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Capítulo 3 - Um encontro inesperado

- Rosy, vamos. - disse Daniel colocando a cabeça dentro do meu quarto.
   Eu estava terminando de pentear meu cabelo escuro, agora na cintura. Usava um vestido azul claro rodado com estampa lisa e uma sapatilha, o lugar para onde iríamos não precisava de uma grande produção e de qualquer maneira, eu não teria tempo de me produzir considerando que estávamos saindo fugidos.
- Estou indo. - Olhei uma última vez para meus olhos verdes procurando algo errado, como não encontrei corri até a porta e dei um beijo rápido em Daniel fechando-a em seguida.
   Um dia. Faltava um dia para meu aniversário e eu realmente não estava animada com isso, só queria que passasse logo. Não que eu não gostasse do meu aniversário, afinal era o dia que eu estaria comemorando mais um dia de vida e aquilo era bom, em parte. Era muito louco pensar que eu estaria comemorando meu segundo ano vampira, sendo que a vida inteira eu pensava ser humana.
    Meus dias estavam bem corridos, tanto que não pensei tanto na seringa que recebi como gostaria. Ela ainda estava intacta, do mesmo jeito que a deixei a dois dias. Não tenho certeza o que pretendia fazer com ela, mas algo dentro de mim estava muito curiosa para saber do que se tratava e saber como descobrir isso, era uma preocupação para meu eu em um futuro não muito distante. Meu eu do presente precisava escapar da escola escondido com meu namorado perfeito.
   Passamos correndo pelos corredores da escola enquanto, eu sabia, o professor Reynalds estava distraindo a diretora para que ela não suspeitasse da nossa escapada, embora eu desconfiasse de que ela já sabia.
    Quando passamos pela entrada principal da escola sem sermos abordados por ninguém e ainda tínhamos um campo imenso a percorrer, tivemos que usar nossas habilidades sobre humanas de velocidade para chegarmos aos portões da escola e pegar o carro de Daniel escondido na mata.
Paramos próximo do carro e de repente ele me beijou, ainda com o corpo pulsando de adrenalina. Eu amava cada parte dele.
   Assim que entrei no carro senti a adrenalina diminuir. Eu adorava nossa fuga e acima de tudo, adorava que Daniel estivesse comigo.
- Então o que vai ser hoje? - me perguntou Daniel ao ligar o carro.
- A cidade? - arrisquei.
- Você que manda, meu amor.
   Assim que ele deu a partida e acelerou senti algo e olhei pela janela, era estranho, mas tive a sensação de estar sendo observada, o que era ridículo considerando que ninguém desconfiava que era uma escola de vampiros. Os humanos acreditavam que a High School Sky era uma espécie de reformatório para pessoas esquisitas, além de ser bem longe da cidade.
    Cerca de duas horas e meia depois, Daniel estacionou em frente ao shopping.
- Eu tinha outra coisa em mente. - falei saindo do carro. - O que estamos fazendo aqui?
- Pensei em darmos uma volta lá dentro. - disse ele - Ver um filme. Vai ser divertido.
   Daniel me beijou e segurou na minha cintura.
- Se você tivesse dito eu teria me vestido melhor. - falei ao passarmos pelas portas do enorme shopping da cidade.
- Bobagem. - ele riu. - Você está linda. Mas o que tinha em mente mesmo? Posso reconsiderar - finalizou, me lançando um olhar malicioso. Eu ri.
   Eu olhei para ele, não acreditando muito no que me disse e então olhei ao redor, para as pessoas.
   Uma mulher estava passeando com o marido e a filha de aproximadamente 3 anos de idade, pareciam muito felizes. Mais adiante, em uma mesa, um grupo de meninas conversavam animadamente enquanto, na mesa ao lado, o mesmo número de rapazes as olhavam. O que estavam esperando para chegar nelas? Depois que me descobri vampira, percebi algumas coisas que me irritavam em humanos. A falta de atitude era uma delas. Precisavam ter mais coragem para fazer as coisas, só precisavam chegar nelas e conversar.
   Ri sozinha ao imaginar a cena. Daniel me deu uma olhada confusa e só sorri para ele, que retribuiu.
   Continuamos caminhando, passamos por um menino chorando aos pés da mãe por querer um brinquedo do qual ela se negava veementemente a dar. Vi um casal idosos sentados juntos em uma das muitas mesas da praça de alimentação, estavam contentes com o que quer que fosse e aquela era uma cena que eu queria viver um dia, com o amor da minha vida. Um pouco mais afastado, entrando na praça de alimentação, vi uma silhueta que eu podia jurar conhecer, mas não podia ser.
