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บทที่ 4 O Café da Discórdia e a Primeira Prova de Fogo

Camila acordou com o despertador berrando às seis da manhã. A primeira coisa que veio na cabeça não foi o café, nem o look do dia, mas sim o rosto do Mateus quando ele falou do orfanato. Ela sacudiu a cabeça, tentando espantar o pensamento.
— Foco, Camila! O cara é seu chefe e um chato de galocha. Não viaja! — ela resmungou para o espelho enquanto tentava domar os cachos.
Ela escolheu um conjunto de alfaiataria que ela mesma tinha reformado, com um toque de grafite nas costas. Se era pra ser uma "mulher de negócios", ela ia fazer isso com estilo. Chegou na empresa às 07:45, decidida a mostrar que o elogio da noite anterior não tinha subido à cabeça.
Quando entrou na sala dele, o Mateus já estava lá, mas não parecia o cara vulnerável do carro. Ele estava com o telefone no viva-voz, falando em inglês com um sotaque impecável, enquanto analisava umas plantas de um prédio.
— I don't care about the costs, I care about the structural integrity. Fix it. — Ele desligou o celular e nem olhou pra cima. — Tá atrasada dois minutos pelo meu relógio.
— Bom dia pra você também, raio de sol. — Camila colocou o tablet na mesa dele, ignorando a patada. — E meu relógio diz que faltam treze minutos pras oito. O seu deve estar adiantado pra você ter tempo de ser insuportável com antecedência.
Mateus finalmente levantou os olhos. Ele deu aquela varredura lenta no visual dela.
— Gostei do grafite. É autoral?
— É. Algum problema com a "arte" hoje?
— Nenhum. Desde que a arte não atrase a entrega do protótipo. — Ele levantou e caminhou até a cafeteira de cápsulas que custava mais que o carro da Camila. — O conselho da empresa quer ver o tecido que você criou hoje à tarde. Eles estão vindo de Frankfurt só pra isso.
O estômago da Camila deu um mortal carpado.
— Hoje? Mas Mateus, o tecido ainda está em fase de teste de estresse! Eu não sei se ele aguenta uma lavagem industrial ou...
— Por isso você vai passar a manhã no laboratório com o engenheiro de materiais. Se der errado na frente dos alemães, Camila, não é só o seu estágio que roda. É o meu investimento de três milhões de dólares.
Ela engoliu em seco. O "casal de força" estava sob pressão antes mesmo de ser um casal.
— Entendi. Eu vou resolver. Mas eu preciso de liberdade total no laboratório. Sem você ficar fungando no meu pescoço dizendo que falta "lógica".
Mateus deu um passo na direção dela, segurando uma xícara de café expresso.
— Liberdade custa caro, Camila. Eu te dou a liberdade, mas você me entrega a perfeição. Temos um trato?
— Temos.
— Ótimo. Agora rala, que o cronômetro já está rodando.
Camila saiu da sala a mil por hora. No laboratório, o engenheiro, um cara chamado Rodrigo que tinha cara de quem vivia de Cup Noodles, já estava esperando.
— O Vergueiro me avisou que você vinha. Ele disse que você é a única pessoa na empresa que consegue "sentir" as fibras. O que é bem estranho vindo dele, já que ele não sente nem o frio do ar-condicionado. — Rodrigo riu, preparando a máquina de testes.
— O Mateus é um caso perdido, Rodrigo. Vamos focar no polímero. Eu quero testar a condutividade dele com esse novo fio de prata.
As horas voaram. Camila estava com as mãos sujas de reagente, o cabelo preso com um lápis e uma mancha de graxa na bochecha. Ela e Rodrigo brigavam com as máquinas, ajustando a tensão do tear eletrônico.
— Vai quebrar, Camila! A tensão tá muito alta! — Rodrigo gritou.
— Não vai não! Confia na seda! Ela tem memória, ela vai segurar! — Ela respondeu, os olhos fixos no monitor.
O tecido começou a sair. Era uma malha fina, quase transparente, que brilhava como uma pérola negra. Quando a máquina terminou o ciclo, o silêncio tomou conta do laboratório. Camila pegou o tecido com as mãos trêmulas.
— Rodrigo... olha isso.
Ela aplicou uma pequena corrente elétrica e o tecido não só mudou de cor, como começou a emitir um calor suave e constante. Era o tecido perfeito para o inverno europeu.
— Cara, você é um gênio. — Rodrigo disse, chocado. — O Mateus vai ter um treco.
