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Destino Blindado

Destino Blindado

Náthally Reis


บทที่ 1 Era só o que me faltava: Ser sequestrada antes do café

Sabe aquele dia em que você acorda sentindo que deveria ter apertado a soneca umas cinquenta vezes e voltado a dormir até o próximo século? Pois é. Esse era o meu estado de espírito. Eu sou a Maia, uma designer gráfica que vive à base de café gelado e prazos apertados. Minha vida era um tédio maravilhoso... até que meu irmão, o Leo, resolveu fazer a maior burrada da história da humanidade.
O Leo sempre foi meio "cabeça de vento", mas dessa vez ele se superou. O gênio resolveu pegar dinheiro emprestado com a galera errada. E quando eu digo "galera errada", não estou falando do agiota da esquina que cobra dez por cento. Tô falando da galera que usa terno de grife, dirige SUV blindado e resolve problemas com um estalar de dedos — ou com um "sumiço" estratégico.
Eu estava lá, de boa no meu apê, tentando terminar um logo, quando a porta veio abaixo. Literalmente. Dois armários de dois metros de altura entraram, me pegaram pelo braço como se eu fosse um saco de batatas e me jogaram dentro de um carro preto com cheiro de couro novo e perigo.
Agora, aqui estou eu, sentada num sofá que provavelmente custa mais que o meu rim, esperando o tal do "Chefão".
— Gente, na moral, se for pelo empréstimo do Leo, eu juro que ele é adotado. Eu não tenho nada com isso, juro por Deus!
Um dos seguranças, um homem com cara de poucos amigos, nem piscou.
— Fica na tua, garota. O chefe está chegando.
— O chefe? Ele é o quê? O Rei do Gado? O Don Corleone do Brás? Porque se for para me matar, avisa logo que eu nem posto o story de despedida.
De repente, a porta dupla do escritório se abriu e o ar do ambiente pareceu sumir. Entrou um cara que, vou te falar, se a beleza dele fosse crime — e no caso dele, provavelmente é — ele pegava prisão perpétua. Alto, ombros largos, um olhar que parecia que ia me atravessar e ler até o que comi no café da manhã em 2015. Era o Apollo. O "Monstro", como os fofoqueiros do submundo chamavam.
Ele se sentou na frente da mesa, me encarando com uma calma que me deu até arreio nos dentes.
— Então você é a irmã do Leonardo?
— Infelizmente, no papel, sou sim. Mas se você quiser trocá-lo por um vale-compras ou uma caixa de bombom, a gente pode negociar.
Apollo deu um sorrisinho de lado que não chegou aos olhos. Um sorriso perigoso.
— Seu irmão sumiu com uma grana que não era dele, Maia. E como ele deu no pé, você virou meu seguro-fiança.
— Peraí, "seguro-fiança"? Eu não sou corretora de imóveis não, ô bonitão! Eu tenho conta pra pagar, tenho um gato pra alimentar e minha bússola moral diz que sequestro é meio... sei lá, errado?
Ele se inclinou pra frente, apoiando os cotovelos na mesa de carvalho.
— A partir de hoje, você mora aqui. Até o Leo aparecer ou até eu decidir o que fazer com você.
— Mora aqui? Tipo... num reality show de crime? Tem Wi-Fi, pelo menos? Porque se não tiver 5G, eu entro em greve de fome agora mesmo.
— Você é bem engraçadinha pra quem está na mira da máfia, sabia?
— É rir pra não chorar, né, "Seu Apollo". Mas ó, já vou avisando: eu não lavo cueca de bandido e não sei disparar nem arminha de água. Sou da paz, bicho.
Ele soltou uma risada curta, seca.
— Não preciso que você atire. Preciso que você fique quieta e não tente fugir. Meus homens não são tão pacientes quanto eu.
— Paciente? Você me buscou em casa sem convite!
— Foi um convite... compulsório.
Eu olhei em volta, tentando processar a loucura. O cara era um monstro, todo mundo dizia. Diziam que ele não tinha coração, que resolvia tudo na base do ferro. Mas ali, olhando pra ele, eu só conseguia pensar em como aquele terno caía bem. "Maia, foco! Ele é um criminoso, não um modelo da Vogue!", meu cérebro gritava.
— E se eu me recusar? Tipo, se eu só levantar e sair por aquela porta?
Apollo se levantou, caminhou até mim e parou a centímetros de distância. O perfume dele era uma mistura de madeira e algo que cheirava a poder.
— Você pode tentar. Mas a rua tá cheia de gente pior que eu querendo a cabeça do seu irmão. Aqui, você é minha. Lá fora, você é alvo.
— "Minha"? Credo, que possessivo. A gente nem se beijou ainda.
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente não acostumado com alguém que não tremia na base diante dele.
— Você não tem noção do perigo, né?
— Ah! eu tenho. Mas é que o perigo é bem bonito, então minha noção tá meio borrada agora.
Resmunguei baixinho enquanto ele se afastava.
— No que foi que eu me meti... o Leo me paga. Se eu sair viva dessa, eu mesma mato aquele moleque.
— O que você disse?
— Disse que sua decoração é de muito bom gosto! Esse estilo "vilão de filme" tá super em alta.
Apollo me olhou de cima a baixo, como se eu fosse um quebra-cabeça com as peças faltando.
— Levem ela pro quarto de hóspedes. Tranquem a porta por fora.
— Ei! Trancar por fora é golpe baixo! E o serviço de quarto? Tem café da manhã incluso?
Os seguranças me puxaram, e eu fui arrastando os pés pelo corredor de mármore, tentando manter a pose enquanto meu coração parecia uma bateria de escola de samba. Eu estava no ninho do lobo. E o pior é que o lobo era um gato.
"Pai do céu, me ajuda a não perder o réu primário e nem a minha dignidade", pensei, enquanto a porta do quarto batia atrás de mim com um som bem definitivo.

หนังสือแสดงความคิดเห็น (91)

  • avatar
    MaffieMaria

    Achei linda a história de amor dos dois

    11d

      0
  • avatar
    Ninja

    isso é maravilhoso!

    11d

      0
  • avatar
    Maria Eduarda

    muito bom msm

    15d

      0
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