  Sim. Era.
   Andando em minha direção com o mesmo cabelo loiro ondulado, agora um pouco mais curto e os mesmos olhos âmbar, estava...
  Andrew.
   Não consegui me mexer por alguns segundos, tempo suficiente para eu ter certeza de que era ele e não uma miragem.
   Corri, na velocidade humana, claro, para abraçá-lo e só então realmente acreditar que estava na minha frente, bem, a salvo e, devo dizer, bonito.
-Também senti sua falta, Rosalie. - ele disse e só então me dei conta do quanto sentia falta de como ele chamava meu nome.
- O que faz aqui? - eu disse ao soltá-lo é praticamente sacudi-lo
   Ele riu.
- Eu esperava um: "Nossa, que saudade de você, Andrew, eu estava sufocando perto de Daniel".
    Tive que rir também.
- Nos vemos na escola. - disse Daniel tentando ser ameaçador enquanto se aproximava de nós. - Nunca vai desistir de cantar minha namorada?
- Não enquanto ela não for minha. - disse Andrew em resposta e piscou pra mim.
- Não abuse da sorte. - disse Daniel, irônico, mas riu também. Áquela altura, ele já deveria estar acostumado com as brincadeiras de Andrew.
   Rimos e sentamos numa mesa um pouco mais afastada das pessoas, pedi um sorvete de Sundae, meu preferido.
- Não foi o que eu quis dizer, Andrew. - eu disse
- Eu sei, docinho. - ele falou - Combinei com Daniel. Pedi a ele para te trazer aqui. Um encontro na escola seria muito clichê. Você sabe que eu gosto de ser único e inesperado.
- E ele aceitou? - perguntei, olhando especulativamente para meu namorado.
- Tudo pela sua felicidade. - Daniel disse, sorrindo para mim. - Eu sabia que você ia gostar de vê-lo antes de eu arrancar o pescoço dele.
   Andrew fez uma expressão como se tivesse sido ofendido.
- Assim você me magoa. - ele disse a Daniel. - Achei você estivesse tentando ser meu amigo por gostar de mim.
- Eu até gostaria. - disse Daniel com um sorrisinho nos lábios - Mas você é apaixonado pela minha namorada e isso é uma ameaça.
- É. - disse Andrew - Pode ser que esteja certo.
- Gostava mais de você quando estava longe. - disse Daniel, revirando os olhos.
   Nós rimos e Andrew se virou para mim:
- Queria te fazer essa surpresa de aniversário adiantada. Fiz de tudo para chegar á tempo. Acredito que tenha lido minha carta de enganação. Tinha que te fazer acreditar que eu não viria.
- Estou muito feliz que veio. - eu disse - Melhor presente adiantado que vocês poderiam ter me dado.
- Mas ainda não te dei seu presente. - disse Daniel se levantando. - Venha, está na hora de voltarmos para a escola. Tenho certeza que Andrew terá muito tempo de contar sua viagem pelo mundo depois.
- O que está aprontando? - perguntei ao levantar, Andrew fez o mesmo, sorrindo.
- Eu? - Daniel apontou para si mesmo. - Nunca apronto nada, meu amor.
   Seguimos para o carro. Andrew estava em um que alugou e por isso não podia aceitar nossa carona, mas seguiria logo atrás.
Pensar em Andrew na cidade era maravilhoso, nem em meus melhores sonhos imaginaria estar com meus melhores amigos e o amor da minha vida em uma das datas mais importantes do ano para mim, mesmo que eu não me importe muito com meu aniversário. Que lembrei novamente, é amanhã.
   Enfim eu me sentia completa. Nada poderia dar errado. Nada poderia acontecer.
Céus!
   Como eu estava enganada.

Book Comment (2224)

  • avatar
    LuisaIsadora

    ameii a história tá mt legal

    3d

      0
  • avatar
    Pedretti

    Gostei bastante do romance

    3d

      0
  • avatar
    Fagundes cesarioLiliane

    Gostei muito do início de Escola de Vampiros – Curada. A premissa já chama atenção logo de cara: misturar o ambiente de uma escola com esse universo de vampiros, e ainda com esse detalhe de “curada”, já deixa a gente pensando no que isso significa e qual o conflito principal da história. O autor soube apresentar bem o cenário, a rotina diferente desse lugar e os primeiros traços dos personagens, sem explicar tudo de uma vez só — deixou várias perguntas no ar que fazem a gente querer continuar le

    7d

      0
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