หน้าแรก/Entre sombras e sangue: O pacto de Blackwood/
บทที่ 6 Esquenta, Planos e um Pai com a Macaca
A semana passou num rastro de ansiedade e teorias da conspiração no grupo do WhatsApp porque a Adeline não parava de mandar link de biquíni e a Maya jurava que tinha visto o Caleb treinando salto mortal no telhado da mansão. A Selena, por outro lado, tava tentando não surtar toda vez que o colar dela esquentava, o que acontecia toda vez que ela passava perto da Alameda dos Sussurros ou quando, do nada, ela sentia aquele cheiro de chuva e couro que era a marca registrada do Ethan. Na quinta-feira à noite, a casa dos Moreau tava um silêncio tenso, daqueles que você sente que qualquer "ai" vira uma briga de família. — Selena, eu já te falei que não quero você andando com esse pessoal novo, eu vi como você olhou pro carro daquele rapaz no centro ontem — o Endrick falou enquanto jantavam um espaguete que tava com gosto de papelão de tanto estresse que tinha na mesa. — Pai, pelo amor de Deus, é só um vizinho novo, o senhor tá agindo como se a gente vivesse num filme de época onde as famílias se matam por causa de um pedaço de terra — Selena revirou os olhos, enrolando o macarrão com força no garfo — o que o senhor tem contra os Blackwood afinal? O Elias te deu um bolo na quinta série? — Não brinca com isso, Selena, você não conhece o histórico dessa cidade, os Blackwood não são pessoas comuns, eles são... — ele parou, parecendo medir as palavras — eles são gananciosos, perigosos e tudo o que eles tocam acaba em tragédia, a última vez que eles moraram aqui, três pessoas sumiram na floresta e ninguém nunca achou nem os sapatos. — E o senhor acha que o Ethan e o Caleb, que têm a minha idade, são responsáveis por coisas que aconteceram quando a gente nem tinha nascido? — ela soltou o garfo, encarando o pai — isso é preconceito puro, pai, o senhor tá ficando paranoico com essa história de segurança. — Prefiro ser paranoico e ter minha filha viva do que ser um "pai legal" e ter que te buscar num necrotério — Endrick levantou da mesa, pegando o prato dele com um barulho seco — amanhã eu vou trabalhar até tarde na delegacia, quero você em casa às dez, nem um minuto a mais. Selena esperou ele ir pra cozinha e soltou um suspiro pesado, ela odiava mentir pro pai, mas a curiosidade tava matando ela mais do que qualquer lobo gigante na floresta. Ela subiu pro quarto e viu que a Adeline já tava lá, porque a garota tinha a chave reserva e a audácia de uma criminosa profissional. — Caraca, Sel, seu pai tá real num clima de guerra, né? Eu ouvi ele gritando daqui — Adeline tava deitada na cama da Selena, pintando as unhas de um roxo neon que brilhava até no escuro. — Ele tá surtando, Addy, disse que o povo sumia quando os Blackwood moravam aqui, um papo muito pesado — Selena sentou no chão, encostando na cama — e agora ele quer que eu esteja em casa às dez amanhã, bem na hora que a festa vai estar começando. — Dez da noite? Dez da noite é hora de tá passando o delineador ainda! — Adeline sentou num pulo — a gente vai dar um jeito, a Chloe já disse que pode hackear o GPS do celular do seu pai pra gente saber exatamente onde ele tá, e a gente sai pelos fundos como sempre. O celular da Selena vibrou na cômoda e, pra surpresa de zero pessoas, era o Caleb mandando áudio no grupo, com uma música de fundo que parecia um rock bem pesado e barulho de gente rindo. — Aí galera de Raven’s Hollow! Amanhã o bagulho vai ficar doido, o Ethan comprou uns três barris de bebida e o Tyler tá tentando assar um porco inteiro lá no quintal, o que provavelmente vai dar errado mas vai ser engraçado! Selena, vê se não dá o cano na gente ou eu vou aí te buscar