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บทที่ 5 Fragilidade Sob o Vidro e o Som do Silêncio

A quarta-feira chegou com aquela garoa fininha que deixa São Paulo com cara de filme antigo. Camila estava na sua mesa, mergulhada em croquis, tentando transformar o tecido "Aurora" em algo que não parecesse uma armadura medieval futurista. Ela estava concentrada, com os fones de ouvido no talo ouvindo um trap pesado pra dar um gás, quando percebeu um movimento estranho no corredor da diretoria.
Geralmente, a sala do Mateus era o centro do furacão, com gente entrando e saindo, telefone tocando e ele dando ordens como se fosse um general. Mas hoje? Silêncio total. A secretária dele, a Dona Inês, estava com uma cara de preocupação que não combinava com o café impecável que ela sempre servia.
— Dona Inês, tá tudo bem? O "Doutor Inovação" ainda não chegou pra causar o caos? — Camila perguntou, tirando um dos fones.
— Ele chegou sim, Camila. Mas entrou mudo e saiu calado. Trancou a porta e disse que não quer ver ninguém. Nem os investidores. — A senhora suspirou. — Hoje faz dez anos que ele perdeu a única pessoa que ele considerava família lá no abrigo. Um mentor, sabe?
Camila sentiu um nó na garganta. O "coolguy" inabalável tinha um dia de luto. Ela olhou para a porta de madeira maciça e sentiu que, como assistente direta e "inimiga oficial", ela tinha o dever de fazer alguma coisa. Ou talvez fosse só o "doce amor" começando a falar mais alto que o juízo.
— Deixa comigo, Dona Inês. Vou tentar levar um ar pra ele.
— Cuidado, menina. Ele morde quando tá assim.
Camila ignorou o aviso. Ela passou no café lá embaixo, pegou dois pães na chapa bem caprichados (o puro suco de SP) e um café que não era gourmet, era café de coador mesmo. Bateu na porta do Mateus. Nada. Bateu de novo, mais forte.
— Eu disse que não quero ver ninguém! Vai embora! — A voz dele veio abafada, ríspida, mas com um fundo de cansaço que doía de ouvir.
— É a Camila, Mateus. Ou você abre essa porta ou eu vou começar a cantar sertanejo universitário aqui no corredor até você passar vergonha na frente da empresa toda. — Ela mandou a real, com aquele jeitinho abusado de sempre.
Houve um silêncio de dez segundos que pareceu uma eternidade. Então, o barulho da trava eletrônica. Camila entrou. A sala estava na penumbra. As persianas, que geralmente ficavam abertas pra ele "vigiar o império", estavam fechadas. Mateus estava sentado no chão, encostado na parede de vidro, com a gravata solta e o olhar perdido no horizonte cinza da cidade.
— O que você quer, Camila? Veio rir da minha cara? — Ele nem olhou pra ela.
— Vim trazer comida de verdade. Esse seu café de cápsula tem gosto de plástico e você tá com cara de quem precisa de carboidrato. — Ela sentou no chão do lado dele, sem pedir licença, e estendeu o embrulho do pão na chapa.
Mateus olhou pro pacote de papel pardo, sentindo o cheiro de manteiga derretida.
— Você é muito insistente, sabia?
— É o meu charme. Come logo. — Ela entregou o café pra ele.
Eles ficaram ali, sentados no chão da sala mais cara da empresa, comendo em silêncio por um tempo. O Mateus parecia ter desmontado. Sem a pose de CEO, ele parecia só um cara de trinta e poucos anos tentando carregar o mundo nas costas.
— Ele se chamava Jorge. — Mateus falou de repente, a voz rouca. — Era o zelador do abrigo. Foi o único que percebeu que eu não era um "menino mau" ou um rebelde sem causa. Ele me deu meu primeiro livro de matemática e um kit de desenho velho. Disse que eu tinha mãos de quem ia construir cidades.
Camila parou de comer, ouvindo cada palavra.
— Ele parece ter sido uma pessoa incrível.
— Ele era. Morreu num acidente de construção quando eu tava na faculdade. — Mateus deu um gole longo no café. — Hoje eu construo esses prédios todos, ganho prêmios, compro empresas... e não posso mostrar nada pra ele. Sinto que estou construindo em cima de um vazio.
Camila sentiu uma vontade enorme de segurar a mão dele, mas se conteve. Ela sabia que ele não era do tipo que aceitava pena.
