Bab 1 O Encontro Desastroso no Bar da Vila Madalena
A noite em São Paulo tinha um cheiro peculiar, tá ligado? Era aquela mistura doida de fumaça de espetinho na esquina, cheiro de asfalto molhado e o perfume doce das flores que brotavam no meio daquele monte de prédio. Para Camila, era o cheiro da liberdade. Naquela sexta-feira, depois de uma semana ralando no estágio que nem uma condenada, tudo o que ela queria era um drinque gelado e uma conversa fiada com a Lívia, sua melhor amiga. — Mano, tu não tem noção do veneno que eu assentei hoje! — Lívia já chegou chegando, sentando na mesa com os cabelos coloridos todos bagunçados. Camila jogou a bolsa pesada no chão, cheia de tecido e desenho, e soltou um suspiro que parecia que o pulmão ia sair junto. — Calma aí, ô apressada! Deixa eu pedir uma caipirinha primeiro, senão eu nem sinto minhas pernas. Meu chefe é um mala, me fez refazer a coleção toda porque disse que a roupa não tinha "vibe de inovação". Dá pra acreditar? Lívia começou a rir, aquela risada escandalosa que todo mundo no bar olhava. — Ah, o mundo corporativo é osso, amiga! Mas ó, esquece esse truta. Tenho um babado fortíssimo pra te contar. O bar tava bombando. O som tava num indie rock bem animado, e Camila ficou ali brisando, olhando a galera passar. Ela curtia essa vibe de SP, onde cada pessoa parece que tá vivendo um filme diferente. Mas a paz durou pouco. De repente, um tranco. Camila sentiu um bagulho gelado descendo pelas costas, molhando a blusa branca de seda que custou um rim. — Ah, não! Tá de brincadeira com a minha cara! — ela gritou, sentindo o gelado da cerveja. — Puta merda! Que mancada! — uma voz grossa e meio irritada veio de trás dela. Camila virou no veneno, pronta pra soltar os cachorros. Na frente dela tava um cara alto, de óculos, com cara de quem não dormia há três dias mas que, mesmo assim, era bem bonitão. Ele segurava uma bandeja e parecia tão puto quanto ela. — Ô meu parça, você tá cego? Olha o que você fez com a minha blusa! — Camila mandou a real, apontando pro estrago. O cara não baixou a guarda não. Ele olhou pro chão, pros cacos de vidro e depois pra ela, com uma cara de deboche. — Eu cego? Você que recuou a cadeira sem olhar, parece que tá sozinha no mundo! Perdi minha cerveja artesanal nessa brincadeira. — Ah, pronto! Agora a culpa é minha? Você vem vindo feito um caminhão desgovernado e eu que sou a errada? — Escuta aqui, garota, eu só tava tentando passar. Se você soubesse ocupar menos espaço com essa bolsa gigante aí, nada disso teria acontecido. Lívia, vendo que o tempo ia fechar de vez, entrou no meio da confusão. — Ô gente, vamos baixar a bola? Foi um acidente, pô! Todo mundo já bebeu um pouco, vamos ficar de boa. O cara, que tinha aquele estilo de quem manja tudo de tecnologia e design, deu uma olhada de cima a baixo na Camila. — Foi mal pela blusa. Mas você também tem que ficar mais esperta. Meu nome é Mateus. Camila cruzou os braços, bufando. — Camila. E "foi mal" não limpa seda, tá sabendo? — Tá, entendi. Você é do tipo difícil. — Ele deu um sorrisinho de lado que, no fundo, a Camila achou bem charmoso, mas não ia admitir nem morta. — Quer saber? Eu te pago outra coisa pra beber e a gente esquece esse bafafá. — Uma bebida não paga o prejuízo. Essa blusa é peça única do meu portfólio de design! Mateus soltou uma risadinha debochada. — Design? Sei... Se quiser, eu te dou o contato de uma lavanderia gringa que resolve isso. Ou a gente pode só parar de brigar e curtir o som. Que tal? — Você é muito convencido, sabia? — Camila retrucou, mas a raiva já tava passando e dando lugar pra uma curiosidade estranha. — É o que dizem por aí. Mas ó, eu sou gente boa quando não derrubam minha bebida. Lívia deu uma cotovelada na amiga. — Vai lá, Camila! O cara tá tentando ser legal, para de ser chata! Camila olhou pro Mateus. Ele tinha um jeito de "coolguy" que irritava, mas os olhos dele brilhavam de um jeito diferente sob as luzes neon do bar. — Beleza, Mateus. Aceito a bebida. Mas fica esperto, porque se você esbarrar em mim de novo, eu te faço limpar o chão com a sua camiseta de marca. — Gostei da marra! — Mateus riu, dessa vez de