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– Kim, eu fiz algo estupido.

– Daisy, a comida chegou. Você… – Kim abre a porta do quarto e me encontra com a maior cara de cachorro que caiu da mudança e imediatamente percebe que há algo errado. – O que há? Você está com aquela cara.
– Kim… será que tem como você jogar longe o meu celular? Só dessa vez? – Pergunto esticando o meu celular em sua direção como se fosse uma bomba relógio prestes a explodir no meu rosto.
– E porque eu faria isso? – Ela pergunta colocando as duas mãos na cintura dramaticamente.
– Kim… eu fiz algo estúpido. Sem querer, acabei mandando uma mensagem para o cara do aplicativo, aquele que você curtiu. – Digo escondendo o meu rosto no travesseiro e dou um pequeno grito abafado esperando que isso diminua a minha raiva de mim mesma, mas sem sucesso algum.
– Ora, isso é uma coisa boa. Por que está assim por causa de uma simples mensagem? – Ela pergunta sentando-se a cama e passando as mãos nas minhas costas. Eu me levanto e vejo seus olhos animadores para mim, mas não me sinto nem um pouco animada.
– Como isso poderia ser bom? Kim, eu não mandei uma mensagem normal. Eu praticamente o chamei de estranho. – Digo esticando o celular para ela, que pega e lê a mensagem. Meu celular volta a apitar e a minha raiva aumenta. – Ignore a mensagem da minha mãe, não quero falar com ela. Para começo de conversa é por causa dela que estou nessa situação horrível. – Reclamo voltando a me jogar na cama.
– Acho que ele não pensa o mesmo que você já que te respondeu. – Kim fala um segundo após o meu silêncio e eu me levanto num salto. – Veja você mesma. Te espero lá fora para jantar.
Pego o celular ávida para saber se ele está me xingando pouco ou muito e fico um pouco surpresa com a sua resposta.
“Você também é misteriosa, acho que estamos empatados.”
Leio e releio a sua mensagem e acabo ficando aliviada. Ele não interpretou minhas palavras da maneira que eu estava pensando e considerando isso um incentivo, respondo imediatamente.
“Touché. Você tem um ponto.
Então, o que há com as fotos mostrando partes do corpo, é algum novo tipo de arte? Se for eu ainda não conheço.”
Aperto em enviar e a resposta vem logo em seguida.
“De certa forma, é um tipo de arte. A minha mãe e o meu pai que fizeram. O que achou? Eles tem um bom pincel?” – Abel.
“É, até que não está ruim. Você é ok.” – Daisy.
“Caralho, mulher. Você bem sabe como acabar com o ego masculino, me sinto um fracassado nesse momento.” – Abel.
“Eu juro que essa não era a minha intenção (talvez fosse um pouco) então receba as minhas sinceras desculpas” – Daisy.
“Gosto do seu espírito, mesmo que ele tenha me derrotado agora a pouco. Quero conhecer mais sobre você e descobrir com que outras palavras você vai ferir o meu ego se você estiver afim.” – Abel.
Mordo os lábios e pondero um pouco antes de digitar uma resposta. Sinto uma conexão com essa pessoa da qual eu nunca senti antes e acho que vamos nos dar bem, mesmo que a nossa química não seja tão incrível pessoalmente, eu realmente não reclamaria de ter alguns bons amigos.
“Claro, por que não? Vamos conversar mais algum tempo e se der certo, saímos. Que tal?” – Daisy.
Esse é um dos meus movimentos mais arriscados em toda a minha vida, normalmente eu sou uma pessoa quieta que anda de acordo com a maré, eu nunca me impus ou exprimi a minha vontade com homens. Minha mãe costumava dizer que para tudo tem uma primeira vez e ela estava mesmo certa.
– Daisy, a comida! – Kim grita. Ela não curte fazer as refeições sozinha e sei que não vai comer enquanto eu não aparecer lá.
– To indo! – Grito de volta.
No dia seguinte, o alarme toca e eu meto a mão no celular imediatamente para desligar, para garantir que eu não vou voltar a dormir eu me sento na cama e passo a mão pelo rosto tentando acordar totalmente. Ontem a noite depois de conversar de diversos assuntos com Abel até tarde da noite, na hora de dormir, lembrei de mudar o meu alarme para o trabalho e em vez de pegar o ônibus de 7:20, vou pegar o das 7:00 todos os dias e tudo isso para garantir que eu não me atrase nunca mais, assim não preciso dar satisfação para aquele ser humano odioso que se diz meu chefe. Pensando dessa forma, jogo as pernas para o lado e me levanto a fim de encarar o meu segundo dia de trabalho.
Tomo um banho, arrumo os cabelos no rabo de cavalo elegante de sempre e para o dia de hoje, escolho um terninho cinza e os meus famigerados scarpins pretos. Por último, faço a minha maquiagem básica para trabalhar e arrumo a minha bolsa. Antes de sair de casa, olho para o relógio na cozinha e dou um sorrisinho vitorioso ao ver que são 6:50 e que vou chegar pontualmente hoje.
Ao contrário de ontem, passei toda a viagem terminando de revisar alguns dos contratos dados a mim ontem calmamente e memorizo a agenda de hoje, acabei terminando antes mesmo que chegássemos ao meu destino final. Desci no ponto e caminhei calmamente até o café do outro lado da rua, ao lado da empresa.
– Um café preto e sem açúcar para viagem, por favor. – Peço ao chegar ao balcão e espero com calma. Assim que fica pronto, eu pago e agradeço.
Mostro minha identificação na empresa e adentro o enorme edifício com um sorriso em meu rosto. Aciono o elevador e logo estou na cobertura, não vejo a garota da recepção e isso me faz perceber que eu sou a primeira do andar a chegar. Junto todos os papéis que Sebastian pediu em sua mesa hoje pela manha e levo para a sala dele junto com o café e volto a minha mesa para esperar ele chegar.
Pontualmente as 7:45 o elevador se abre e logo eu vejo Sebastian vindo. Me levanto para cumprimentá-lo.
– Bom dia, Sr. Demprey. – Digo e ele parece ter chupado algo azedo assim que me vê e só isso faz o meu dia valer a pena.
– Bom dia. Qual a programação para hoje? – Ele diz e eu discorro a falar todos os seus compromissos desde o primeiro até o último enquanto ele anda até a sala.
– … por último, as 19:00, um jantar com os investidores coreanos. Os papéis que me pediu ontem estão na sua mesa e o seu café já está na sua mesa. – Completo antes que ele entre.
– Obrigado. – É tudo que ele diz antes de entrar e sumir cômodo a dentro. Nunca vi uma palavra ser tão difícil de ser dita como esse pequeno obrigado que Sebastian disse.
Assim que vejo que ele está mesmo lá dentro, faço uma pequena dancinha da vitória até a minha mesa e sorrio aberto.
Desirré 1, Sebastian 0 é o placar de hoje.

Komentar Buku (2465)

  • avatar
    Rebeca Pereira Batista

    bom

    4d

      0
  • avatar
    SantosMelina

    tô começando agr a ler,e já tá o máximo, tô amandooo

    7d

      0
  • avatar
    GonçalvesZenilda

    legal

    9d

      0
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