O sol tava tentando dar as caras entre aquelas nuvens cinzas e pesadas, mas o frio de Winter não tava pra brincadeira não. Era aquele tipo de gelo que parece que vai entrar no osso e ficar lá morando pra sempre. No castelo, o clima era de pura correria. Todo mundo tava pilhado com o festival que tava chegando, aquele em homenagem à Rainha Scarlet. Tinha gente pendurando flâmula, uns guardas carregando barril de vinho pra lá e pra cá e o cheiro de carne assada com ervas já tava impregnando até as cortinas de veludo. O Rei Louis IX tava no meio do salão principal dando ordens pra todo mundo, com aquela coroa dele brilhando tanto que chegava a ofuscar a vista. Ele tava numa vibe bem egocêntrica hoje, se olhando num espelho de prata enquanto um servo tentava ajustar o manto dele. — Ô, mestre, capricha nessa dobra aí! Eu quero parecer um monumento, tá ligado? O pessoal dos outros reinos tem que chegar e pensar: "Vixe, esse Rei aí é diferenciado". Não me venha com coisa meia-boca não, hein! O coitado do servo só balançava a cabeça, fazendo o que o rei mandava. Lá num cantinho mais de boa, perto de uma janela que dava pros jardins cobertos de neve, a Aurora tava sentada observando o movimento. Ela tava com um vestidinho grosso de lã, mas nem parecia sentir frio. O Jacob tava ali perto, tentando fazer umas paradas com umas pedrinhas pequenas. Ele girava a mão e as pedras flutuavam, mas do nada elas caíam e ele soltava um resmungo. — Pô, que saco! Esse vento gelado tá cortando minha concentração, Aurora. Acho que meus dedos estão virando picolé, na moral. Aurora deu um risinho, aquele jeito dela que parecia que tava tudo bem no mundo. — Deixa de ser frouxo, Jacob! Tu é um mago ou um boneco de neve? Daqui a pouco até a Luna faz magia melhor que você se continuar desse jeito. Jacob olhou pra ela e deu um sorriso de canto, todo convencido. — Ah, é assim? Então olha só esse bagulho aqui. Ele fechou os olhos, respirou fundo e começou a mexer os dedos de um jeito rápido. Do nada, um monte de faíscas azuis começou a brotar do chão, circulando os dois como se fossem vagalumes de inverno. Era uma cena bonita pra caramba, e a Aurora ficou ali, com os olhos brilhando, admirando o talento do guri. — Caraca, Jacob... isso foi maneiro demais. — Viu só? Eu tenho os meus truques, só preciso de um incentivo. De repente, a Luna brotou do nada, pulando no meio das faíscas e tentando pegar as luzinhas com a mão. — Eu também quero! Faz de novo, faz de novo! Jacob, você é o melhor amigo do mundo todinho! Jacob pegou a menina no colo e deu uma rodada com ela, rindo alto. — Calma aí, pequena! Se eu gastar toda a minha energia agora, não vai sobrar nada pro show do festival. Seu pai vai querer me dar um chute se eu não fizer nada impressionante na hora do jantar. A menina deu língua pra ele e saiu correndo atrás de um gato gordo que passava pelo corredor. — Ela tem uma energia que eu vou te falar, viu... não sei de onde sai tanto pique — comentou Jacob, limpando a neve da calça. — Ela é a cara da minha mãe nesse ponto. Meu pai diz que a Rainha Scarlet não parava quieta um segundo quando tinha festa. Ela queria saber de tudo, desde o tempero do porco até se os músicos tinham afinado as harpas. Aurora deu uma pausa, olhando pro pátio onde o Rowan, pai do Jacob, conversava seriamente com o Rei. — Às vezes eu fico pensando se elas estão vendo a gente agora, sabe? Tipo, de algum lugar por aí. Jacob parou de brincar com as pedras e ficou sério por um segundo, olhando pra Aurora com um jeito compreensivo. — Com certeza estão, Aurora. Papo reto. Meu pai diz que quem a gente ama nunca vai embora de verdade, só fica invisível pra gente não se distrair tanto. Mas ó, tua mãe ia estar orgulhosa pra caramba de ver como tu cuida dessa galera aqui. — Você acha mesmo? — Tenho certeza absoluta. Tu é a alma desse lugar, garota. Sem você, esse castelo seria só um monte de pedra gelada e um rei reclamando da capa. Aurora sentiu as bochechas ficarem mais rosadas do que o normal, e não era por causa do frio não. Ela deu um empurrãozinho de leve no ombro dele. — Para de ser bobo, Jacob! Vamos descer pra cozinha, o pessoal tava falando que ia sair uma leva de torta de maçã agora. Se a gente não chegar logo, os guardas vão comer tudo e não vai sobrar