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CAPÍTULO 06

Eirene descobriu que, quanto mais tentava entender o que se passava consigo, mais as coisas ficavam complicadas. Era melhor simplesmente não tentar entender e ignorar; ou, simplesmente aceitar que novas sensações vibravam em seu coração aflito.
Por que?
Naquele turbilhão?
Naquelas circunstâncias?
Por que justo ela?
Era a primeira vez que tal sentimento ardia em seu peito. E, embora receosa pelo medo do desconhecido, algo em seu íntimo a fazia imaginar como seriam as coisas se não estivessem todos naquela atual situação.
Se ele não fosse o que é.
000
— É apenas uma questão de tempo até Ágoston dominar todos os quatro reinos.
A senhora de pele negra e olhar muito gentil comentou sentando-se na mesa. No mesmo recinto, estava o moreno de cabelos longos. Bebericando uma xícara de chá.
— É tão triste ver tudo o que está acontecendo! Sem poder fazer nada!
— Tudo está como deve ser. — murmurou ele. A senhora, cujo nome era Amália, olhou um tanto séria para o rapaz.
— Achas justo pessoas morrendo de fome? Pessoas dormindo ao relento por não terem mais um lar? — olhar dentro dos olhos dele para tentar descobrir o que se passava não era uma missão fácil, pois ele estava constantemente desviando o foco para outro lugar. Como se não quisesse ser desvendado. — achas justo, Keidan?
Ele deu de ombros.
— Um azar e tanto. Eis que percebemos que é uma péssima ideia vir ao mundo! Infelizmente, não podemos impedir que as pessoas façam bebês.
A mulher meneou a cabeça negativamente.
— Não te faças de desentendido. Me responda uma coisa; sente-se feliz lutando ao lado errado da estória?
— Não existe lado certo ou errado, vovó Amália. As coisas são como são. O mundo sempre foi injusto. E sempre será.
— Por que está fazendo isto? — havia muita tristeza no olhar da senhora. Viu Keidan crescer. Esteve ao lado dele na maior parte de sua vida, quando ainda era uma criada na mansão Venturi. Deu amor e atenção para uma criança que era negligenciada pelos próprios pais. Para uma criança que cresceu em meio à regalias, mas que lhe faltou o essencial; amor de pai e mãe. Quando Keidan estava doente, era Amália quem lhe cuidava. Apesar de tudo ele sempre foi um menino amoroso e doce. Bem. Até certo ponto. — Quando foi que você se perdeu tanto?
Ele não respondeu. Seu olhar, antes carregado de um nada típico, tornou-se sombrio com a frase final.
— Tantas decisões erradas fizeram com que o meu Keidan, aquele menino cheio de luz, fosse guiado e amparado pelas sombras do mundo. — ela tomou as mãos dele nas suas, fazendo-o encará-la pela primeira vez naquele dia. — Mas, eu acredito que o verdadeiro Keidan ainda está aí, bem escondidinho em algum canto. Para que ninguém o machuque outra vez.
Silêncio total.
— Não o mate. Traga-o de volta. Antes que seja tarde.
Ele nada respondeu. Seus olhos de Ónix, indecifráveis, observavam a idosa de presença terna. E assim permaneceram por um tempo.
Até o rapaz recolher as mãos.
— Como eu disse...as coisas são como são.
— Não irei desistir de ti. Saiba disto. Por mais que erre tanto.
000
Os olhos de Eirene vasculhavam pelo enorme campo de garimpo, curiosos e atentos. Mais um dia de trabalho escravo. Ou melhor; o último dia de trabalho escravo, pois, naquela mesma noite, ela estava decidida a fugir de Celborbun com seus irmãos outra vez. Nem que isso lhe custasse a vida. Ao menos, tentaria levar Klaus e Liana para longe das fronteiras daquela cidade maldita.
— Parece que estás procurando por alguém. Seja um pouco mais discreta...— a voz de Edith, uma mulher ruiva e rechonchuda ao lado, chamou-lhe a atenção. A jovem soltou um longo suspiro. Respondeu:
— Ahh, Edith...porque o coração é tão complicado?
A mulher olhou-a de um jeito esperto, e sorriu.
— Estás apaixonada, menina? — a pergunta um tanto direta assustou Eirene.
— Por que diz isto? — a mais nova sorriu, visivelmente desconfortável.
— Dá para ver em teus olhos!
Eirene queria dizer o quão a ruiva estava enganada. Mas, além de uma péssima mentirosa, também era uma péssima atriz; havia um brilho diferente em seus olhos amendoados, comumente conhecidos por carregarem tristeza.
— Eu...acho que...sim. Eu estou. — Murchou os ombros.
— Não pareces satisfeita com isto. — Edith observou. Era verdade. Eirene repudiava completamente aquele sentimento.
— Ele não pode ser meu e nem eu posso ser dele. Pertencemos à mundos diferentes.
— Que bobagem! — ralhou a ruiva. — Quando ambos se amam, todas as barreiras são rompidas.
Eirene suspirou, tristemente.
— Não posso amar um assassino. — tal frase assustou um pouco a mulher de cabelos acobreados. — e, além do mais, nem sei se ele sente o mesmo por mim.

Comentário do Livro (2118)

  • avatar
    Robert Dos Santos Silva

    esse livro é muito bom

    03/01

      0
  • avatar
    GuimarãesDaiane

    uma bosta gostei muito

    08/03/2025

      0
  • avatar
    Soares MorenoIsabella

    muito bom

    18/02/2025

      0
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