de trator! — a voz do Caleb era pura zoeira. — Viu? Eles são só uns caras querendo dar uma festa — Selena disse, tentando convencer a si mesma — não tem nada de sobrenatural em querer assar um porco e ouvir música alta. — É, tirando o fato de que eles correm mais que o Flash e o Ethan parece que tem mil anos — Adeline piscou — mas ó, foco no biquíni, eu trouxe aquele preto pra você, aquele que o seu pai chamaria de "pecado mortal" mas que em você fica um espetáculo. As duas passaram a noite planejando a fuga, rindo e tentando não pensar nas coisas bizarras que tinham visto na cachoeira, mas quando a Adeline foi embora e a Selena ficou sozinha, o silêncio do quarto começou a incomodar. Ela foi até a janela e olhou pra colina, a mansão Blackwood tava com as luzes todas apagadas, menos uma janela bem no topo que brilhava com uma luz azulada estranha. De repente, ela sentiu um vento frio entrar no quarto, mesmo com a janela fechada, e o colar começou a pulsar de novo, mas dessa vez ele não tava só quente, ele tava vibrando, um som que parecia um zumbido de abelha bem no pé do ouvido dela. — Para com isso... — ela murmurou, segurando a pedra com as duas mãos — o que você quer me mostrar? Ela fechou os olhos e, por um segundo, ela não tava mais no quarto dela, ela viu uma floresta escura, cheia de névoa, e um lobo enorme com olhos cor de âmbar parado na frente de um altar de pedra, o bicho não parecia querer atacar, ele parecia estar... esperando. E então ela viu o Ethan, mas ele não tava de jaqueta de couro, ele tava usando uma túnica antiga, com as mãos sujas de algo escuro que ela rezou pra ser tinta. — Selena? — a voz dele ecoou na mente dela, não foi um pensamento, foi como se ele tivesse falando no ouvido dela. Ela abriu os olhos com tudo, o coração batendo na garganta e o suor frio escorrendo pela testa, ela olhou em volta e o quarto tava normal, as estrelinhas no teto ainda brilhavam e o cheiro de café do pai dela subia da cozinha porque ele tava começando o turno da noite. — Que porra foi essa? — ela resmungou, sentando na cama e tentando recuperar o fôlego — eu tô ficando maluca, é isso, a faculdade de História tá fritando meus neurônios. Ela pegou o celular e, sem pensar muito, abriu a conversa com o número desconhecido que ela já sabia que era do Ethan. Selena: Você tá fazendo isso? A resposta veio em menos de dez segundos, o que era bizarro porque o cara nem deveria estar com o celular na mão. Ethan: Fazendo o quê, morena? Tendo sonhos eróticos comigo? Porque eu tô tendo uns bem interessantes com você. Selena: Idiota! Eu tô falando sério, eu vi uma coisa... uma floresta, um altar... e você tava lá. Houve uma pausa longa, os "digitando..." apareciam e sumiam várias vezes, o que deixou a Selena ainda mais nervosa. Ethan: Não devia estar vendo essas coisas ainda, Selena. O colar tá agindo por conta própria. Amanhã na festa a gente conversa, mas ó, um aviso: se você vir algo estranho lá em casa, ignora. É só a gente tentando manter a tradição da família viva. Selena: Que tradição? Sacrificar porcos ou pessoas? Ethan: Vem amanhã e descobre. E vai de preto, combina com o seu medo. Selena jogou o celular longe, irritada e fascinada ao mesmo tempo. Ela sabia que tava entrando numa armadilha, ela sentia o cheiro do perigo de longe, mas o problema é que ela nunca foi do tipo que fugia de uma briga, e o Ethan Blackwood tava desafiando cada fibra do ser dela. Ela deitou e tentou dormir, mas o zumbido do colar não parou a noite toda, era como se o objeto estivesse contando os minutos pro encontro de amanhã, e a Selena, no fundo, também estava. Continua...
ameiiii
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