verdade. — Vou pegar um drinque pra gente. Não sai daí, "estilista". Enquanto ele ia pro balcão, Lívia puxou Camila pelo braço, quase tendo um treco. — Amiga, você é muito lerda! Você sabe quem é esse cara? — Um grosso que derruba cerveja nos outros? — Não, sua boba! Ele é o Mateus Vergueiro. O cara é um gênio da arquitetura sustentável. Ele ganhou aquele prêmio internacional de inovação tecnológica no ano passado! Ele mora no meu prédio, vive enfiado naquele escritório de vidro no centro. Camila gelou. Ela já tinha ouvido falar dele nas aulas da universidade. O cara era uma lenda urbana dos negócios e da tecnologia aplicada ao design. — Mentira... Aquele cara é o Mateus Vergueiro? E eu chamei ele de trator? — Pois é! E ele tá ali agora, pegando um drinque pra você. Isso que é sorte no azar, hein? Mateus voltou com dois copos coloridos e entregou um pra ela. — Um drinque especial da casa pra compensar a seda. E aí, aceita as desculpas ou vai continuar com essa cara de quem comeu e não gostou? Camila deu um gole na bebida, que tava muito boa por sinal. — Aceito. Mas ainda acho que você devia prestar mais atenção por onde anda. — E eu acho que você devia levar menos trabalho pra um bar. Aquela bolsa ali parece que tem o mundo dentro. — São meus sonhos, Mateus. Sonhos pesam. Ele ficou em silêncio por um segundo, olhando pra ela de um jeito mais sério, menos debochado. — É, eu sei bem como é isso. Meus projetos também não são leves. — Ah, é? O grande arquiteto também sofre? — Ela provocou, lembrando do que Lívia disse. Ele sorriu, mas era um sorriso mais cansado. — Todo mundo rala nessa cidade, Camila. O segredo é saber quem vai estar do seu lado quando a cerveja cair de verdade. A conversa fluiu. Eles passaram o resto da noite trocando ideia sobre design, tecnologia e como São Paulo era uma cidade doida que sugava a energia da gente. Camila descobriu que, por trás daquela pose de marrento, Mateus era um cara que também tinha vindo de baixo, um órfão que lutou pra caramba pra ser o gênio que era hoje. Quando o bar já tava fechando, Mateus pegou um guardanapo e escreveu um número. — Ó, se a mancha não sair, me liga. Ou se quiser discutir mais sobre a "alma das blusas", eu tô por aí. — Você não esquece, né? — Camila riu, guardando o papel. — Sou gênio, lembra? Memória de elefante. Falou, Camila. A gente se vê por aí nas esquinas da vida. Ele saiu caminhando com aquele jeito despojado, e Camila ficou ali, olhando ele sumir no meio da neblina da madrugada paulistana. Ela sentia que aquele encontro desastroso era só o primeiro capítulo de uma aventura muito maior. O contra-ataque dela na vida tava só começando, e talvez, aquele "inimigo" de bar se tornasse o aliado mais importante que ela já teve. — E aí, amiga? — Lívia apareceu do lado, toda animada. — O que achou do "trator"? Camila sorriu, sentindo um frio na barriga que não era da bebida. — Acho que a gente vai ter muito o que conversar ainda, Lívia. Muito mesmo. A noite terminou, mas o fogo daquela conversa ficou aceso. No campus da vida, Camila tinha acabado de ganhar uma lição que não tava nos livros: às vezes, o maior sucesso começa com um esbarrão e uma blusa manchada de cerveja. O "doce amor" que ela sempre quis talvez tivesse uma cara de ranzinza e usasse óculos de grau, mas ela estava pronta pra descobrir cada detalhe dessa história que estava apenas na introdução. Demorou, mas saiu! Se liga que agora o clima vai esquentar e o bicho vai pegar no trampo. Camila achou que o Mateus era só um carinha de bar, mas a realidade vai dar um tapa sem luva nela.
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Komentar Buku (94)
SousaLuana
que livro mais incrível...
9d
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Vitoriamaria
Livro maravilhoso!
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CarneiroGabriele
muito cheio de linguagem que só quem mora no estado sabe. acaba ficando chato
que livro mais incrível...
9d
0Livro maravilhoso!
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0muito cheio de linguagem que só quem mora no estado sabe. acaba ficando chato
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