บทที่ 2 O Despertar da Realidade e o Reencontro no Topo
A manhã de segunda-feira em São Paulo não perdoa ninguém. O sol mal tinha dado as caras entre os prédios cinzas da Avenida Paulista e a Camila já estava no terceiro café puro, tentando ignorar a olheira de quem passou o domingo inteiro costurando e pensando naquele bendito guardanapo com o número do Mateus. A blusa de seda? Ficou com uma mancha fantasmagórica, um lembrete eterno de que o "gênio" do bar tinha uma mira excelente pra derramar cerveja. — Acorda, Camila! Hoje o bicho vai pegar! — gritou a supervisora, uma mulher que parecia que tinha engolido um despertador e um estoque de energético. — A empresa foi comprada por um grupo de investimentos em tecnologia e o novo CEO chega hoje pra passar o rodo. Camila deu um pulo da cadeira, quase derrubando o café. — Como é que é? Ninguém avisou nada! Eu ainda nem terminei as renderizações da coleção cápsula! — Se vira, minha filha! O cara é brabo, diz que ele é um gênio da inovação e não tolera atraso. O nome dele é Mateus Vergueiro. O mundo da Camila parou. O café pareceu ter virado pedra no estômago. — Mateus... Vergueiro? Aquele arquiteto que faz prédio sustentável e tem cara de quem não dorme? — Esse mesmo! O cara resolveu investir em moda inteligente e comprou a nossa startup. Ele chega em dez minutos. Vai lá retocar esse batom que você tá com cara de quem foi atropelada por um trator! Camila correu pro banheiro, o coração parecendo uma bateria de escola de samba. "Não pode ser", ela pensava. "O cara que eu chamei de trator e ameacei fazer limpar o chão com a camiseta é meu novo patrão?". Ela tentou se acalmar, jogando uma água no rosto e rezando pra ele ter tido uma amnésia alcoólica coletiva. Quando ela voltou pra sala de reuniões, o clima tava tenso. Todos os estagiários e designers estavam em fila, parecendo que iam ser executados. A porta de vidro se abriu e ele entrou. Terno preto impecável, mas sem gravata, o mesmo óculos de armação grossa e aquela cara de quem sabe o preço de cada tijolo da cidade. Ele passou os olhos pela sala, parando exatamente na Camila. Um sorrisinho de canto de boca — aquele mesmo deboche do bar — apareceu por um milésimo de segundo. — Bom dia pra quem trabalha. — A voz dele ecoou, fria e direta. — Eu não vim aqui pra manter as coisas como estão. Vi o portfólio de vocês e, honestamente? Metade disso aqui é lixo. Falta alma, falta tecnologia, falta... visão. Ele começou a caminhar entre as mesas, olhando os projetos. Camila sentia que ia desmaiar a qualquer momento. Quando ele chegou na mesa dela, parou e pegou um dos croquis. — Designer de moda, né? — Ele perguntou, sem olhar pra ela. — S-sim, senhor Vergueiro. Ele finalmente encarou ela. Os olhos brilhavam com aquela inteligência irritante. — "Senhor"? No bar você foi mais criativa nos apelidos, Camila. O silêncio na sala foi tão grande que dava pra ouvir o barulho do ar-condicionado. A supervisora arregalou os olhos, e os outros estagiários começaram a cochichar. — Eu... eu não sabia que o senhor era... o senhor. — Ela tentou manter a postura, mesmo querendo cavar um buraco e se esconder. — É, eu imagino. — Mateus soltou o desenho na mesa. — Seu trabalho é interessante, tem um toque de arte. Mas é fraco. Falta estrutura. Você desenha como se o tecido não tivesse que aguentar a vida real. Camila sentiu o sangue subir. O "HatersToLovers" dela tava gritando mais alto que a razão. Ela não ia deixar aquele riquinho metido a gênio detonar o sonho dela na frente de todo mundo. — Com todo respeito, senhor Vergueiro... — Ela começou, cruzando os braços e encarando ele de volta. — Meus desenhos aguentam muito bem a vida real. O problema