesmo.
— Então eu sou a prova de que o gato ainda tem as garras afiadas? — perguntei, a voz um pouco mais trêmula do que eu gostaria.
— Exatamente. Você é o lembrete público de que eu sempre recebo o que me devem. De uma forma ou de outra.
Ele se levantou, sinalizando que o café da manhã tinha acabado.
— Vamos. O carro está esperando.
O trajeto até a tal "empresa de logística" foi feito em um SUV blindado que parecia um tanque de guerra disfarçado de carro de luxo. Apollo não disse uma palavra durante o caminho. Ele alternava entre o tablet e chamadas curtas e cifradas no celular. "O carregamento chega às 22h", "Dê um aviso, não o mate... ainda", "Aumente a segurança no porto".
Eu olhava pela janela, vendo a cidade passar. Era estranho. O mundo continuava girando. As pessoas iam para o trabalho, compravam pão, reclamavam do trânsito. E eu estava ali, sentada ao lado do homem mais perigoso da cidade, sendo tratada como uma propriedade.
A "empresa" era um galpão imenso e moderno perto da zona portuária. O logotipo na entrada era um "A" estilizado, limpo e imponente. Como designer, tive que admitir que era um bom trabalho de branding. Passava solidez, poder e uma certa frieza.
Assim que descemos do carro, uma fileira de homens em ternos cinzas (os subalternos, imaginei) se curvou levemente. Apollo passou por eles como se fossem parte da mobília. Eu tentei manter o passo, sentindo os olhares curiosos e pesados sobre mim. Eu era a novidade. A peça que não se encaixava no layout.
Entramos em uma sala de reuniões envidraçada que dava vista para o pátio de carregamento. No centro, uma mesa de vidro e cinco homens que pareciam muito, muito nervosos.
— Sentem-se — ordenou Apollo.
Ele puxou a cadeira para mim na cabeceira, ao lado dele. Os homens me olharam, confusos.
— Esta é a Maia — disse Apollo, a voz fria como gelo. — Ela é minha convidada pessoal. Finjam que ela é uma extensão da minha vontade. E comecem o relatório.
A reunião foi uma sucessão de números, rotas marítimas e problemas alfandegários. Eu estava tentando prestar atenção, mas minha mente de designer começou a divagar. Comecei a analisar os gráficos que um dos homens apresentava em uma tela.
— Aquilo é um gráfico de barras? — murmurei, esquecendo a ordem de ficar quieta.
Apollo me lançou um olhar de advertência. Eu fechei a boca, mas não consegui evitar um suspiro quando vi que o gráfico estava usando cores que não tinham contraste nenhum. Vermelho escuro sobre fundo preto? Quem fez aquilo odiava a visão humana.
A reunião durou duas horas. No final, Apollo parecia insatisfeito. Ele não gritou. Ele não bateu na mesa. Ele apenas falou em um tom tão baixo que todos tiveram que se inclinar para ouvir.
— Se o próximo carregamento sofrer um atraso de mais de dez minutos, eu não vou pedir relatórios. Eu vou pedir as chaves das casas de vocês. Estamos entendidos?
Os homens assentiram, pálidos. Apollo se levantou e, para minha surpresa, colocou a mão possessivamente na base das minhas costas para me guiar para fora. O toque era firme, quente e enviava faíscas por toda a minha coluna.
Quando voltamos para o carro, o silêncio era diferente. Estava carregado.
— Você quase abriu a boca para criticar o gráfico de um dos meus diretores financeiros? — ele perguntou, sem me olhar, mas com um traço de diversão na voz.
— A acessibilidade visual é importante, Apollo! Se ele quer que você entenda os prejuízos, ele deveria usar uma paleta de cores complementar. Do jeito que estava, parecia um teste de daltonismo.
Apollo soltou uma risada baixa, uma vibração que eu senti no banco do carro.
— Você é uma criatura curiosa, Maia. Está em uma sala com cinco homens que matariam para ter o que eu tenho, discutindo sobre o futuro de milhões de dólares, e sua maior preocupação é a cor de um gráfico.
— Cada um luta com as armas que tem. As minhas são os vetores e a teoria das cores.
O carro parou em um sinal vermelho. Ele se virou para mim, tirando os óculos escuros. Os olhos dele eram de um castanho tão profundo que pareciam querer me puxar para dentro.
— E quais são as suas cores, Maia? Se eu fosse te desenhar agora, que cores eu usaria?
Engoli em seco. O ar no carro parecia ter acabado de novo.
— Eu sou um Pantone 18–1664 — respondi, tentando manter a voz firme. — Fiery Red. Sou o sinal de alerta que você está ignorando.
Apollo se aproximou, o rosto a centímetros do meu. O cheiro de sândalo e perigo me envolveu completamente.
— Eu nunca ignoro alertas, Maia. Eu só gosto de ver até onde o fogo pode queimar antes de eu decidir apagá-lo.
O sinal abriu. O carro arrancou. E eu percebi, com um terror genuíno, que o meu seguro-fiança não era apenas sobre o dinheiro do meu irmão. Era sobre um jogo de poder onde eu corria o risco de ser devorada — e, o que era pior, eu não tinha certeza se queria fugir.
— Temos mais uma parada — ele disse, voltando à postura fria. — E desta vez, você vai precisar de mais do que batom vermelho para se proteger.
— Aonde vamos? — perguntei, sentindo meu coração acelerar.
— Conhecer a concorrência. E eles não são tão fãs de "branding" quanto eu.

หนังสือแสดงความคิดเห็น (91)

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    MaffieMaria

    Achei linda a história de amor dos dois

    6d

      0
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    Ninja

    isso é maravilhoso!

    6d

      0
  • avatar
    Maria Eduarda

    muito bom msm

    10d

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