Acordei com aquele cheiro de café fresco que parecia trazer um abraço pra dentro do meu quarto. Era sábado, e eu sempre gostava de acordar assim. Ainda deitada, fechei os olhos e fiz minha oração em silêncio. Pedi calma pro dia e força pra tudo que viesse. Peguei meu celular na mesinha. Uma mensagem da Sara piscava na tela: sofi, preciso que você venha aqui hoje à tarde! tive uma ideia incrível! Dei uma risada baixa, já esperando alguma maluquice dela. Mas deixei o celular de lado e me arrastei pro banheiro. Enquanto escovava os dentes, olhei no espelho. Meus olhos castanhos, tão parecidos com os da minha mãe, estavam cheios de sono. Prendi meu cabelo cacheado num coque alto, meio desajeitado, e desci as escadas. A cozinha tinha aquele cheiro que me fazia lembrar da infância. O barulho do pão tostando, o som da chaleira, a luz da manhã entrando pela janela. Sentei ao lado da minha mãe e dei um beijo leve no rosto dela. — Bom dia, mãe. — Bom dia, minha filha. Dormiu bem? — Dormi, sim. Esse cheiro de café me chamou — falei, pegando uma caneca quente que ela empurrou na minha direção. Ela riu e ajeitou o pano de prato no ombro, com o rosto calmo, daquele jeito que me fazia pensar que tudo sempre daria certo. — Seu pai saiu cedo hoje. Disse que tinha muita coisa pra resolver. — Hum… Ele sempre tem — respondi, mexendo no café antes de dar o primeiro gole. Ela sentou ao meu lado, colocando uma fatia de pão na minha frente. Peguei o pão quente, passando manteiga enquanto escutava a chaleira apitar de novo. — E a Sara? — ela perguntou, virando de leve pra mim. — Mandou mensagem cedo. Disse que teve uma ideia que vai mudar o mundo — falei, dando uma risada curta. — Essa menina tem cada uma… — ela comentou, sorrindo de canto. Por um momento, ficamos em silêncio. Eu mastigava devagar, sentindo o gosto da manteiga e o conforto de estar ali com ela. Mas logo a mãe que sempre se preocupava veio à tona. — E a faculdade? Já pensou no que quer fazer? — perguntou, sem pressionar demais. Eu senti o peito travar um pouco. Mexi no café, olhando o vapor subir, e dei de ombros. — Ah, ainda tô pensando, mãe. Sei lá… — respondi, tentando parecer leve. — Sei lá? — ela repetiu, arqueando a sobrancelha. — É… Vai que eu viro astronauta? — brinquei, rindo e desviando o olhar. Ela soltou uma risada curta, mas percebi que ela sabia que eu estava escapando. Não insistiu, só balançou a cabeça e me deu um tapinha de leve no braço. — Tá bom, minha filha. Mas sabe que pode conversar comigo, né? — Eu sei, mãe — murmurei, com um sorriso pequeno. Ela mudou de assunto rápido, talvez pra não me pressionar. — E o seu aniversário? Já pensou em alguma coisa? — Nem sei… — respondi, voltando pra cozinha — Mas não quero festa grande, não. Não precisa gastar nada, mãe. Você sabe como eu sou. Ela me olhou com aquele carinho tranquilo que só uma mãe tem. — Eu sei. Só quero que você tenha um dia bom. E eu tô aqui pra isso. Assenti, voltando pro meu café. Fiquei ali mais um tempinho, sentindo o cheiro forte e o gosto quente. Às vezes, era só disso que eu precisava: de um momento calmo, de um café com cheiro de casa e do jeito suave que minha mãe me olhava. Durante o resto do dia, ajudei minha mãe com as tarefas de casa. A gente lavou a louça, arrumou a sala, peguei as roupas do varal. Nada demais, só o suficiente pra deixar a minha mãe menos cansada. Depois, voltei pro meu quarto pra terminar de estudar. Tinha umas atividades pra colocar em dia, e aproveitei o silêncio pra focar. Quando a mãe chamou pra almoçar, desci pra cozinha. Sentamos juntas à mesa, e a conversa foi leve, meio sobre o projeto novo que meu pai estava fazendo no trabalho, algo que nem a gente entendia direito. — Não sabemos exatamente o que é, mas ele tá se esforçando muito — disse minha mãe, com um sorriso cansado. Agradeci, meio sem jeito, pelo esforço que ela e meu pai faziam pra gente. Ela respondeu com um olhar cheio de carinho. — A gente tenta, filha. Cada dia um passo. Olhei no relógio e percebi que já estava quase uma da tarde. — Acho que vou subir pra me arrumar, mãe — falei. — Tá bom, querida. Se for dormir na casa da Sara, me manda uma mensagem, tá? — Pode deixar — respondi, me levantando. Subi pro quarto, tomei um banho rápido, peguei uma muda de roupa confortável e uma escova. Antes de sair do armário, peguei o meu livrinho de música. Um segredinho meu, que ninguém na casa tinha nem ideia que existia. Peguei minha bicicleta na garagem, ajeitei a mochila nas costas e saí. A casa da Sara não ficava muito longe, uns quinze minutos pedalando, nada que me cansasse. O vento no rosto, o som das rodas na rua, tudo parecia perfeito pra um dia que podia ser meio normal.
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Komentar Buku (267)
MatosMelyssa
Quero saber qual a ideia da Sara agora kkkkkk
15h
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Da SilvaNatali
um assunto bem profundo que envolve o sonho dele e também o do pai
Quero saber qual a ideia da Sara agora kkkkkk
15h
0um assunto bem profundo que envolve o sonho dele e também o do pai
2d
0tipo isso é muito bom garanto para todo mundo
5d
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