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Capítulo 5 - Efeito

Queimando.
   Minha pele estava queimando.
-Rosy. - ouvi uma voz ao longe - Droga.
   A sensação era que eu estava sendo queimada de dentro para fora, como se meu sangue vampiro estivesse fervendo e quisesse sair por cada poro do meu corpo.
   Eu sabia que estava me debatendo, senti alguém me segurando. Havia mais pessoas onde quer que eu estivesse, ouvi as vozes ficando mais perto de mim, mas não conseguia reconhecer de imediato.
Quem eram mesmo aquelas pessoas?
Quem eu era?
-O que vamos fazer? - era uma voz que eu conhecia. Mas de onde? - Mãe, o que faremos? - era um rapaz, ele estava visivelmente desesperado, como se algo tivesse atingido a sua parte mais vulnerável.
-Não há nada que podemos fazer enquanto não soubermos o que era aquele líquido transparente. - a voz era doce, calma. Ela estava realmente calma ou estava tentando acalmar o rapaz?
   Do que eles estavam falando?
-Eu disse pra ela jogá-lo fora. - ele estava desesperado. - Ela me impediu de fazer isso. A culpa foi minha.
   Jogar fora?
Foi então que me lembrei. Meu aniversário. Uma surpresa. Presentes. A seringa.
-Da. Ni. El. - consegui  falar com dificuldade. - Quei. Ma.
-Eu tenho que fazer isso parar, mãe. - Daniel estava realmente desesperado. Ele estava quase em prantos.
-Vamos esperar o efeito passar. - foi a resposta dela - Se ela está conseguindo falar significa que está melhorando. Veja, até parou de se debater.
  Ela tinha razão. A queimação estava diminuindo, mas eu me sentia fraca demais para falar qualquer coisa. Então só fechei os olhos e deixei a insciência tomar conta de mim.
   Acordei não sei quanto tempo depois sentindo uma vontade imensa de comer pizza. Há tempos eu não sentia algo tão forte. E sede. O que estava errado comigo?
   Abri os olhos lentamente, tentando adequar meus olhos a claridade do ambiente. Tinha alguém sentado na beira da cama. Era Milly.
-Rosy? - ela disse, chegando bem perto de mim e segurando minha mão - Está tudo bem? Sente alguma coisa?
-Sede. - consegui falar, minha voz saiu rouca.
-Vou pegar um pouco de sangue pra você. - ela disse já andando em direção a porta.
-Não. - eu disse rapidamente, parecia loucura, mas a ideia de beber sangue me enojou, não me vi fazendo aquilo. - Água. Quero água.
   Ela estreitou os olhos, mas assentiu e saiu, me deixando sozinha.
  Eu precisava recapitular o que aconteceu e entender o motivo de recusar sangue. Eu era uma vampira, estava na minha natureza.
   Senti vontade de vomitar e corri para o banheiro.
  Certo. Correr não é bem palavra. Onde estava minha super velocidade? Cambaleei algumas coisas antes de chegar a privada.
  Depois de colocar todo o café da manhã pra fora, me olhei no espelho.
  Eu estava pálida, meus olhos estavam verdes, mas era um verde de antes. De bem antes da diretora entrar na minha vida.
   Lavei meu rosto e voltei ao quarto com a sensação de que aquele não era meu lugar, o que parecia loucura, pois aquela era minha casa agora.
   Milly entrou no quarto com uma jarra de água, Daniel, a diretora e Andrew.
-Você está bem? - Daniel perguntou, me abraçando, me ajudando a sentar na cama.
  Apenas assenti e bebi quase toda a água da jarra. Parecia que eu tinha acabado de sair do deserto depois de 100 dias.
-Depois que beber o sangue vai se sentir melhor. - disse Milly. - Vou buscar, você quer?
-Não. - respondi rapidamente - Quero comer. - todos olharam para  mim - Pizza.
   Milly saiu do quarto levando a jarra.
-O que está sentindo? - perguntou Andrew, se ajoelhando na minha frente.
-Fome. - eu disse - Por quanto tempo dormi?
  Eles se entreolharam.
-3 dias. - Helena respondeu - 3 longos dias.
-E o que aconteceu? - perguntei - Sabem o motivo de eu ter apagado por tanto tempo? O que tinha na seringa?
-Ainda não sabemos. - Daniel disse, sentando ao meu lado. - Seu cheiro está muito bom.
-Daniel, isso não é hora para... - Helena começou, mas Andrew a interrompeu.
-Não, ele está certo. - ele chegou mais perto e apurou o olfato em minha direção m - Ela está cheirando a sangue humano.
   Olhei para Helena, ela arregalou o olhos quando sentiu o que quer que fosse.
-Algo está errado. - ela disse - Rosy, consegue usar seus poderes? Qualquer um.
-Não sei. - eu disse - Me sinto um pouco fraca. Com fome.
   Neste momento Milly e Ursulla entraram no quarto com três fatias de pizza e mais algumas comidas e frutas que devorei em menos de dois minutos. Eu não fazia ideia de como elas arrumaram pizza tão rápido àquela hora, mas estava contente.
Logo eu estava me sentindo mais acordada. Viva. Satisfeita.
-Você consegue sentir o cheiro de qualquer um de nós? - Helena me perguntou.
-O cheiro de vocês está normal. - eu disse - Não?
-Consegue correr? - Andrew perguntou - Na velocidade de vampiro, quero dizer.
-Tentei antes de vocês entrarem, mas não. - respondi, mais preocupada que antes.
-Impossível. - foi a primeira vez que Ursulla falou. Todos a olharam - Não pode ser.
-Ursulla, - Daniel começou - Você sabe o que está acontecendo?
-Isso é logicamente impossível. - o olhar dela estava perdido no meu rosto - Rosy. Ela é humana.

Book Comment (2224)

  • avatar
    LuisaIsadora

    ameii a história tá mt legal

    1d

      0
  • avatar
    Pedretti

    Gostei bastante do romance

    1d

      0
  • avatar
    Fagundes cesarioLiliane

    Gostei muito do início de Escola de Vampiros – Curada. A premissa já chama atenção logo de cara: misturar o ambiente de uma escola com esse universo de vampiros, e ainda com esse detalhe de “curada”, já deixa a gente pensando no que isso significa e qual o conflito principal da história. O autor soube apresentar bem o cenário, a rotina diferente desse lugar e os primeiros traços dos personagens, sem explicar tudo de uma vez só — deixou várias perguntas no ar que fazem a gente querer continuar le

    5d

      0
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