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บทที่ 7 Entre Batidas de Som e Sussurros nas Sombras

A sexta-feira em Raven’s Hollow resolveu que ia ser o dia mais longo da história da humanidade e a Selena sentia que cada minuto na faculdade era uma eternidade de tortura psicológica enquanto o sol teimava em não baixar logo atrás das montanhas cinzentas. O plano de fuga já estava todo traçado no grupo das meninas e a Chloe já tinha garantido que o sinal do celular do Endrick ia ser monitorado de perto pra elas não serem pegas de surpresa por um "Pai Móvel" no meio da estrada. A Selena passou a tarde tentando focar nas aulas de arqueologia mas a única coisa que ela conseguia pensar era no raio do sonho ou visão que teve com o Ethan e aquele altar de pedra bizarro que parecia ter saído de um livro de ocultismo barato.
— Sel, foca aqui, você tá com a cara de quem viu um fantasma ou de quem tá planejando um crime — a Adeline sussurrou enquanto elas saíam da última aula — já tá tudo certo, a Maya vai passar na sua casa às oito e meia e você pula a janela, o Endrick disse que ia dobrar o turno na delegacia então o caminho tá livre.
— Eu tô com um pressentimento muito estranho, Addy, tipo aquela sensação de que você tá prestes a entrar numa montanha-russa que você sabe que vai descarrilar — Selena respondeu enquanto caminhavam pro estacionamento — e esse colar não para de vibrar, parece que tem um enxame de abelhas no meu peito.
— Relaxa, gata, é só o seu corpo reagindo à presença do deus grego de jaqueta de couro que mora na colina — Adeline riu, entrando no carro dela — a gente se vê às nove na entrada da Alameda dos Sussurros, não se atrase ou eu entro lá e roubo o Ethan pra mim.
O processo de sair de casa foi digno de um filme de espionagem de baixo orçamento porque a Selena teve que colocar dois travesseiros debaixo da coberta pra fingir que tava dormindo caso o pai chegasse cedo. Ela vestiu o biquíni preto por baixo da roupa e colocou o vestido de tela que a Adeline tinha emprestado, o que dava um ar de "não estou nem aí" mas que na verdade tinha levado uma hora pra ela decidir se estava bom ou não. Quando o carro da Maya parou na esquina com as luzes apagadas ela pulou a janela do quarto com uma mochila nas costas e correu como se a vida dela dependesse disso.
— Operação Fuga da Prisão concluída com sucesso! — Maya comemorou quando a Selena entrou no carro — o Caleb já mandou mensagem dizendo que a casa tá lotada, parece que metade da faculdade decidiu subir a colina hoje.
— Só espero que a gente não se arrependa disso — Selena murmurou, sentindo o ar ficar mais frio conforme o carro subia a estrada sinuosa da Alameda dos Sussurros.
Quando elas chegaram na mansão o barulho da música tava tão alto que dava pra sentir o chão tremendo mesmo dentro do carro e tinha luzes de neon azuis e roxas saindo pelas janelas altas da casa. O jardim da frente tava cheio de carros e o Mustang do Ethan tava estacionado como um trono no meio de tudo aquilo. A porta da frente tava escancarada e o Caleb tava na varanda com uma garrafa na mão, recebendo todo mundo como se fosse o rei da festa.
— AS DIVAS CHEGARAM! — Caleb berrou quando viu as quatro descendo do carro — achei que a Selena tinha sido sequestrada pelo xerife Moreau!
— Quase isso, Caleb, mas eu sou mestre na arte da fuga — Selena riu, tentando disfarçar o nervosismo enquanto entrava na casa.
O interior da mansão tava transformado, os móveis antigos tinham sido empurrados pros cantos e uma pista de dança improvisada ocupava o salão principal. O cheiro era uma mistura de bebida, perfume caro e aquele odor metálico estranho que a Selena sentiu na cachoeira, mas o que mais chamou a atenção dela foi o Ethan, ele tava parado no topo da escadaria de madeira escura, segurando um copo de cristal e olhando pra multidão como se fosse um predador escolhendo a presa. Quando os olhos dele encontraram os dela a música pareceu ficar em segundo plano e ele desceu os degraus devagar, sem tirar o contato visual.
— Você veio — ele disse quando chegou perto o suficiente, ignorando completamente a Adeline e as outras que tavam babando do lado — e veio de preto, como eu sugeri.
— Eu não sigo sugestões de estranhos, Blackwood, o preto é só minha cor de luto pela minha vida social que meu pai tá tentando matar — ela rebateu, mas sentiu a eletricidade subindo pelo braço quando ele encostou de leve no ombro dela.
— Vem comigo, tá muito barulho aqui e eu quero te mostrar uma coisa que não envolve adolescentes bêbados pulando na minha piscina — ele fez um sinal pra ela seguir ele em direção aos fundos da casa.
