"Envolto pelo brilho do amanhã. Nova vida nasce em minha mente. E os raios do sol estão derretendo os corações congelados." Freedom Call. Música tema: FREEDOM CALL-CRADLE OF ANGELS SIGA-ME NO INSTAGRAM: liv.iastrid ________________________________________________ Ao topo da montanha enevoada, onde os pássaros não cantavam, onde a luz do sol não chegava, onde nos vales ao redor as almas pereciam e nenhuma vida sequer vingava, eis que surgiu o espírito solitário de um jovem rapaz e sua flauta de bambu. O seu nome ninguém sabia, pois, ele em todas as suas nuances, era um segredo vivo ( ou morto). O pouco que se sabia era que; a sua presença simbolizava o despertar de tempos muito sombrios. Ninguém ousava andar pelo vale quando o fantasma da montanha surgia. Ninguém ousava encará-lo ou questionar o porquê de todas as coisas. A resposta viria depois. — Um fantasma! — berrou a garotinha de longas tranças negras e rosto coberto de sardas apontando para o topo da montanha. — Eu tenho medo dele! Uma jovem de grandes olhos cor de amêndoa, e corpo visivelmente magro demais para alguém da sua idade, olhou na direção indicada pela irmã mais nova. Ele realmente estava lá. Com os longos cabelos prateados sendo soprados pela brisa suave do entardecer. Pela distância, ela não conseguiu ver quando o espírito levou a flauta a altura dos lábios; mas, quando a canção melódica e carregada de uma tristeza característica começou a ecoar por todos os cantos do vale das almas perdidas, uma sensação muito ruim invadiu-a. — Eirene, — chamou o irmão do meio. Um garotinho de cabelos castanhos, curtos e encaracolados que estava na faixa de seus nove anos. — e se nos pegarem? Já está para escurecer! Conseguimos sair de Celborbun, mas, ainda não chegamos na capital! E se alguém passar por essa estrada e nos ver? Eirene, irmã mais velha das duas crianças e a única pessoa viva responsável por eles naquele momento, sentiu a ansiedade consumi-la. Droga. Ela e os irmãos haviam fugido de Celborbun, uma cidade tomada por soldados de um rei tirano chamado Ágoston. Celborbun, antes muito rica e próspera, aos poucos foi afundando na miséria junto ao seu povo. E a cidade antes conhecida por suas riquezas naturais, tornou-se um lugar onde roubar alimentos para alimentar a família já não era mais algo condenável, tamanha a miséria em que se encontravam. Com a miséria também vieram diversas doenças e pragas estranhas. Muitas pessoas dormindo ao relento após perderem suas casas para os impostos altíssimos cobrados pelos soldados; muitas pessoas tirando a própria vida por não conseguirem sair daquele inferno. Elas não podiam sair. Ninguém podia. Era proibido. Quem tentasse fugir da cidade, era morto em praça pública acusado de traição ao Rei Ágoston. Após seus pais morrerem contagiados pela doença estranha, Eirene decidiu que tentaria fugir daquele lugar com seus irmãos. E, ela bem que conseguiu. Durante uma madrugada qualquer. Mas, a jovem tinha plena ciência do que aconteceria caso fosse capturada por soldados do Rei. Ela seria executada. Seus irmãos pequenos, ficariam sozinhos no mundo. — Não vão. — falou, por fim. — É só tomarmos cuidado. Bom. O quão desprovidos de sorte estavam Eirene e seus irmãos naquele momento? Pois, instantes depois dela dizer aquilo, alguns cavaleiros, aproximadamente cinco, surgiram trotando ao horizonte. A jovem assim que ouviu o som dos cascos dos cavalos batendo na terra seca tratou de enfiar-se no meio da mata juntos aos irmãos. O primeiro soldado passou. O segundo. O terceiro. Mas, o quarto e o quinto adentraram justamente a mata onde os três órfãos estavam. Era apenas uma questão de tempo até serem encontrados. Quando os dois homens passaram com seus cavalos perto da pedreira onde Eirene e seus irmãos estavam escondidos, um fio de esperança nasceu no coração da jovem ao vê-los trotando para longe. Para o final da mata fechada. Esperança essa que morreu no mesmo instante. Liana, a garotinha de tranças negras, de repente soltou um grito fino e agudo. Klaus, o