O jantar no castelo de Winter tava uma verdadeira zona, mas daquelas organizadas, saca? O Rei Louis IX tava no topo da mesa, rindo alto de uma piada que ele mesmo contou, enquanto os servos se desdobravam pra servir o banquete. O cheiro de javali assado e especiarias tava de deixar qualquer um com água na boca, mas o clima entre a Aurora e o Jacob… ah, esse tava em outra frequência. O Jacob tava ali, meio de lado, tentando não parecer que tava com o coração saindo pela boca. O Rei, do nada, deu um soco na mesa que fez as taças de prata pularem. — Ô, guri da magia! — gritou Louis, com aquele jeito dele que ninguém sabia se ele tava brabo ou só querendo aparecer. — Tu prometeu um negócio diferenciado pra essa lareira hoje, hein? Quero ver se tu é brabo mesmo ou se só sabe fazer faísca pra agradar criança! Jacob engoliu em seco. Ele olhou pra Aurora, que tava sentada logo ali, observando tudo com aquele olhar de "vai lá, eu confio em ti". Ele levantou devagar, sentindo o peso do olhar do Rowan, seu pai, que tava no outro canto da mesa com uma cara de quem ia avaliar até o último miligrama de energia usada. — Deixa comigo, Majestade. — disse Jacob, tentando manter a voz firme. — Só espero que o senhor curta o verde, porque se não curtir, vai ser difícil trocar a cor depois que o feitiço pegar. — Verde, rosa, azul… se brilhar e for bonito, eu tô aceitando! — o Rei deu uma gargalhada e fez um sinal pra galera fazer silêncio. Jacob caminhou até a lareira gigante, onde as toras de carvalho estalavam com força. Ele respirou fundo, fechou os olhos e ignorou o burburinho do salão. Ele pensou no que a Aurora tinha dito sobre não precisar se provar. Ele não ia fazer aquilo pro Rei, nem pro pai dele. Ia fazer porque queria ver o reflexo daquelas cores nos olhos dela. Ele estendeu a mão direita, e um sussurro começou a escapar dos seus lábios. No começo, o fogo deu uma vacilada, parecendo que ia apagar, e o Rowan já ia se levantando com cara de "eu não disse?". Mas aí, do nada, um brilho intenso começou a brotar do centro das brasas. Ploft! As chamas deram um pulo e mudaram de cor instantaneamente. Não era só um verde qualquer; era um verde esmeralda profundo, que soltava umas fagulhas que brilhavam como vaga-lumes e subiam pela chaminé. O salão inteiro ficou iluminado por aquela luz mística, e um cheiro suave de pinho e hortelã se espalhou pelo ar. — Caraca! — exclamou a pequena Luna, batendo palmas. — Olha as luzinhas, Aurora! Parece que a floresta entrou dentro do castelo! O Rei Louis ficou de pé, com os olhos arregalados. — Rapaz… tu é diferenciado mesmo, hein? — ele deu um sorriso de orelha a orelha. — Olha só isso! Winter nunca teve um jantar tão estiloso! Rowan, teu guri é uma lenda! Jacob voltou pro lugar dele, com as pernas meio bambas, mas com a alma lavada. Ele sentou do lado da Aurora, que puxou a cadeira dele um pouquinho mais pra perto. — Tu mandou muito bem, Jacob. — ela sussurrou, com um brilho no olhar que valia mais que qualquer aplauso do Rei. — O verde ficou lindo. — Tu viu? Por um segundo achei que ia sair fumaça preta e a gente ia ter que evacuar o salão. — ele brincou, relaxando os ombros pela primeira vez na noite. — Deixa de ser bobo. Tu tem talento, só precisa acreditar mais no que tu sente do que no que os outros falam. O jantar seguiu animado, mas o Rowan não tirava os olhos do filho. Dava pra ver que ele tava orgulhoso, mas também preocupado. A magia do Jacob tava ficando forte, e forte de um jeito que não vinha só dos livros, mas de algo muito mais visceral. Lá pelas tantas, quando a música dos alaúdes ficou mais baixa e o pessoal já tava na fase dos doces, a Aurora sentiu o pé do Jacob encostar no dela por debaixo da mesa. Foi só um toque de leve, mas pareceu um choque. Ela olhou pra ele, e ele tava ali, fingindo que tava muito interessado numa torta de maçã, mas com um sorrisinho de canto de boca. — Ei, Aurora… — ele chamou baixo, enquanto o Rei tava ocupado discutindo o preço dos tecidos com um nobre vizinho. — Fala. — Depois daqui… o que tu acha da gente ir lá pro pátio de novo? Sem treino, sem vozes, sem ninguém enchendo o saco. Só pra ver a neve cair com essa luz verde saindo pela chaminé. Aurora sorriu, aquele sorriso que deixava a pele de porcelana dela ainda mais bonita. — Eu acho que é a melhor ideia que tu teve hoje, místico. Mas ó, vê se não tenta fazer a neve ficar verde também, que aí já é exagero. — Prometo nada! — ele riu. Eles ficaram ali, trocando olhares enquanto o banquete ia chegando ao fim. O inverno de Winter era rigoroso, o destino era incerto e as sombras do passado ainda tavam por ali, mas naquela noite, entre o fogo verde e o cheiro de pinho, o que tava nascendo entre os dois parecia a única coisa verdadeiramente real naquele castelo de pedra
maguinifico
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