nem o cheiro pra gente. — Ih, torta de maçã? Agora tu falou a minha língua! Bora descer logo, que meu estômago já tá gritando aqui faz tempo. Eles saíram andando pelo corredor, mas no meio do caminho deram de cara com o Rei Louis, que tava saindo do salão com uma cara de quem ia aprontar alguma. — Ei, vocês dois! Onde pensam que vão com tanta pressa? Jacob, meu jovem, seu pai disse que você tava treinando uns fogos de artifício mágicos. Espero que sejam grandes, viu? Quero que o pessoal lá de longe consiga ver o brilho de Winter! Jacob deu uma ajeitada no capuz e fez uma reverência meio desajeitada. — Pode deixar, Majestade. Vai ser um estouro, literalmente. Só espero não explodir o telhado do castelo no processo. O Rei deu uma gargalhada alta, batendo no ombro do garoto com tanta força que ele quase foi pro chão. — Se explodir o telhado, a gente constrói outro de ouro! O importante é a moral da história! Agora vão, circulem, que eu tenho um reino pra governar e uma barba pra aparar. Quando o Rei se afastou, os dois se entreolharam e começaram a rir baixinho. — Seu pai é uma figura, Aurora, na moral. Ele não existe. — Nem me fala... tem dia que eu só queria um buraquinho pra me esconder quando ele começa com esses papos. Mas no fundo ele é um amor, só é meio exagerado. Eles chegaram na cozinha e o clima lá tava ainda mais louco. Tinha fumaça pra todo lado, gente gritando por causa de prato quebrado e um cheiro de canela que dava vontade de morar ali dentro. Uma das cozinheiras, a Dona Benta, uma senhora gordinha que conhecia a Aurora desde que ela era bebê, viu os dois e já foi logo pegando um pano de prato. — Fora daqui, vocês dois! Já disse que a torta só sai daqui a dez minutos! Se ficarem aqui no meio, eu vou acabar assando o braço de alguém por engano! — Poxa, Dona Benta, a gente só veio conferir se o tempero tava bom... — disse Aurora, fazendo aquela carinha de coitada que ninguém conseguia resistir. A velha suspirou e entregou um pedaço de pão quentinho pra cada um. — Comam isso e sumam da minha frente antes que eu mude de ideia. E você, seu mocinho da magia, vê se não transforma o fermento em pedra de novo, que eu quase quebrei um dente da última vez! Jacob riu, lembrando da confusão que tinha feito na semana passada. — Foi mal, Dona Benta! Eu só tava tentando fazer o pão crescer mais rápido, juro que foi sem querer. Os dois saíram da cozinha mastigando o pão e foram pro pátio externo. A neve tava caindo mais forte agora, cobrindo tudo com um tapete branquinho. O silêncio lá fora era o oposto da bagunça lá de dentro. Eles ficaram ali, encostados na mureta de pedra, vendo os flocos de neve caindo devagarinho. — Sabe, Jacob... eu gosto desse frio. Parece que o mundo dá uma pausa pra gente conseguir pensar. — É, eu também curto. Mas com você aqui do lado, o frio fica até mais suave, Aurora. Eles ficaram ali num silêncio bom, daqueles que não precisam de palavra nenhuma. O festival ia ser grande, a responsabilidade era enorme, mas naquele momento, eram só dois jovens tentando entender o que tava acontecendo dentro do peito enquanto Winter se preparava pra mais uma noite longa e escura. — Ei, Aurora... — Oi? — Acha que a gente vai ficar bem? Tipo, com tudo o que tá vindo por aí? Aurora olhou pra ele, viu a preocupação escondida naqueles olhos castanhos e segurou a mão dele, que tava gelada pra caramba. — A gente sempre fica bem, Jacob. A gente é de Winter, lembra? O gelo não quebra a gente, ele só deixa a gente mais forte. Jacob apertou a mão dela de volta e deu um suspiro de alívio. — É... você tem razão. Vamos lá terminar de organizar essa bagunça, que se a gente não aparecer, meu pai é capaz de invocar uma tempestade só pra achar a gente. — Vixe, nem brinca com isso! Bora logo. Os dois voltaram pra dentro, prontos pra encarar o que quer que o destino estivesse guardando pra eles naquela noite de inverno.
Que história meus amigos! A Aurora foi altruísta apesar das batalhas que ela teve, nada a parou ! Seguiu em frente! Sem nem olhar o que tinha para ela!
ameiiu
2h
0Que história meus amigos! A Aurora foi altruísta apesar das batalhas que ela teve, nada a parou ! Seguiu em frente! Sem nem olhar o que tinha para ela!
3h
0eu quero 500
23h
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