menino de cabelos encaracolados, também gritou; acontece que perto dos pés de Liana, havia uma serpente. E essa mesma serpente havia picado o calcanhar da mais nova. Eirene não teve tempo para assimilar tudo o que estava acontecendo. Pois, atraídos pelos gritos, os soldados de Ágoston ressurgiam no horizonte. Então rapidamente, a jovem pegou a pequena no colo e com Klaus correram para fora da mata. Foi totalmente inútil. Do lado de fora, na estrada, haviam dois soldados no aguardo, que ao verem os fugitivos — claramente fugitivos de Celborbun, não pouparam esforços nenhum para persegui-los. Eirene foi derrubada após uma chicotada nas pernas. Liana, com a queda misturada ao veneno da serpente que começava a fazer efeito, chorou. Klaus embora assustado não se deixou intimidar pelos homens. Bom. Ao menos, por alguns instantes. — Finalmente! — bradou um soldado de cabelos ruivos e desgrenhados, que caíam até os ombros. Aliás, era o único deles que não usava o característico elmo negro na cabeça. A mais velha torceu o nariz. Os olhos verdes-escuros do homem já eram bastante familiares para ela. Tonlul, assim como os demais soldados de Celborbun, eram clientes fixos da padaria. — Você nos deu um trabalho imenso, garota dos pães. Ela abraçou Liana. Naquele momento, tudo o que interessava era manter sua irmãzinha viva. Apenas aquilo importava. — Por favor. Me deixem passar no curandeiro antes. — suplicou com a voz embargada. — minha irmã está morrendo! Tonlul riu. — Isto não teria acontecido se não tivessem fugido de Celborbun. Apenas consequências dos teus próprios atos. Eirene abraçou ainda mais a garotinha. Estava prendendo o choro. Não daria à eles o prazer de vê-la chorar. Os dois soldados que faziam a busca chegaram. E, pouquinho depois, o quinto soldado também chegou. — Está escurecendo. — observou um deles, olhando ao redor. — E estamos muito longe de Celborbun. — Satisfeita, vagabunda? — berrou o ruivo Tonlul, cólero, como se a jovem fosse um nada. Na verdade, para todos eles, ela era um nada. — por tua culpa iremos dormir ao relento! Ela ignorou-o. Liana, em seus braços, estava cada vez mais pálida, mais fria. O quinto soldado que, até aquele instante permanecia um pouco mais afastado do grupo, aproximou-se aos poucos. — O que ela tem? — perguntou mais para os companheiros do que para a jovem em si. — Não faço a menor idéia. — zombou Tonlul. — Mas, está morrendo! O soldado dono da pergunta parou diante de Eirene. Com o rosto escondido, a mais velha apenas chorava. — Saia. — falou. Ignorado. Ela olhou-a com uma expressão nada gentil, os grandes olhos amendoados vermelhos. Ele não disse mais nada. Abaixou-se na frente dela, e, sem cuidado algum, puxou a perna da garotinha. Viu que no calcanhar dela haviam duas marcas de presas. — Isto é péssimo. — balbuciou. Eirene, um pouco intimidada, tentava aumentar a distância entre eles. — está morrendo mesmo. Liana, com um olhar abatido e os reflexos lentos demais para reclamar da forma como ele apertava-lhe o calcanhar, apenas fechou os olhos e aninhou-se mais em Eirene ansiando que tudo aquilo acabasse logo. E Eirene percebeu que, conforme ele apertava o local da picada, uma secreção amarelada saía dos pequenos furos. Como? Ele estava tirando o veneno dela? Um soldado de Ágoston fazendo aquilo? A reprovação era visível no olhar do companheiro ruivo. — Fiz o possível. —disse, por fim, seco. — Agora pense duas vezes antes de colocar a vida dos outros em perigo em prol de teus desejos egoístas. Sorte a tua que hoje estou de bom humor. E, com aquelas palavras, o soldado afastou-se. Eirene estava em choque. Desejos egoístas? Por estar tentando libertar seus irmãos pequenos de uma vida miserável em Celborbun? Por desejar dar-lhes um futuro digno? Livres da escravidão? Do sofrimento? Era ridículo como toda aquela gente era igual.
Terima kasih
Dukunglah penulis untuk menghadirkan kisah-kisah yang luar biasa untuk Anda
esse livro é muito bom
03/01
0uma bosta gostei muito
08/03/2025
0muito bom
18/02/2025
0Lihat Semua