Eles atravessaram um corredor longo onde as fotos de família pareciam observar cada passo da Selena com olhos que brilhavam de um jeito estranho no escuro. Eles saíram por uma porta lateral que dava pros jardins dos fundos, onde o barulho da festa ficava abafado pelas árvores imensas. Tinha uma piscina enorme lá, mas o Ethan levou ela pra mais longe, em direção a uma estufa de vidro que tava toda iluminada por velas.
— O que é isso, Ethan? O seu lado botânico secreto? — ela perguntou, tentando manter o tom descontraído.
— É onde minha família guarda as memórias que a cidade tentou apagar — ele abriu a porta da estufa e o ar lá dentro era quente e úmido, cheio de plantas que a Selena nunca tinha visto na vida — você disse que teve uma visão, não foi?
— Foi... uma floresta, um altar... e você — ela parou na frente de uma planta que tinha flores vermelhas que pareciam sangrar — o que tá acontecendo comigo? Por que esse colar tá agindo assim?
— Porque esse colar não é só uma joia, Selena — ele se aproximou, e dessa vez ele não parou até estar a centímetros do rosto dela — é uma chave, e sua família é a guardiã dessa chave há séculos, o seu pai sabe disso, por isso ele tem tanto medo de nós.
— Medo de vocês? O que vocês são afinal? — a voz dela falhou um pouco.
— Nós somos o que sobrou de um pacto que foi quebrado — ele sussurrou, e a mão dele subiu até o pescoço dela, tocando o pingente que começou a brilhar intensamente, iluminando o rosto dos dois com uma luz escarlate — eu não deveria fazer isso, mas eu preciso saber se é você mesmo.
Antes que ela pudesse perguntar "você quem?", o Ethan inclinou o rosto e a beijou. Não foi um beijo de filme de romance clichê, foi algo selvagem, urgente, e no momento em que os lábios deles se tocaram a Selena sentiu como se uma descarga elétrica tivesse atravessado o corpo dela. Ela viu imagens passando pela cabeça: chamas, uivos na noite, e uma mulher muito parecida com ela segurando a mão de um homem que tinha os mesmos olhos do Ethan. Ela se afastou bruscamente, ofegante, e viu que os olhos do Ethan tavam completamente pretos, sem íris, sem nada.
— Meu Deus... — ela sussurrou, dando um passo atrás e batendo numa prateleira de vasos.
— Não tenha medo — a voz dele tava mais grave, quase vibrando no ar — o que você sentiu é a verdade, Selena, nós estamos ligados antes mesmo de nascermos.
— Eu preciso ir embora, agora! — ela sentiu o pânico subir e saiu correndo da estufa, ignorando o Ethan chamando o nome dela.
Ela atravessou a festa como um furacão, trombando em gente que nem conhecia, até achar a Adeline que tava rindo com o Caleb perto da mesa de bebidas.
— ADELINE, CHAVE DO CARRO, AGORA! — Selena gritou, com a cara toda pálida.
— O que foi, Sel? O que aconteceu? — Adeline ficou séria na hora vendo o estado da amiga.
— Eu não consigo explicar agora, só me tira daqui! — ela praticamente arrastou a amiga pra fora.
Enquanto elas corriam pro carro a Selena olhou pra trás e viu o Ethan parado na varanda, ele não tava tentando seguir elas, ele só tava lá, observando, com uma expressão que não era de raiva mas de uma tristeza profunda. Quando elas entraram no carro e a Maya deu partida cantando pneu a Selena olhou pro pingente e viu que ele não tava mais brilhando, mas tava com uma rachadura bem no meio da pedra.
— Ele não é humano, Addy... ele não é humano — Selena chorava sem perceber enquanto apertava o colar contra o peito.
— Calma, Sel, a gente tá saindo daqui, respira — Maya tentava focar na estrada mas o clima no carro tava pesado demais.
O que a Selena não sabia era que no banco de trás, escondido entre as sombras da mochila dela, tinha um pequeno objeto que ela não tinha levado: uma adaga de osso com o brasão dos Moreau entalhado no cabo, que o Ethan tinha colocado lá sem ela ver. A guerra que o pai dela tanto temia não tava chegando, ela já tinha começado, e o primeiro tiro foi um beijo que despertou algo que deveria ter continuado dormindo pra sempre.
Quando elas chegaram na rua das Hortênsias a luz do quarto do Endrick tava acesa e o carro da polícia tava parado na frente da casa com o giroflex ligado. O coração da Selena parou.
— Merda... — ela sussurrou — ele descobriu.
Continua...

หนังสือแสดงความคิดเห็น (52)

  • avatar
    Leonardobruna

    ameiiii

    1d

      0
  • avatar
    Emilly Miranda

    maravilhosa

    8d

      0
  • avatar
    da silvaLucas

    muito boa

    17d

      0
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