é que o senhor enxerga a moda como se fosse um prédio de concreto. Roupa tem que ter movimento, tem que ter sentimento. Não é só colocar um chip e dizer que é inovação. Mateus deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal dela. O cheiro de perfume caro e café tomou conta. — Sentimento não paga as contas dessa empresa, Camila. O que paga é eficiência. Se você quer ser uma "mulher de negócios" de verdade, precisa parar de sonhar com passarelas e começar a pensar em soluções. — E o senhor precisa começar a pensar que lida com pessoas, não com robôs. — Ela rebateu, sem piscar. Ele deu uma risada curta, seca. — Gostei do contra-ataque. Pelo menos você tem coragem. Mas coragem sem resultado é só teimosia. Ele se virou para o resto da equipe, ignorando a cara de choque de todos. — Quero um novo protótipo de tecido inteligente na minha mesa até sexta-feira. E Camila? — Oi? — Ela respondeu, ainda tremendo de raiva. — Você vai ser a minha assistente direta nesse projeto. Já que você entende tanto de "alma", vai me ajudar a dar uma pra esse novo material. Esteja na minha sala em cinco minutos. Com café. E sem derramar em mim, por favor. Ele saiu da sala, deixando um rastro de autoridade e confusão. Lívia, que trabalhava no setor de marketing e tinha visto tudo pela porta de vidro, entrou correndo. — Amiga do céu! O que foi isso? Você enfrentou o novo dono da empresa! Você tá louca ou quer ser demitida? — Eu não sei, Lívia! Esse cara me tira do sério! Ele é um arrogante, um prepotente e... e... — Ela gesticulou, sem palavras. — E um gato, vamos combinar. — Lívia completou, rindo. — Mas ó, ele te escolheu como assistente. Isso é uma chance de ouro ou o seu maior pesadelo. Camila respirou fundo, ajeitando a blusa (uma diferente da do bar, claro). — Vai ser o pesadelo dele. Se ele acha que vai me transformar num robô de escritório, ele tá muito enganado. Eu vim pra São Paulo pra vencer, e não vai ser um arquiteto metido a CEO que vai me parar. Ela caminhou até a sala da diretoria, que agora tinha o nome "Mateus Vergueiro" gravado na porta. Bateu três vezes, sentindo que estava entrando numa jaula de leão. — Entra. — A voz dele veio lá de dentro. Ela entrou e deu de cara com ele sentado atrás de uma mesa de vidro gigante, com a vista de toda a cidade atrás dele. Ele nem olhou pra cima, continuou digitando freneticamente num tablet. — Trouxe o café? — Trouxe. — Ela colocou a xícara na mesa, com cuidado redobrado. — Ótimo. Senta aí. A gente tem muito o que discutir sobre como transformar esses seus "sonhos pesados" em algo que realmente mude o mercado. Camila sentou, sentindo a eletricidade entre os dois. Era uma mistura de ódio, desafio e uma atração que ela se recusava a admitir. O escritório agora era o novo "campus" onde ela teria que provar seu valor. — Eu não vou mudar meu estilo por causa de lucro, Mateus. — Você vai mudar o que for preciso pra ser a melhor, Camila. E eu vou te mostrar como. Naquele momento, ela percebeu que a aventura estava só começando. Entre planilhas, tecidos tecnológicos e discussões acaloradas, o "doce amor" parecia algo impossível, mas o "casal de força" que eles podiam se tornar estava ali, escondido atrás de farpas e olhares desafiadores. São Paulo brilhava lá fora, e dentro daquela sala, o jogo de poder tinha acabado de dar o pontapé inicial. Parece que o clima pesou de vez naquele escritório, né? O Mateus não tá pra brincadeira e a Camila tá com o contra-ataque na ponta da língua. Se liga que o bicho vai pegar agora que eles têm que trabalhar colados.
MUITO BOMMMMMM EU AMEIII
2h
0que livro mais incrível...
9d
0Livro maravilhoso!
14d
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