— Sabe, Mateus... — Ela começou, olhando pra luzinha do roteador que piscava no canto da sala. — O vazio só existe se você parar de construir. O Jorge não te deu os livros pra você se sentir culpado pelo sucesso. Ele te deu as ferramentas pra você ser a sua própria família. E olha em volta... você é um gênio, cara. Chato pra caramba, mas um gênio.
Mateus deu uma risadinha fraca, a primeira do dia.
— Chato, é?
— Pra caramba! Mas eu acho que o Jorge estaria orgulhoso de ver que você não virou um robô completo. Que ainda sente falta de quem te estendeu a mão. Isso é a "alma" que você diz que falta nos meus desenhos, lembra?
Ele finalmente virou o rosto pra ela. No escuro da sala, os olhos dele brilhavam de um jeito diferente. Não era desafio, era... vulnerabilidade. O "HatersToLovers" estava dando lugar a uma conexão profunda, o tipo de "soul-iluminado" que a tag da história prometia.
— Você tem esse dom, né? De dizer a coisa certa no momento em que eu mais quero te demitir. — Ele se inclinou um pouco mais na direção dela.
— É um talento natural. — Ela sorriu, e por um momento, a tensão entre os dois não era sobre tecnologia ou moda. Era sobre o espaço mínimo que sobrava entre os seus rostos.
— Camila... obrigado. Por não ter ido embora.
— Eu não sou de fugir de briga, Mateus. E nem de amigo que tá na pior. — Ela disse a palavra "amigo" com um pouco de dúvida, porque sabia que o que estava rolando ali era muito mais que amizade.
O clima ficou denso. A respiração dele estava perto da dela. Ele levantou a mão, hesitou, e então tocou uma mecha do cabelo dela que estava solta.
— Você é a variável que eu não consigo calcular, garota. E isso está me deixando louco.
Antes que qualquer um dos dois pudesse cruzar a linha final, o interfone da sala tocou, quebrando o encanto como um martelo batendo em vidro.
— Senhor Vergueiro? — A voz da Dona Inês soou. — Os advogados da fusão acabaram de chegar. Eles disseram que é urgente.
Mateus fechou os olhos por um segundo, encostando a testa na parede. O "mulher de negócios" e o "CEO" precisavam voltar pra cena. Ele se levantou, ajeitou a camisa e estendeu a mão pra ajudar a Camila a levantar.
— De volta pro jogo? — Ele perguntou, já retomando a postura de autoridade.
— Sempre. — Ela apertou a mão dele, sentindo o calor da palma dele contra a sua. — Mas ó, amanhã eu quero o projeto das jaquetas pronto. Sem desculpas.
— Pode deixar, assistente.
Camila saiu da sala sentindo que tinha ganhado uma batalha interna. Ela tinha visto o que ninguém via. O Mateus não era feito de concreto, era feito de cicatrizes. E ela estava começando a achar que queria ser a pessoa que ia curar cada uma delas.
No resto da tarde, o trabalho rendeu como nunca. O "casal de força" estava operando em sintonia fina. Camila desenhava e Mateus, entre uma reunião e outra, passava pela mesa dela pra dar um palpite — dessa vez, menos ácido e mais construtivo.
Quando ela estava saindo, já tarde da noite, encontrou um post-it colado na sua bolsa:
"O pão na chapa estava horrível, muita gordura. Mas o café... o café estava perfeito. Até amanhã, Camila."
Ela riu sozinha no elevador. Sabia que "horrível" era o código dele para "obrigado por me salvar de mim mesmo". A aventura estava ficando séria, e o "doce amor" estava sendo tecido fio por fio, no meio da correria de São Paulo.
A história está batendo todos os recordes de palavras e a emoção só cresce! A Camila e o Mateus estão cada vez mais próximos, mas o mundo dos negócios é cruel.

หนังสือแสดงความคิดเห็น (94)

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    SousaLuana

    que livro mais incrível...

    7d

      0
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    Vitoriamaria

    Livro maravilhoso!

    12d

      0
  • avatar
    CarneiroGabriele

    muito cheio de linguagem que só quem mora no estado sabe. acaba ficando chato

    14d

      0
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