หน้าแรก/Entre sombras e sangue: O pacto de Blackwood/
บทที่ 5 Aulas de História e Pedras que Pulsam
A segunda-feira em Raven’s Hollow chegou com aquela vontade de ser domingo de novo, sabe? O céu tava de um cinza tão profundo que parecia que o mundo tava usando um filtro de filme triste do Instagram e a Selena tava lá, no seu terceiro copo de café, sentada na aula de "História das Américas" sem entender absolutamente nada do que o professor tava falando sobre tratados de terras porque a única coisa que passava na cabeça dela era o jeito que o Ethan olhou pra ela na noite anterior na frente daquela mansão bizarra. — Sel, psiu! Selena! — Adeline tava sentada duas fileiras pro lado, jogando uma bolinha de papel na amiga pra chamar atenção — você tá viva ou sua alma ficou lá na Alameda dos Sussurros com o bonitão? — Tô aqui, Addy, só tô com sono, meu pai resolveu fazer uma vistoria no meu quarto hoje cedo e eu quase infartei achando que ele ia achar alguma coisa — Selena sussurrou de volta, ajeitando os óculos e tentando fingir que tava anotando algo no caderno de desenho. — Alguma coisa tipo o quê? Uma jaqueta de couro esquecida? — Adeline deu um sorrisinho malicioso e voltou a escrever no tablet — a Maya disse que o Caleb mandou mensagem pra ela perguntando se você gostava de música eletrônica ou de rock antigo, acho que o Ethan tá querendo montar a playlist da festa só pra te agradar, amiga. — Ah, claro, e eu sou a rainha da Inglaterra — Selena revirou os olhos, sentindo aquele calorzinho chato no rosto de novo — ele só quer ser o centro das atenções, como todo cara que chega numa cidade nova achando que é o dono do pedaço. O professor finalmente liberou a turma e as meninas se encontraram no corredor, que tava um caos de gente correndo pra lá e pra cá entre os armários de metal azul descascado da faculdade. A Chloe tava com o notebook aberto, como sempre, digitando como se o mundo fosse acabar se ela parasse. — Gente, eu pesquisei sobre aquele cervo que a gente viu ontem — Chloe disse, diminuindo o tom de voz enquanto elas caminhavam pro refeitório — não tem registro de nenhum predador na região que deixe a presa totalmente sem sangue, tipo, nem os morcegos hematófagos fazem um estrago daqueles de uma vez só, é como se tivessem usado uma bomba de vácuo no bicho. — Credo, Chloe, a gente tá indo almoçar, guarda essas informações de necrotério pra depois — Maya reclamou, ajeitando a mochila de treino no ombro — o que importa é: quem vai ser a primeira a beijar um dos Blackwood na sexta? Eu voto na Selena, porque o clima ali tá dando pra cortar com uma faca de pão. — Eu não vou beijar ninguém, Maya, eu só quero entender o que tá rolando — Selena parou no meio do corredor, sentindo uma pontada no peito, bem onde o pingente tava guardado debaixo da blusa — ai! — O que foi? — Adeline segurou o braço dela — tá passando mal? — Não, é só... a pedra, ela ficou quente do nada — Selena levou a mão ao pescoço e sentiu que o cristal tava realmente fervendo, como se tivesse sido deixado no sol o dia todo — caramba, tá queimando! Ela correu pro banheiro feminino, que tinha aquele cheiro clássico de sabonete barato e desinfetante de pinho, e as amigas foram atrás, fechando a porta principal pra ninguém entrar. Selena puxou o colar pra fora e o quartzo, que deveria ser branco leitoso, tava com veias vermelhas brilhando lá dentro, parecendo um coração minúsculo batendo. — Gente, isso não é normal, né? — Maya arregalou os olhos, chegando perto mas sem coragem de tocar — tipo, pedras não brilham, a menos que tenham LED dentro, e eu acho que sua mãe não comprou esse colar na Shopee. — Minha mãe disse que esse pingente era da família dela, de gerações atrás, mas nunca aconteceu nada assim — Selena tava ofegante, olhando pro próprio reflexo no espelho manchado — e começou a brilhar exatamente quando... quando eu comecei a pensar no... — No Ethan? — Chloe completou, cruzando os braços com uma cara de quem tava resolvendo uma equação difícil — Sel, meu lado racional quer dizer que é um fenômeno geológico raro, mas meu lado que assiste série de vampiro tá gritando que esse colar é algum tipo de radar de perigo ou de... conexão. — Conexão com o quê? Com ele? — Selena soltou o colar e ele foi esfriando aos poucos, voltando ao normal — isso é loucura, eu mal conheço o cara. A porta do banheiro abriu de repente e a Jessica, que era basicamente a "abelha rainha" chata da faculdade e que já tinha tentado dar em cima do Ethan (sem sucesso), entrou retocando o batom. — Ih, o que é isso? Reunião de cúpula no banheiro agora? — Jessica disse, olhando as meninas de cima a baixo com desdém — e Selena, seu colar tá torto, parece algo que eu encontraria num brechó de caridade. — Pelo menos o colar é real, Jessica, ao contrário desse seu preenchimento labial que parece que você foi picada por uma abelha — Adeline rebateu na hora, fazendo a Maya segurar o riso. — Garotas idiotas — Jessica bufou, saindo do banheiro batendo o salto. Selena suspirou, sentindo a energia dela sendo drenada por aquele momento tenso. — Escutem, não contem pra ninguém sobre o colar, tá? — Selena pediu, olhando seriamente pras três — meu pai já tá surtando com os Blackwood, se ele souber que o colar da minha mãe tá agindo feito um alienígena, ele me manda pra um convento em outra galáxia. — Segredo de estado, amiga — Maya fez o sinal de zíper na boca — mas ó, sexta-feira a gente vai descobrir a verdade naquela festa, eu sinto que aquele lugar vai revelar muita coisa. As meninas saíram, mas a Selena ficou mais um pouco no banheiro, olhando pro pingente agora silencioso. Ela sentiu uma vontade súbita de ver o Ethan, não pra brigar, mas pra perguntar se ele sentia o que ela sentia, aquela eletricidade estática que parecia carregar o ar sempre que ele tava por perto. Quando o dia de aula finalmente acabou e ela tava indo pro estacionamento, ela viu o Mustang preto parado na saída, bloqueando metade do caminho. O Ethan tava lá dentro, com o braço apoiado na janela e os óculos escuros escondendo os olhos, mas ela sabia que ele tava olhando pra ela. Ele acelerou o motor duas vezes, um som grave que pareceu fazer o colar no pescoço dela vibrar de leve em resposta. Ela não parou o carro dela, só passou por ele e deu um dedo médio discreto pelo retrovisor, ouvindo a risada rouca dele ecoar mesmo com o barulho do trânsito. — Ele é um idiota — ela repetiu pra si mesma, mas o sorriso bobo no canto dos lábios dizia que ela tava adorando cada segundo daquele jogo perigoso. Ela chegou em casa e encontrou o Endrick limpando uma espingarda na mesa da sala, o que nunca era um bom sinal. — Oi pai... por que o arsenal tá pra fora? — ela perguntou, tentando manter a voz normal. — Só precaução, Selena — ele disse, sem olhar pra ela — tem coisa na floresta que não morre com conversa mole, e eu pretendo proteger essa casa de qualquer coisa que tente descer daquela colina. Selena engoliu em seco, subiu as escadas e se trancou no quarto, percebendo que ela tava bem no meio de uma guerra que nem sabia que existia, e o pior de tudo: ela tava começando a escolher um lado. Continua...
muito bom
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