Vladmir era um planejador nato. Alex sempre foi considerado o mais inteligente, mas por conta do seu pensamento acelerado, nem sempre conseguia expressar bem o que pensava. Mas Vlad estava acostumado a dar ordens específicas, e suas festas cheias de pompa e detalhes demonstrava o quanto ele era bom em planejar. Owen roía as unhas o tempo todo, nitidamente nervoso com cada passo que nosso irmão descrevia . Zander mantinha a cara fechada e os braços cruzados, concentrado para não cometer nenhum erro durante o resgate de nosso reino, mas principalmente de seu gêmeo. E por falar em gêmeo, o meu ainda não me olhava nos olhos. Depois da conclusão da competição, os dois novos casais juntariam as tropas de Elliwe e Rithan para atacar os invasores em Kibtaysh, tomando cuidado para não acertar as pessoas erradas. Espiões já haviam sido implantados, e até ajudaram o rei e a rainha de Bulhart a escapar sem que suspeitas corressem para eles. Tínhamos a vantagem, estávamos em mais pessoas, mas se isso tudo estivesse de fato ligado ao herdeiro negro, que tirava os poderes das pessoas... não fazíamos ideia do que aquilo poderia significar. A comida acaba mas a reunião se extende em explicações de mapas e planos de precaução, se tudo der errado. O medo invade todos nós, mas concordamos que os casais sejam salvos primeiro, já que são o foco principal para produzir herdeiros. Quando começamos a nos retirar de volta a nossos quartos, sinto minhas pálpebras pesadas, me convencendo a deixar a conversa com Lúcios para outro dia. Mas ele não parece pensar o mesmo. O homem me segue por todo o trajeto até meu quarto com o teto recém-concertado, mantendo uma distância respeitosa sem puxar assunto. Dormir em um quarto que meses antes havia sido invadido por soldados Ornianos que tentaram me matar ainda me assustava, mas que escolha eu tinha? — Por que está me seguindo? Pergunto parando abruptamente para encara-lo. O príncipe me olha de cima a baixo , depois se aproxima devagar deslizando os dedos pela parede branca. Suas formas entram e saem das sombras conforme ele se aproxima, as luzes da lua passando pela janela até sua bochecha que brilha com o toque. Dou alguns passos para trás, mas ele não ousa de aproximar demais. — Não estou te seguindo princesa, meu quarto é no fim do corredor. Minhas bochechas ardem em vergonha, quero pedir desculpas mas parece bobo. Sinto que ele caçoara de mim depois disso por um bom tempo. — Mas... já que estamos aqui... Ele levanta uma das mãos para ajeitar uma mecha rebelde do meu cabelo atrás da orelha. Seu polegar desliza da minha bochecha ao meu queixo, enviando vibrações por todo o meu corpo. Então afasto aquela mão enorme e petulante com um tapa. Imediatamente me arrependo, mas o homem ri. Apenas... ri. — Já disse que não quero isso de você princesa. Estremeço quando ele pega um de meus longos cachos e leva até o nariz, fungando profundamente o cheiro do meu cabelo. — Não sou como esses príncipes de coração mole que querem te despir — ele ronrona cada vez mais perto do meu ouvido — só quero uma coisa de você princesa. Me retraio dando um passo para trás, mas percebo que estou contra a parede. Ele apoia uma das mãos ao lado da minha cabeça, ainda com um dos meus cachos na mão. — O que quer então Lúcios? Toda a minha tentativa de manter na minha voz o mínimo de firmeza se esvai pelos ares. Ele está perto demais, seu cheiro penetra em mim como veneno. Nossos narizes quase se tocam por conta de sua pose encurvada, sou obrigada a olhar em seus olhos. Ele mantém aquele sorriso malicioso com caninos afiados, como se tivesse controle de tudo. — Podemos entrar para conversar melhor? Ele aponta a porta do meu quarto com a cabeça. Não havia notado que ela estava a poucos passos de distância. Sem confiar em minha própria voz, concordo com a cabeça e passo por baixo de seu braço para alcançar alguma distância entre nós. Lúcios deslisa pela porta de entrada e a trança atrás de si, nos confinando. Me senti na cama retirando os saltos dos meus pés inchados, e estico os dedos em alongamento enquanto percebo Lúcios me observar . — Pode começar a falar. — Certo Me aproximo dele e viro de costas, indicando o corpete com o polegar. Mas ele permanece parado sem entender. — Já que está aqui, pelo menos me ajude a tirar essa coisa. Lúcios ri, desamarrando habilmente o corpete das minhas costas. O tecido matreperola deslisou pelo meu corpo até o chão, me deixando um balão de tecidos soltos. O movimento foi tão repentino, que até eu acabei soltando uma gargalhada acompanhada da de Lúcios. Puxei uma camisola do armário e me enfiei atrás do biombo em que meses antes eu estive com o irmão do homem presente em meu quarto. — Você sabe, essa competição é no mínimo um desperdício. Sei de seus sentimentos por Jasper e apesar de não admitir, conheço meu irmão e sei que ele também gosta de você. Mas esperar amor em um casamento real é no mínimo idiotice. Nenhum dos dois é forte o suficiente.O príncipe Finn tem boas tropas, mas apesar de o filho de vocês ter a possibilidade de controlar os dois elementos, também pode ocorrer de um anular o outro e ele nascer sem nenhum. Termino de ajustar o roupão rosa-claro por cima da camisola e cruzo os braços na frente do peito conforme me dirijo de volta para minha cama. — E isso coloca você em primeira opção? O príncipe revela aquele sorriso irônico mais uma vez, e desliza os pés em minha direção, mas indico o sofá do outro lado do quarto. Quando nos sentamos, a lembrança do perfume de Jasper inunda minha mente. Da noite em que ele me contou seus demônios, a noite em que mostrou seu rosto. Evito demonstrar qualquer reação enquanto ele continua a falar: — Na teoria. Eu sou o mais forte, e não vou exigir exclusividade de você nunca. Poderá ter suas diversões e eu terei as minhas. Seja rainha, que eu me contento em ficar ao seu lado fingindo ser um bom rei. Deixo que um riso me escape. Estico as pernas diante de mim avaliando a situação. Mas não, eu não queria viver nas sombras, queria me casar por amor, seguindo o que Edwin tanto defendia. Lúcios não era confiável, não me passava segurança e de maneira nenhuma eu me entregaria a um homem assim. Que benefícios ele poderia trazer ao meu reino? — Se você é mesmo o mais forte, então prove. Na competição. Não terá problemas com isso certo? Meu ar de satisfação aumenta quando ele emite um som de frustração. Então se levanta e começa a andar em direção a porta, mas algo o faz parar e voltar a me encarar com aqueles olhos cinza-claro. — Só queria ajudar. Não é uma competição de esgrima princesa, tenha certeza disso. E não se esqueça... eu e Edwin fomos geneticamente modificados por torturas. Existem partes em nós que não são mais humanas. Lúcios me deixa só com minhas dúvidas e pensamentos. Será que Edwin ainda não havia aprendido a controlar o poder que matou uma aldeia inteira? E Lúcios, possuía o mesmo poder? Como seria justo competir com alguém assim? Abracei meus joelhos e pelas próximas horas não dormi. Mas quando dormi, aquele sonho onde meu irmão era decaptado reapareceu. Mas dessa vez, eu podia distinguir seu rosto. Era Arlo.
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um livro ótimo 😍
9d
0Muito bom
16d
0muito bom
13/05
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