— Eu não sou gênio, eu só presto atenção no que o tecido quer me dizer. — Ela sorriu, sentindo uma onda de "contra-ataque" vitorioso.
Às duas da tarde, a sala de reuniões estava lotada. Três homens alemães, de terno cinza e caras de poucos amigos, olhavam para o Mateus como se ele fosse um aluno prestando exame. Mateus estava impecável, mas Camila notou que ele batia a caneta na mesa — um tique nervoso que ele não conseguia esconder.
— Gentlemen, I present to you the future of textile technology. — Mateus anunciou, fazendo sinal para a Camila entrar.
Ela entrou com o protótipo em um manequim. Estava nervosa, mas quando viu o Mateus a encarando, sentiu uma força estranha. Ela não podia falhar. Não por ele, mas por ela.
— Olá. Este é o projeto "Aurora". — Camila começou, a voz firme. — Não é apenas um tecido. É uma segunda pele inteligente.
Ela fez a demonstração. Os alemães começaram a cochichar entre si, impressionados. Um deles levantou e tocou no tecido.
— Is this washable? — Ele perguntou, desconfiado.
Antes que a Camila respondesse, o Mateus interveio:
— Cem por cento. Testamos hoje de manhã. A estrutura molecular do polímero criado pela minha designer garante que a tecnologia não se perca no processo.
Os alemães sorriram — ou o que passava por um sorriso na Alemanha. Eles apertaram a mão do Mateus e começaram a falar sobre contratos. Camila sentiu um alívio tão grande que quase caiu sentada.
Quando a sala esvaziou, Mateus fechou a porta e encostou nela. Ele olhou para a Camila, que ainda estava ao lado do manequim.
— Você conseguiu, garota.
— "A gente" conseguiu, Mateus. — Ela corrigiu.
Ele caminhou até ela, parando a centímetros de distância. O clima de "doce amor" tentava se infiltrar no meio de tanto vidro e metal.
— Eu nunca vi ninguém calar aqueles caras tão rápido. Você tem uma mancha de graxa aqui. — Ele levantou a mão e, com o polegar, limpou a bochecha dela de um jeito tão delicado que a Camila sentiu um choque que nenhuma bateria de polímero conseguiria gerar.
— Valeu. — Ela sussurrou, o coração na boca.
— Não me agradeça. Você fez o seu trabalho. Mas agora... — O olhar dele desceu pros lábios dela por meio segundo antes dele se recompor. — Agora você precisa descansar. Vá pra casa. Amanhã a gente começa o design das peças finais.
— Você não vem?
— Tenho papelada. Muita papelada.
Camila saiu da sala flutuando. No corredor, ela encontrou a Lívia.
— E aí? Como foi? Os gringos levaram a ideia?
— Levaram, Lívia! Eles amaram!
— E o Mateus? Rolou um bônus ou um beijo de agradecimento? — Lívia provocou.
— Para com isso! Ele é só o meu chefe. Um chefe chato, exigente e... que limpa minha bochecha de um jeito estranho.
— Vish, amiga... você tá é muito ferrada. — Lívia riu, arrastando ela pro elevador. — Vamos comemorar com um podrão na esquina?
— Com certeza! Preciso de gordura pra processar esse dia.
Enquanto as duas saíam do prédio, lá no alto, na sala da diretoria, Mateus Vergueiro olhava pela janela, observando a Camila atravessar a rua. Ele pegou o celular e mandou uma mensagem curta:
"Trabalho excelente hoje. Não se acostume com os elogios, mas você é o que essa empresa precisava."
Camila viu a notificação no celular e sorriu no meio da multidão da Paulista. O "HatersToLovers" estava em plena evolução. Ela ainda não sabia, mas aquele tecido não era a única coisa que estava prestes a mudar de cor e aquecer sob pressão.
O clima entre os dois já estava mais carregado que o céu de São Paulo antes de um temporal de verão. A Camila não sabia se o que sentia era vontade de dar um abraço ou um soco no Mateus, mas o "contra-ataque" dela no trabalho tinha deixado o "gênio" balançado.

หนังสือแสดงความคิดเห็น (94)

  • avatar
    SousaLuana

    que livro mais incrível...

    7d

      0
  • avatar
    Vitoriamaria

    Livro maravilhoso!

    12d

      0
  • avatar
    CarneiroGabriele

    muito cheio de linguagem que só quem mora no estado sabe. acaba ficando chato

    15d

      0
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